Bala perdida: adolescente também fica ferido

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Jocicleide: desenhos e lembranças (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

A comunidade do bairro Cidade Nova está desesperada com os índices de violência. No domingo, 17, dois bandidos de motocicleta dispararam vários tiros entre a ruas São Francisco e José de Almeida, no limite entre os bairros Santos Dumont e a Cidade Nova, deixando um saldo de uma criança morta e dois moradores feridos, entre eles a mãe da criança morta e um adolescente, de 15 anos. O fato já noticiado pelo Portal Infonet.

Na sucessão de crimes, provavelmente os mesmos criminosos atingiram a rua A e lá, também na esquina fizeram novos dispararam e mataram um outro adolescente, de 17 anos.

No cruzamento das ruas São Francisco e José de Almeida, as balas perdidas mataram Vitória Soares dos Santos, uma criança especial de apenas 10 anos, e feriram a mãe, Jacilma Soares dos Santos, 30, que está em estado de choque em casa, amparada pela família.

O alvo dos tiros seria um adolescente, de 15 anos, que passava no local quando os dois assassinos em uma motocicleta se aproximaram. No entanto, na ótica dos moradores, este adolescente também teria sido confundido com um outro jovem morador do mesmo bairro, que teria influência com o tráfico de drogas.

Projétil encontrado na calçada

O adolescente de 15 anos foi atingido no braço direito e permanece internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), segundo informou a mãe do garoto, Elenildes Moreira. “Ele vinha da casa da tia e estava chegando em casa e não tem nada a ver com droga nem com nada”, conta a mãe. “Ele ouviu o barulho da moto que estava seguindo ele devagarzinho, ele olhou pra trás e aí os bandidos começaram a atirar”, conta uma moradora, que estava na calçada, na esquina entre as ruas São Francisco e José de Almeida, no momento em que os tiros começaram a ser disparados.

Ela prefere o anonimato e revela que a violência naquele trecho tomou proporções assustadoras. “Há cerca de 15 dias, os bandidos dispararam tiros aqui e atingiram as casas. Todo mundo morre de medo por aqui”, observa a moradora.

Desenhos

Esquina onde Bruno foi morto

O padeiro Antonio Francisco dos Santos, 62, avô da garota assassinada pela bala perdida, revela que a esquina é ponto de encontro da família com os vizinhos. “Minha neta tava aqui sentada com a mãe. Tava todo mundo conversando e eu estava dentro de casa, mas quando botei o pé na calçada ouvi os tiros e já vi minha neta caída baleada”, conta.

A dona de casa Jocicleide Ferreira, tia da garota assassinada pela bala perdida, não contém o choro ao relembrar a rotina da criança, considerada especial. “Ela ficava aqui desenhando e era uma criança muito querida. Todo mundo gostava dela. E na hora que foi baleada estava desenhando neste papel”, diz, exibindo os desenhos produzidos pela garotinha.

Movidos pela emoção, os familiares ainda não tiveram condições psicológicas para adotar as medidas para liberação do corpo. A mãe permanece em estado de choque, sem condições de conversar e está na casa de vizinhos amparada por parentes e amigos.

Outro crime

Carroça com a qual vítima começou a trabalhar

A poucos metros da rua Francisco de Assis, um outro crime foi registrado e credita-se a autoria aos mesmos motociclistas que, momentos antes dispararam as armas e atingiram três pessoas naquela esquina. Na parte mais alta da rua A, já no bairro Cidade Nova, o adolescente Bruno Santos de Souza, 17, foi executado a tiros.

Segundo os moradores daquele trecho, ele estava sentado em uma calçada, bem na esquina da rua A, na companhia de amigos. Há quem acredite que o alvo efetivo dos criminosos que agiram na rua São Francisco seria Bruno, considerado pela família como usuário de drogas. “Ah! Eles já chegaram no bairro disparando tiros lá por baixo e acertou um monte de gente”, conta um dos vizinhos de Bruno, que prefere não ser identificado. “A gente era amigo e nem sei o que foi que aconteceu. Era uma pessoa que não fazia mal a ninguém”, observou.

“Não foi falta de conselho. Ele só dizia ‘tá bom, mainha…’ tudo dele era isso: ‘tá bom mainha’. E nem ouvia o que a gente falava”, observa a dona de casa Ana Cristina dos Santos, mãe do adolescente assassinado. “Ele já estava começando a trabalhar com a carroça, mas nunca me falava da vida dele. A gente sabia que ele era usuário de droga”, revela a mãe.

As investigações destes crimes serão realizadas pela equipe do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Por  Cássia Santana

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