Chuva e vento causam destruição em Carira

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Chuva deixou destruição em diversos povoados em Carira (Fotos: Portal Infonet)
No município de Carira, a 112 km de Aracaju, o cenário deixado pelas chuvas é semelhante ao que os sergipanos estão acostumados a ver apenas pela televisão. A força da chuva e do vento na noite dessa terça-feira, 11, arrancou telhados, derrubou muros e até destruiu casas em alguns povoados. Para muitos moradores, o que ficou nesta quarta-feira, 12, foi um rastro de destruição e medo.

 

“Por volta das 18h começou a chover e logo em seguida teve uma ventania muito forte. Só sei que quando fui ver, meu muro já estava todo torto”, conta Josivânia Oliveira, moradora do Povoado Descoberto. Segundo ela, esta não foi a primeira vez que aconteceu situação semelhante.

 

“Acho que umas duas ou três vezes já tivemos uma chuva tão

Josivânia diz que depois da chuva seu muro já tava quase no chão
forte assim. Até chuva de granizo teve. Do jeito que o tempo está, não vai demorar muito para ter outra”, comenta a moradora.

 

Destruição

 

Seguindo pela cidade foi possível identificar várias pessoas consertando telhado, além de muitos muros caídos. No povoado Divisa, localizado entre Carira e o município de Coronel João Sá (BA), a chuva deixou marcas mais profundas. Para o agricultor José Alves de Oliveira, de 70 anos, conhecido como ‘Zé Matapinto’, a ventania quase lhe custou a própria vida.

 

Ele conta que de terça à sábado passa o tempo tomando conta do seu 

O agricultor José mostra sua casa destruída por causa da ventania
pequeno terreno. “Eu estava sentado na rede olhando a chuva, quando começou a ventar demais. Eu já comecei a ficar desconfiado que pudesse aumentar e então saí da rede um pouco. Não passou nem um segundo e a parede caiu bem em cima da rede”, relata Zé.

 

O agricultor diz que a partir daí a chuva e a ventania acabaram destruindo sua casa. “O vento era tão forte que arrastava o meu corpo. Tive de me segurar nas paredes quebradas. Inclusive um tijolo ainda caiu na minha cabeça”, lembra.

 

Apesar do susto, Zé Matapinto teve que improvisar para se proteger da ventania. “Eu já estava tão sem rumo que quando a chuva foi baixando, peguei um pneu velho que uso para colocar comida de meus bois e coloquei na minha

Gidilcélia conta que estava sozinha com o filho no momento da chuva
cabeça. Mas graças a Deus já passou e o que importa é que estou vivo”, diz.

 

Por pouco

 

Situação semelhante a do agricultor aconteceu com a família de Gidilcélia Souza Santos, 23, no povoado Saco Torto, ainda em Carira. No momento da forte chuva, estavam apenas ela e seu filho pequeno dentro de casa.

 

“Quando começou a chuva fiquei logo com medo e já ia sair para a casa de minha sogra aqui vizinho. Mas acabou faltando energia e resolvi ficar na cama com

O cenário é de tragédia em povoados de Carira
meu filho, pois meu marido não estava em casa. Quando as paredes começaram a cair, tomei coragem, peguei meu filho e saí correndo para fora de casa. Depois disso, a ventania derrubou o resto das coisas”, lembra a moradora.

 

Ela diz que acabou perdendo muitos pertences, dentre eles guarda-roupas, geladeiras, fogão, televisão, objetos pessoais etc.

 

“Mas pelo menos eu e meu filho estamos vivos”, ressalta, aliviada. Gidilcélia ainda conta que pela manhã uma equipe da Defesa Civil apareceu no local e informou que estaria tomando providências para que os danos materiais fossem reparados.

 

Danilo afirma que a população ainda está com medo

Ainda assim o medo toma conta da população dos povoados, conforme observa Danilo dos Anjos, agente comunitário e também morador da região.

 

“Aqui trovejou, choveu, ventou e houve todas essas destruições. Todo mundo acaba ficando assustado. A gente tem fé que nada disso aconteça tão cedo”, afirma Danilo.

 

Por Victor Hugo

 

 

 

 

 

 

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