Ciganos são julgados por assassinatos ocorridos em Aquidabã

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Momento em que o promotor pede a condenação dos réus (Fotos: Portal Infonet)

Começou nesta terça-feira, 11, o júri popular dos ciganos Josuel dos Santos e Rozamir dos Santos, acusados pela prática do atentando que culminou com a morte de duas pessoas e deixou uma terceira vítima ferida. O crime ocorreu em 2014 no município de Aquidabã. Na emboscada, morreram um professor e um técnico: Edvaldo Lourenço Souza, 38, e Francisco Tavares dos Santos, 32, enquanto Cláudio Dias Moura ficou ferido e conseguiu sair da cena do crime e pedir ajuda a um motociclista que passava no local, que o levou ao hospital da região.

Evaldo Campos: “investigação capenga, incompetente e desleal”

Os suspeitos foram localizados em São Paulo no mês de setembro do mesmo ano do crime e, desde então, permanecem presos aguardando o resultado do julgamento. A sessão do júri foi iniciada às 8h, conduzida pela juíza Soraia Gonçalves de Melo. O julgamento deveria ocorrer em Aquidabã, mas foi transferido para Aracaju por cautela, conforme explicações feitas pelo promotor de justiça Waltenberg Lima de Sá.

Na primeira audiência, cerca de 200 ciganos se posicionaram nas proximidades do Fórum de Aquidabã e houve um clima de temor na cidade, o que provocou a transferência do julgamento para o Fórum Gumersindo Bessa, na capital sergipana.

Debates

As testemunhas e os réus foram ouvidos pela manhã. O promotor de justiça Waltenberg Lima de Sá iniciou os debates ainda na parte da manhã, defendendo a condenação dos dois suspeitos por entender que são robustas as provas contidas nos autos de que os ciganos promoveram uma emboscada para assassinar as vítima depois de uma discussão entre eles em decorrência do volume alto de uma aparelhagem de som automotivo de um dos veículos dos ciganos, em um bar da cidade.

A vítima sobrevivente contou detalhes do que presenciou naquela tumultuada noite e a dona do bar, onde a confusão teria sido iniciada, também prestou depoimento, narrando o que presenciou no estabelecimento comercial naquele dia.

Investigação capenga

O promotor de justiça Waltenberg Lima fez observações contundentes sobre os antecedentes criminais dos acusados, chegando a observar que eles não seriam ciganos, mas traficantes com forte atuação no Estado de Alagoas e que teriam fugido de Penedo por envolvimento com outros crimes.

A defesa dos dois acusados está sendo conduzida pelo advogado Evaldo Campos, que fará a manifestação oral no júri na tarde desta terça-feira, 11, empenhado em provar que os réus são inocentes. “O processo não exibe uma única prova em desfavor dos réus”, diz. “Lastimavelmente, como os réus têm um outro processo no Estado de Alagoas, o promotor leu e comentou em plenário a sentença de pronúncia de lá. Isso fulmina de nulidade o julgamento. A pronúncia não pode ser comenta para evitar que opinamento de um magistrado possa influir no Conselho de Sentença”, destaca o advogado.

O advogado também tece contundentes críticas ao trabalho realizado pela Polícia Civil de Sergipe para chegar à autoria daquele crime. “A defesa vai demonstrar que os acusados são inocentes, vítimas de uma investigação capenga, incompetente e desleal. Infelizmente, a polícia não se preparou para fazer uma investigação adequada e agora quer a fina força buscar inspiração em um processo que corre em Penedo para julgar o daqui e isso não é correto, não é justo”, reage o advogado.

Evaldo esclarece que o papel da defesa não é apontar culpados, mas abre brechas para que o corpo de jurados acredite na possibilidade do crime ter sido praticado por um outro grupo de ciganos, que seria rival do grupo do qual Josuel e Rozamir são integrantes.

Segundo o advogado, o veículo que os ciganos Josuel e Rozamir usavam na época em que houve a confusão entre os dois grupos de ciganos rivais no município de Penedo, em Alagoas, seria da mesma marca, cor e modelo daquele que as vítimas da embosca usavam naquela noite. “E aqui faço uma indagação: não teriam sido os ciganos que vieram matar estes ciganos de Aquidabã e quando vieram o Cross Fox preto, vindo de um povoado, imaginaram que seriam os tais ciganos? Não sei”, conjectura o advogado.

O julgamento será reiniciado no início desta tarde, com a perspectiva da sentença ser divulgada ainda nesta terça-feira, 11.

Por Cassia Santana

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