Cléia Souza – Exemplo de superação

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Cleia, em entrevista á infonet na sua casa
Cléia Oliveira Souza, 63 anos, é uma mulher que se considera feliz. Casada, mãe de duas filhas e avó de dois netos, vive em harmonia com a família, além de ser muito querida pela vizinhança. Mas tanta felicidade já foi interrompida quando ela precisou enfrentar o câncer de mama por duas vezes. A coragem e a força de vontade foram motivos que levaram o Portal Infonet a escolher a história de Cléia para representar a de milhões de mulheres que enfrentam tal situação e conseguem dar a volta por cima.

 

A descoberta

 

Professora primária por 15 anos, precisou abandonar a carreira para cuidar da filha mais nova, Greice, que havia adquirido uma grave infecção intestinal. Um ano depois, com a caçula totalmente recuperada, decidiu não retornar às salas de aula e auxiliar o marido em seu comércio de materiais para escritório no centro de Aracaju. Como trabalhava em tempo parcial, sobravam horas para se dedicar às atividades domésticas e religiosas, já que a mesma se define como uma católica fervorosa.

 

Foi em uma dessas atividades do lar, lavando roupa, que a sua luta teve o pontapé inicial. “Recebi uma intuição forte, sentia que era uma intuição divina para fazer um exame minucioso. Naquele mesmo dia eu iria à clínica fazer um simples exame de rotina, mas segui a minha intuição e fiz o exame mais detalhado. O caroço estava no mamilo, lugar que eu não descobriria em um exame de rotina”, declara. Foi aí que Cléia recebeu a notícia que estava com câncer, devido a um tumor maligno. “Perdi o chão na hora. A primeira coisa que me veio a cabeça foi que eu iria morrer ali mesmo”, recorda.

 

A luta contra o câncer

 

Cleia fala sobre o câncer de mama que enfrentou
A mesma fé que a fez descobrir a doença foi que a motivou a vencer. O apoio integral da família e dos amigos também foram essenciais à luta de Cléia que precisou quebrar tabus estabelecidos por ela mesma para superar tal problema. “Eu nunca tinha ido a um mastologista, era muito acanhada, tinha vergonha. Mas fui! Precisei retirar a mama para me curar do câncer e foi um tanto difícil para mim, que sempre fui uma mulher vaidosa, olhar-me no espelho após a cirurgia”, relata. Para superar estes obstáculos, nossa homenageada ressalta a força dada pelo marido. “Ele nunca me abandonou, sempre esteve ao meu lado, nunca deixando que eu me sentisse feia nem com a estima baixa”, disse.

 

A vaidade ainda foi desafiada pelas sessões de quimioterapia e radioterapia as quais precisou passar e que levaram a uma queda parcial de seu cabelo. “Mas eu nunca pensei duas vezes. A vaidade se torna algo mínimo quando você passa por uma situação destas”, ressalta.

 

Foi a estas sessões que Cléia atribui a pior parte do período em que batalhou contra a doença. “Conheci muitos casos de pessoas sofridas, que passavam pela mesma situação que eu, mas eram mal tratadas e consequentemente sem esperança”, revela. A convivência com pessoas dessa natureza, serviu como uma lição de vida, segundo ela. “Aprendi que muitas vezes nós podemos ajudar alguém que precisa, não só com dinheiro, mas com uma palavra, um carinho, um sorriso…”.

 

A dupla luta contra o câncer

 

Cinco anos após a cura do câncer no seio esquerdo, descobriu que estava novamente com o problema, mas desta vez na mama direita. “Mas covarde eu nunca fui. Foi com coragem que fui a luta. Acho até que minha família sofreu mais do que eu”, falou. De acordo com Cléia, foi Deus quem fortificou e proporcionou uma segunda vitória contra o tumor. “Precisei retirar também o seio direito. Mas após a cirurgia, sabendo que iria ficar boa, até brinquei na clínica que logo queria um enchimento para o sutiã”, declara com bom humor.

 

Ela é casada e mãe de duas filhas
Após dois grandes desafios em sua vida, Cléia afirma ter passado a priorizar as coisas simples da vida e principalmente o seu bem estar. “Valorizo e agradeço o pão de cada dia. Passei a viajar mais, a sair com meu marido para dançar. Baile de formatura então, não perco nenhuma que me convidam”, diverte-se a nossa homenageada que ainda tem ginástica e salão de beleza na sua agenda semanal.

 

Como uma grande mulher e mãe de outras duas mulheres, Cléia descreve os valores passados às filhas. “Acima de tudo há um elo de confiança ente nós. A principal herança que deixo a elas é o caráter espetacular e o principio de que a família é a base da vida, não só de qualquer mulher, como de qualquer ser humano”, finalizou.

No sábado, 8, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Portal Infonet estará encerrando a série especial que pretende homenagear todas as mulheres com exemplos de vencedoras e pioneiras que tão bem representam o chamado “sexo frágil”. Abaixo seguem as história que já foram publicadas durante esta semana:

 

Confira as matérias anteriores da série especial do Dia da Mulher:

Maria Thetis – Uma vida para a Educação

Jaci – Mais que uma tia, uma mãe!

Drª Clara Leite Rezende, primeira Desembargadora do Estado em Sergipe 

Dona Neném – Humilhação e Determinação

Por Glauco Vinícius e Raquel Almeida

 

 

 

 

 

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