Cresce violência nos terminais do sistema de transporte

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Estudante mostra marcas da violência em uma das pernas (Fotos: Portal Infonet)

A polícia não tem controle, as estatísticas são falhas, mas é crescente o número de vítimas de agressões físicas e de roubos nos terminais de integração do sistema de transporte coletivo em Aracaju. Na Delegacia Plantonista, em apenas cinco dias foram registradas pelo menos duas ocorrências em Boletim de Ocorrência, que resultaram com a prisão dos envolvidos. Mas há casos que os policiais tomam conhecimento, mas não entram na estatística porque os agressores não são identificados e as vítimas temem, silenciando sem prestar queixa em Boletim de Ocorrência.

Um destes exemplos está Daniel [o nome é fictício para preservar a verdadeira identidade da vítima], um estudante de 21 anos, que foi perseguido e espancado, na noite da última terça-feira, 26, dentro do terminal de integração do Distrito Industrial de Aracaju (DIA). No grupo dos agressores, segundo as vítimas, há também participação de mulheres, cujos integrantes aparentam ter faixa etária inferior a 18 anos.

Gangue age dentro e fora dos terminais (Fotos: Arquivo Portal Infonet)

Daniel chegou a travar luta corporal com um dos integrantes da gangue no momento do assalto. “Já descemos do ônibus lutando”, informa. Ele conseguiu correr, mas foi perseguido e ameaçado por todo o bando. “Me escondi na guarita do terminal e a cobradora me alertou que os meninos estavam vindo em minha direção”, lembra. “Quando olhei pra trás eram seis”, contabiliza. Há informações dentro dos terminais que o mesmo grupo vem atuando com frequência e já fez várias vítimas.

Daniel, que até então resistia ao assalto, acabou convencido de que se livraria do grupo assim que desse o dinheiro que eles exigiam. “Peguei os sete reais que tinha na carteira, dei a eles e ainda chamei a polícia”, revela. “Os policiais chegaram, fizeram abordagem e, como não encontraram armas, liberaram todos eles e foram embora”, diz. “Só depois é que pensei: se eles tivessem armados? Reagi e briguei só para me defender, mas eu não gosto disso”, garante.

Sem segurança

Georliza reconhece deficiência na segurança

O maior problema dos terminais de integração é falta de segurança, no entendimento dos usuários. “Lutei com eles, fui perseguido dentro do terminal e não aparecia ninguém para me ajudar e proteger”, diz o estudante, que pretende até modificar o horário do curso para evitar a frequência nos pontos de ônibus durante a noite. Ele demonstra revolta e teme novas agressões.

Os terminais não são dotados de sistema de segurança e os policiais ou a guarda municipal só aparecem quando solicitados. O grupo também age dentro dos transportes coletivos. Na noite desta quarta-feira, 27, por exemplo, uma mulher foi roubada dentro de um coletivo que passava pela avenida Delmiro Gouveia, próximo ao shopping. Ela ajudou uma senhora a desembarcar e acabou surpreendida por um rapaz que furtou a bolsa.

No coletivo, segundo a vítima, havia vários garotos, que agiam de maneira suspeita. A mulher optou por descer no próximo ponto e, por sorte, passava uma viatura da Polícia Militar. Ela acionou os policiais, que perseguiram o coletivo e o alcançaram na altura da avenida Francisco Porto. Dentro do coletivo, seis adolescentes suspeitos foram abordados. Com o grupo, os policiais encontraram a bolsa e o telefone celular da mulher.

Este caso está contabilizado nas estatísticas porque os suspeitos foram conduzidos para a Delegacia Plantonista. No entanto, o delegado de polícia de plantão liberou todos eles, entregando-os à família porque todos eram adolescentes.

Crack

A delegada Georlize Teles, secretária de Defesa Social e Cidadania de Aracaju, acredita que as ocorrências nos terminais de integração do sistema de transporte coletivo estão associadas ao consumo de drogas, especialmente do crack. “[assalto] não é mais por muito dinheiro. O usuário de crack quer qualquer dinheiro e isso favorece o clima de violência. Para obter a droga, não há limite da violência”, analisa.

A secretaria reconhece a deficiência no esquema de segurança nos terminais de integração e justificou alegando pouco efetivo da Guarda Municipal, que também tem a missão de levar segurança aos usuários dos transportes coletivos. Ela informa que a prefeitura foi obrigada a mobilizar um grande efetivo para atuar no conflito do 17 de Março onde imóveis populares foram invadidos e esta atividade acabou causando deficiência no esquema de segurança dos terminais.

Mas a delegada vislumbra mudança no cenário a partir do aumento do efetivo da Guarda Municipal. A estratégia da secretaria é atingir, até o próximo ano, a um efetivo composto de cerca de mil agentes, o equivalente ao dobro do atual quadro da Guarda Municipal, com a efetivação do grupo que passará pelo curso de formação ainda neste semestre e com a contratação de outros a partir de um novo concurso público que a PMA deverá realizará ainda este ano.

Por Cássia Santana

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