Depoimentos sobre o Monsenhor Carvalho

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Marcelo Déda – Governador eleito

 

“O Padre Carvalho é um religioso de grande influência, não só na Igreja Católica, mas na vida civil, na vida social do Estado de Sergipe. Um educador reconhecido, um líder nato. É dele essa obra da educação privada sergipana, da educação religiosa, que é o Arquidiocesano. Ele assumiu desde o início a responsabilidade pela condução dessa obra educacional, e firmou o Arqui como um dos mais importantes núcleos educacionais de Sergipe. Além disso, ao lançar seu livro, o monsenhor nos dá a oportunidade de conhecer com mais detalhes a contribuição da Igreja Católica na formação da cidade de Aracaju, e na implementação de projetos sociais e religiosos que ajudaram a dar a Aracaju a feição que ela tem hoje. Não há como contar a história de Aracaju, sem contar a história da Igreja católica, dos seu clérigos e da família cristã dessa cidade”.

 

Zélia Alves – Secretária Geral do Arquidiocesano há 32 anos

 

Zélia, braço direito do monsenhor no Arquidiocesano, e Monsenhor Claudionor, colega de seminário
“Eu conheci o padre Carvalho através das irmãs missionárias. Eu vinha sempre em visita à irmã Augusta e a Dom Távora, que era muito meu amigo. Trabalhava na faculdade Católica e no Hospital Português como escriturária. Como eu já tinha uma boa experiência de trabalho, o padre Carvalho, sabendo que a comunidade das Irmãs ia fechar, me chamou pra controlar a administração da cozinha e do seminário. Eu era encarregada do economato, fazia a feira do seminário, e depois ele me convidou pra ser coordenadora da pré-escola. Isso em 1977. Nessa época, a pré-escola estava entregue somente às professoras. No começo o convívio com ele deu medo. O que as pessoas iriam pensar, de me ver morando no colégio com o padre? Mas depois eu vi que tudo é muito respeitoso aqui, e que eu ia morar lá no primário. Nessa época eu já era ex-religiosa, deixei o convento em 1972. Ele me apresentou as vantagens de vir morar aqui, ganharia bem, e não teria despesas com o pensionato (risos). A minha convivência com ele é de irmão direto. Eu saí de um convento e entrei em outro, porque minha vida é muito presa aqui. Eu acho às vezes que as pessoas de fora têm mais acesso a ter conversas com o padre que eu, porque ele é tão ocupado… Tem vezes que eu quero falar algo sério com ele e não dá. Chega a noite e ele já está cansado. Hoje ele tem mais confiança em mim e aceita minhas decisões. São 32 anos de convivência. O padre é uma pessoa de oração, de muita leitura. Quando ele está na Atalaia ele gosta de ler, orar e de trabalhar em roça. Quando ele era mais novo até na enxada ele pegava, e ainda pega, porque é teimoso! (risos). Eu brigo com ele, porque na idade que ele tem pode acontecer alguma coisa. O que eu tenho que dizer e o que eu sofro eu digo abertamente a ele. Tenho muita confiança. Foi isso que me prendeu aqui. Eu tinha muito medo do que as pessoas falavam, porque morando com o padre, as pessoas falavam que eu iria tirar a vocação dele. Mas não há nada disso. Ele é um grande amigo-irmão. Eu até me confesso com ele”.

 

Monsenhor Claudionor

 

“O Monsenhor foi meu colega de turma de seminário menor de Aracaju. Depois ele foi pra João Pessoa e eu pra São Paulo. Encontramos-nos de novo no seminário, ele como reitor, e eu como diretor espiritual. No sacerdócio ele é muito dedicado à Igreja. Inteligente e trabalhador. Ele tem muitos merecimentos. São muito justas as homenagens aos seus 80 anos. É um rapaz sincero leal e confiável.

 

Edvaldo Nogueira- prefeito de Aracaju

 

“Monsenhor Carvalho é uma figura extraordinária da Igreja sergipana, ele tem um papel muito importante, seja como evangelizador ou como educador. A sua obra marca significativamente a sua presença na Igreja Católica sergipana. É uma alegria pra gente da prefeitura patrocinar esse livro que comemora os 150 anos de Aracaju. A igreja católica teve um papel muito importante na fundação da nossa cidade. E o padre, dos 150 anos, tem 80 de vida, sendo 50 de sacerdócio, colaborando para os desenvolvimentos social, intelectual e espiritual da nossa cidade”.

 

 

 

Morena – 44 anos de Arquidiocesano

 

“Eu conheci o padre Carvalho quando eu costurava na casa de uma senhora que a filha era professora aqui. O padre estava precisando de uma pessoa para trabalhar na cantina, e eu vim, quando cheguei aqui ele disse que ia montar a cantina ainda, que depois ia me chamar. Eu mal cheguei em casa e ele mandou me buscar no mesmo dia, disse que tinha gostado muito de mim. Aí fiquei trabalhando com os seminaristas, quando só havia eu de mulher com eles. Eu passava o dia todo aqui. Eu tenho 44 anos de convivência com o padre. Não existe outro diretor como ele. É um grande amigo. Calmo, sereno, trata todo mundo bem. Ele é fora de série. Eu lembro de um momento com ele, quando Gouveia (professor do Abique) veio atrás de uma chave comigo. Eu trabalhava o dia todo, e já no portão de acesso. Eu disse que a chave não estava comigo. Depois o padre veio à minha procura, perguntando por que eu não dava a chave pra ele. Eu disse que só trabalhava com uma chave e nada mais. A gente discutiu, eu chorei o dia todo e não fui comer. Ele veio me perguntar ‘Morena, por que não vai comer?’. Eu disse ‘O carão do senhor já encheu minha barriga’. Aí ele me abraçou e tudo voltou ao normal. A minha vida aqui no Abique é muito boa até hoje. E não há pessoa que eu queira um bem maior que ao padre. Ele me chama de ‘nega’. Eu acho tão bonito quando ele me pergunta: ‘Nega, tá tudo em ordem?’ (risos). O que eu puder fazer pelo padre aqui no colégio, eu faço”.

  

 José Carlos Teixeira – Secretário de Cultura

 

“Ele sempre foi um ícone no clero sergipano. Um evangelizador, um educador, mas um grande executivo. Um homem de talento incomensurável. Um homem com estudos extraordinários na formação e na construção de uma política educacional de evangelização, extraordinária. De maneira que o Monsenhor não é apenas um filho de Lagarto que veio fazer seminário em Aracaju. Nunca ficou uma relação mais distante daquilo que representa as aspirações das novas gerações e dos objetivos da Igreja Católica. Ele tem sido um difusor, um entusiasta, uma figura excepcional do ponto de vista da visão dos compromissos da Igreja Católica na atualidade. Eu o conheci através de meu tio Monsenhor Oliveira, e a partir de então se desenvolveu um relacionamento que a gente pode avaliar como extraordinariamente positivo”.

 

Fernando Monteiro – coordenador do Arqui há 24 anos

 

 

“Eu estudei aqui no Arqui entre 1975 e 1981. Naquela época eu fiz os chamados 1º e 2º graus, e me envolvia muito nas coisas do colégio. O contato dos alunos com o padre naquela época era de certa forma maior porque ele tinha condições de se fazer mais presente, com as aulas de religião. Naquela época toda sexta-feira havia uma palestra que ele mesmo conduzia na igreja. O padre falava de orientações para a vida e religião. Em 1982 eu fui chamado para ensinar aqui. Fazia o curso de engenharia e vim ensinar desenho para as turmas de 7ª e 8ª série. Eu tinha contato com alguns professores, como Mitidieri, e houve a saída de um professor no segundo semestre. Foi uma coisa repentina e eles tinham que chamar um professor. Aqui no Arqui é comum os ex-alunos voltarem ao colégio pra ensinar. Aí eu passei a ter um contato mais freqüente com o padre. Eu tinha uma disponibilidade de tempo e me sempre me dediquei a organizar algumas atividades do colégio, como gincanas e excursões. Eu entrei na coordenação do Ensino Fundamental em 1995 e recebi o convite pra substituir Gouveia em 1999. Foi nesse período que meu contato com o padre se estreitou. As reuniões aqui são constantes, e apesar do padre ter uma postura centralizadora nas decisões ele sempre ouve todos. Acredito que o momento mais difícil dentro desses 11 anos de contato com o padre e no colégio foi o acidente com o ônibus de excursão em 2002. Naquela noite eu estava em casa quando recebi um telefonema avisando. Uns 40 minutos depois do acidente eu estava no local. Primeiramente foi o impacto, a incerteza de mortes, foi extremamente traumático. Fui eu que liguei para o padre e avisei do ocorrido. Falei que tudo era muito sério, e indicava que havia pessoas mortas. Como foi por telefone ele pediu pra ir pra lá e passar informações, foi um contato rápido. Depois eu não precisei mais ligar e logo depois quando eu saí do Hospital João Alves ele estava chegando. Ele ficou muito sentido, mas foi muito forte. Para idade dele, e para o trauma que foi, ele se mostrou muito forte. Ele fez questão de entrar no IML e ver os corpos para confortar os parentes e pais. Nos dias posteriores ele ficou muito abalado. Esse foi um momento traumático. Acho que a imprensa, surpreendentemente, provavelmente por causa da figura do Padre Carvalho, agiu com uma imensa prudência na hora de explorar o assunto. É difícil identificar um só momento alegre no padre porque para mim uma das maiores características dele é ser idealista. Ele está fazendo 80 anos e ainda sonha com muitas coisas. Participa das reuniões conosco com o mesmo entusiasmo de dez anos atrás. Sempre sonha com novas conquistas, atribuições e empreendimentos. Ele é muito otimista. Eu lembro da inauguração da unidade Atalaia do Arqui, onde ele estava muito feliz. Nas conquistas de esporte e de vestibular ele sempre vibra muito. Ele fundou o colégio muito cedo, com 34 anos. Então ele abriu mão de muitas coisas pra se dedicar exclusivamente ao colégio. Claro que ele desenvolveu seu sacerdócio aqui, com a igreja onde ele celebra a missa. Mas ele abriu mão de oportunidades, até de estudar fora. Tem uma história que ele conta que Dom Luciano, bispo da época, queria que ele fizesse doutorado em Roma ou na França, e ele entendia que a obra do colégio era mais importante para ele, que iria dar muito mais pra sociedade, e que ele só conseguiria transformar o que é com dedicação total. Acho que o espírito de família do colégio tem muito a ver com a forma que ele conduz esse processo todo. É o perfil dele, de muita fraternidade, de boas relações pessoais.

 

 

Paulo César Santana – assistente de coordenação do Arqui

 

“Ele é muito centralizador no trabalho, mas também dá liberdade e gosta de pessoas com iniciativa. Sempre que a gente percebe que uma coisa não está andando como ele gostaria que estivesse, a gente tenta consertar. Nós gostamos da escola. Todo mundo aqui viu uma parte do crescimento desse colégio. Eu tenho muito que agradecer ao padre. Como eu não tive a presença paterna, o colégio ajudou muito na minha educação. De maneira particular, sempre que precisei dele ele me ajudou, não como diretor em si, mas como homem generoso. Admiro muito as posturas dele. Ele fica indignado com os casais que não têm os valores de família. Nas missas e palestras que ele dá ele sempre fala que as meninas hoje em dia não podem ser subservientes, e sim independentes. Outro ponto é a questão social do colégio, de aceitar de forma integral ou parcial as bolsas de aluno”.

 

 

Maria Ângela Siqueira Dias – 30 anos de Arqui

 

“Eu venci uma maratona estadual em 1976 sobre a vida de Santos Dumont, e o padre me convidou a fazer uma prova de acesso ao colégio. E o Arqui se transformou na minha segunda casa. Nós no início tínhamos mais contato com ele, não só como patrão mas como amigo também. Ele me respeita muito, e eu também respeito ele. Até politicamente, porque ele não tem a mesma ideologia que eu tenho, mas respeita plenamente. Respeita minha presença em sala de aula, pede licença. Fala com alunos sem expor os professores. Ele é altamente ético. Eu nunca o procurei para me aconselhar, mas ele sempre me aconselhou eu sempre fui muito intempestiva, sempre gostei de falar a verdade, e às vezes as pessoas não gostam de ouvir. Ele me dizia que eu tinha que me conter e eu perguntava: ‘O senhor quer que eu fale mentira?’. Ele respondia: ‘Não, não quero que você minta. Mas as pessoas se acostumaram com relações hipócritas, e pra conviver de forma equilibrada é necessário omitir determinadas coisas’. Ele me possibilitou ter mais maturidade, porque eu entrei aqui com 19 anos, muito imatura. Eu passei a me controlar e amadureci com o apoio dele”.

 

 

Luís Antônio Barreto – Historiador

 

 

“Eu tenho uma admiração e acompanho de algum modo o trabalho educacional dele. Tivemos oportunidade quando eu era secretário de Educação de Aracaju, e depois de Sergipe, de conviver com ele, de tratar das questões de Educação, ele como conselheiro ou como diretor do colégio Sagrado Coração de Jesus. E tem uma particularidade: ele é da minha terra, Lagarto. Acho agora que ele está dando uma contribuição formidável para o conhecimento da história de Sergipe”.

 

 

 

Depoimento de Ben-Hur de Assis Correia – ex-aluno do Arquidiocesano e estagiário de Jornalismo responsável pela matéria especial do Monsenhor Carvalho no Portal Infonet.

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