Deputado Wanderlê contesta argumentos da Eletronuclear

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Ao tomar conhecimento da nota encaminhada ao Portal Infonet pela assessora da presidência da Eletronuclear, Glória Alvarez, em 08/11/2007, publicada na seção Debate, o deputado estadual Wanderlê Correia entrou em contato com a redação para solicitar o direito de réplica, em virtude da sua discordância com os argumentos apresentados. Segue o texto do parlamentar:

“Parabenizando mais uma vez o Portal Infonet pela excelente iniciativa de propiciar, democraticamente, o debate público a respeito de temas tão importantes como o da energia nuclear, apresento a seguir algumas informações que considero de fundamental importância para o esclarecimento da questão, em razão de argumentos colocados pela Srª. Glória Alvarez (Eletronuclear), dos quais discordamos frontalmente:

A assessora da Eletronuclear afirma que a “desejável” expansão da contribuição de outras fontes renováveis de energia (eólica, solar e biomassa), não contribuiria para redução da necessidade da 
complementação térmica porque as mesmas dependem de ciclos da natureza. Ora, não se trata de algo desejável, mas de uma opção estratégica, sim. E todos nós sabemos que as características 
geográficas naturais do Brasil garantem sol e vento praticamente o ano inteiro, além do fato de que o país é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo.

Quando se refere ao contexto mundial, a Srª. Alvarez se concentra em países como a França, que não possui outras alternativas energéticas; EUA, que boicotou o Protocolo de Kyoto e é um dos maiores poluidores do planeta, junto com China e Rússia (também destacados na nota). Mas esquece de registrar que países desenvolvidos como Suécia, Bélgica, Holanda, Itália, Reino Unido e Espanha estão abolindo as usinas nucleares. E principalmente o caso da Alemanha, que sempre orientou o 
projeto nuclear brasileiro, já decidiu que até 2021 desativará todas as suas 17 usinas ainda existentes, e está se tornando uma potência mundial em energia eólica, com perspectiva de produção superior a 150 mil megawatts até 2012.

Em relação ao aspecto da “limpeza”, faz-se necessário destacar que desde a mineração do urânio (matéria-prima da energia nuclear) até a desativação das usinas, as centrais nucleares emitem cerca de 50% a mais de gases de efeito estufa do que a energia eólica, por exemplo. E quanto à segurança, há um ponto que consideramos crucial: até hoje não se descobriu realmente o que fazer com o lixo atômico, ou seja, tudo tem que ser retirado e acondicionado em depósitos, lembrando que  alguns elementos radioativos residuais chegam a durar milhares de anos.

Quando afirmamos, finalmente, que a energia nuclear é incompatível com a vida, estamos refletindo exatamente sobre o fato de que a vida no planeta Terra só foi possível quando a própria natureza, ao longo de milhões de anos, conseguiu expulsar da atmosfera essas substâncias maléficas que a produção de energia nuclear gera. Para efeito ilustrativo, basta lembrar, também, o fato de que a energia nuclear foi concebida com fins meramente bélicos, tendo os episódios de Hiroshima e Nagasaki (Japão, 1945) como a primeira grande demonstração da sua “eficácia”.

PS.: Para maiores esclarecimentos sobre as dezenas de acidentes nucleares dos últimos 50 anos, inclusive o da maior usina nuclear existente na atualidade, Kashiwasaki (Japão), ocorrido em julho de 
2007, que provocou a recomendação do seu fechamento por renomados cientistas da Universidade de Tóquio, acessar nosso site“;

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