Despejados do Marivan permanecem em condições precárias

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Chuvas nos últimos dias piorou as condições da rua no local (Foto: Portal Infonet) 

Prestes a completar dois meses desde que executada a reintegração de posse de um terreno no loteamento Marivan, no bairro Santa Maria, zona Sul de Aracaju, as 68 famílias que tiveram suas casas derrubadas permanecem na rua lateral à propriedade, em péssimas condições de higiene – agravadas com as fortes chuvas que caíram em Aracaju nos últimos dias. Sem qualquer auxílio financeiro do Poder Público, algumas famílias têm dificuldade para se alimentar, sofrem com doenças e até caramujos dentro dos barracos improvisados.

“Meu filho ficou internado três dias e foi diagnosticado com anemia congênita. Mas nessa situação não vai melhorar nunca. A Prefeitura tinha dito que mandaria agentes de saúde, mas ninguém nunca viu sinal”, reclama Irailde Maria, mostrando as condições da sua casa, encharcada pela lama das últimas chuvas. O uso do banheiro também é um problema na comunidade. Como os barracos não têm estrutura, as pessoas utilizam uma casa abandonada para as necessidades básicas.

Quando despejados do terreno, os moradores pleitearam junto à Prefeitura o ressarcimento dos danos provocados pela reintegração de posse e ajuda com alimentação. De lá para cá, segundo uma das moradoras ocupadas, eles receberam apenas uma cesta básica como assistência. “Quem nos ajuda mesmo são os moradores aqui das redondezas, ou as igrejas. Mas tem mãe precisando de fralda, leite, e até o que comer em casa”, afirma Maria Aparecida.

Casa de Irailde tem muita lama, péssimas condições para o filho, que já está doente 

Irailde na bronca com a falta de assistência

Assistencia Social 

A assessoria da Assietencia Social esclareceu que após o despejo, a Prefeitura de Aracaju, através da secretaria municipal da Assistência Social se colocou a disposição do grupo, bem como as equipes da Assistência Social visitaram o local e buscaram dialogar com o grupo sobre a necessidade da realização do cadastro das famílias, mas apenas durante uma reunião ocorrida no dia 25 de julho, o cadastramento foi aceito pelos representantes do grupo.

No cadastramento, realizado após a reunião, a equipe da Assistência Social identificou 70 famílias aptas ao recebimento de cestas básicas. A distribuição das cestas de alimentos ocorreu no período de 28 de julho a 11 de agosto.

O processo para a entrega da segunda cesta para as famílias ainda não foi iniciado devido ao fato de quatro famílias não terem comparecido nos dias das entregas, nem terem procurado o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) do bairro Santa Maria para a retirada dos mantimentos. Com isso, a prestação de contas que possibilita a reabertura do processo para a entrega de uma nova remessa de alimentos foi prejudicada. Diante da situação, a Assistência tem buscado alternativas legais para encerrar a prestação de contas do primeiro mês com o quantitativo de 66 famílias beneficiadas e realizar o fornecimento da segunda cesta básica ainda na primeira quinzena de setembro.

No tocante às questões referentes a auxílio moradia não houve tratativas, pois na ocasião da reunião a representação do grupo informou que as pessoas haviam acordado permanecer no local lutando por seus direitos, especialmente no que se refere ao ressarcimento dos investimentos que haviam feito para a construção de suas moradias e plantio de hortas. A Secretaria lembra ainda que a reintegração de posse foi feita em favor de um particular e que não foi convocada antecipadamente pelos órgãos competentes para acompanhar o processo, ficando à disposição para os encaminhamentos posteriores ao fato.

Quanto à necessidade de acompanhamento médico, a  secretaria municipal da saúde orienta que as pessoas procurem a unidade básica de Saúde mais próxima para que sejam realizados os atendimentos e encaminhamentos necessários.

*A matéria foi alterada às 17h03 para acréscimo de nota da Assistência Social 

Por Ícaro Novaes

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