Dom Távora completaria 100 anos nesta segunda

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Nesta segunda-feira, 19, Dom José Vicente Távora, conhecido como o “Bispo dos Pobres”, ou como ele mesmo se considerava como “o Bispo dos Operários”, completaria 100 anos. 

Pernambucano do interior, município de Orobó, nascido em 1910, ele contribuiu muito com a história do povo brasileiro, principalmente a dos pobres. Essa foi sua opção pastoral desde o início do seu ministério sacerdotal na Diocese de Nazaré da Mata: estar a serviço de todos, mas preferencialmente dos pobres trabalhadores da cana na região da Zona da Mata pernambucana.

Seu compromisso com os pobres o levou a aceitar o convite do Cardeal do Rio de Janeiro para trabalhar juntos aos excluídos da então Capital Federal. Lá se encontrou com o Pe. Helder Câmara, cearense, também envolvido com as mesmas causas. Eram tão irmãos, tão unidos, que um chamava o outro de “Eu”. Os três estruturaram a Ação Católica, a CNBB, a Cáritas Brasileira, etc. 

Ele chegou a Sergipe em março de 1958 para suceder a Dom Fernando Gomes. Naquele tempo a Diocese de Aracaju que correspondia a todo o Estado de Sergipe era composta por mais de 70 % de analfabetos e por uma população muito pobre.

Desde o tempo em que morava no Rio de Janeiro, juntamente com Dom Helder Câmara, não se cansou em participar das articulações dos bispos brasileiros em busca de soluções de combate à pobreza e ao analfabetismo no Nordeste.  Estando em Aracaju continuou sua dedicação incansável na busca de soluções contra a miséria e a fome. 

Conseguiu apoio dos bispos e recursos do governo federal para erradicar o analfabetismo através do MEB (Movimento de Educação de Base). A Rádio Cultura de Sergipe servia transmitir as aulas e animar os trabalhadores rurais a se organizarem seus sindicatos. Foi a partir do MEB que surgiram as articulações dos trabalhadores rurais para a criação dos primeiros sindicatos dos trabalhadores rurais e a Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado de Sergipe (FETASE).

Durante sua vida pastoral sempre estimulou a luta pela Reforma Agrária em todo o país para se praticar a justiça social no campo. E para assessorar a produção dos pequenos agricultores incentivou a criação da ANCAR (a DEAGRO de hoje). Para cuidar dos imigrantes e pobres abandonados na capital sergipana fortaleceu o SAME (Serviço de Assistência à Mendicância). Para cuidar das domésticas criou a Casa da Doméstica e estruturou grupos de convivência com as prostitutas da capital. Para os desempregados da capital juntou-se aos empresários para trazer indústrias a fim de gerar emprego e renda (foi o caso da Fábrica de Cimento).

Não era homem de viver correndo atrás de glórias, mas buscava ser fiel à sua missão de pastor no cuidado com suas ovelhas. Enfrentou desafios de cabeça erguida, desde problemas com o governo Lacerda que acusou o MEB de comunismo como também com o próprio regime militar que o prendeu em sua própria residência.

No tempo da ditadura militar sofreu muito ao ver seu próprio clero dividido – bispo auxiliar e padres – e seus colaboradores diretos ligados ao MEB, a Rádio Cultura e a Ação Católica serem presos e perseguidos. Estas tensões o levou a sofrer o 3º enfarto, aos 59 anos de idade, na madrugada do dia 3 de abril de 1970.

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