“Eleições na terra do Tio Sam”, por José Souza

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As eleições nos Estados Unidos colocam na ordem do dia o debate sobre a democracia. É um tema bastante antigo. Sua origem vem da velha Grécia. Antes de entrar na análise das eleições dos americanos do Norte, retomo com brevidade, ao tema da democracia.

Limitar o conceito à questão eleitoral seria simplificar a discussão. Ele é mais amplo, embora alguns só consigam enxergá-lo vinculado às eleições. No círculo político e acadêmico, o tema divide opiniões. Uns consideram que a democracia é um valor universal. Outros conceituam como valor histórico. Na Grécia Antiga, o voto era assegurado somente aos cidadãos. Os soldados, as mulheres e os escravos não tinham o direito do sufrágio.


Os Estados Unidos, assim como Roma no passado, hoje pousam de campeões da democracia. Mas, como diz o ditado, “o critério da verdade é a prática”. As eleições para escolher o presidente da maior potência econômica e militar do planeta em 2000 foram uma lição da democracia como um valor histórico.

 

Naquele ano, o peculiar sistema eleitoral dos americanos ganhou relevância quando mostrou ao mundo sua anomalia, quando comparado com outras democracias, dando vitória ao candidato menos votado: Bush, segundo a contagem final, teve 543.895 votos a menos que seu concorrente Al Gore e, no entanto, foi proclamado como o grande vencedor.

 

Lá nem sempre prevalece à vontade da maioria dos eleitores. Ou seja, o candidato que obtém o maior número de votos, necessariamente não é o eleito. Isso porque lá funciona um anacrônico colégio eleitoral.

 

O sistema político dos EUA é fruto da Revolução Americana de 1775/1783, da Declaração de Independência e dos Direitos do Homem (1786) e da Constituinte de 1787. Praticamente intacto desde sua elaboração. Em 1951 sofre a 22ª Emenda que disciplinou o instituto da reeleição. Como em 2000, as regras serão as mesmas nas eleições de 02 de novembro. 

 

Os americanos aceitam essas normas. Está escrito em sua Constituição. É um problema deles. Está dando certo lá. Eles continuam sendo a nação mais desenvolvida do mundo. A lista de vantagens em favor deles, garantidas com base em sua cultura, sua tradição é com certeza muito grande, mas essas diferenças não estão isentas de observações.

 

Como se vê não existe democracia perfeita. As eleições de novembro na terra do Tio Sam que o digam. Ali acontece de tudo que ocorre em diversos lugares do mundo ditos subdesenvolvidos. Como em 2000, também agora o processo se dá sob uma guerra de ataques e acusações de fraudes e outros expedientes. De emblemático mesmo fica o exemplo de que o candidato mais votado nas urnas pode não ser o vitorioso.

 

Quem sabe depois dessa lição os Estados Unidos passem a respeitar a cultura, a tradição dos outros povos, independente de onde estejam. Seja em Cuba, na China, no Vietnã, no Afeganistão ou no Iraque. Porque democracia é, sobretudo, um valor histórico.

 

* José Souza é presidente do PCdoB de Aracaju

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