Engavetamento: inquérito aponta falha em airbag no veículo da vítima

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O acidente ocorreu no dia 20 de janeiro, na Orla de Atalaia (Foto enviada por internauta ao Portal Infonet)

A Delegacia Especial de Delitos de Trânsito (DEDT), em parceria com o Instituto de Criminalística (IC), concluiu o inquérito sobre o acidente que vitimou Plínio Lobato no dia 20 de janeiro, na Orla de Atalaia. O laudo final apontou que a morte do condutor foi causada por uma falha no airbag do veículo de modelo Celta, conduzido pela vítima, registrando a primeira ocorrência desse tipo de acidente com vítima fatal no Brasil.

Numa coletiva realizada na manhã desta quarta-feira, 15, a delegada Daniela Lima ressaltou que o acidente investigado não teria causado a morte do condutor. “O exame encontrou um fragmento de metal que foi crucial para esclarecer o que estava acontecendo. Houve sim um acidente de trânsito, mas a morte da vítima foi gerada pela falha de um equipamento de segurança do carro”, disse.

Como parte das investigações, as pessoas presentes na cena do acidente relataram que, enquanto as demais vítimas saíram ilesas do veículo que colidiu com o Celta, a vítima fatal sofreu uma hemorragia antes mesmo de ser socorrida. De acordo com o laudo pericial, a ruptura do insuflador do airbag fez com que estilhaços metálicos fossem arremessados para o compartimento interno do veículo, vitimando fatalmente Plínio Lobato.

A delegada informou ainda que o inquérito termina sem indiciamento, considerando que a morte causada no acidente é de responsabilidade da empresa que produziu o equipamento de segurança. “A responsabilidade penal das pessoas jurídicas é uma exceção no Brasil e esse caso não está incluído nas exceções. Com o laudo maduro e claro, valia a pena encerrarmos o laudo para que os advogados pudessem trabalhar pelos danos causados à afamilia”, explica.

O perito criminal Luciano Homem, que também esteve presente na coletiva, reforçou os fatores que possibilitaram a conclusão do inquérito. “Foi um acidente relativamente simples e que causou estranheza devido à presença de uma vítima fatal. Ainda no local foi identificado que no conjunto do airbag havia sinal de rompimento de uma das peças, mas poucos danos materiais em ambos os veículos”, afirmou.

Primeira acidente com vítima fatal no Brasil 

Durante o levantamento realizado pelo perito Luciano Tadeu, foram constatadas 40 ocorrências de rompimento do insuflador no Brasil, sendo 39 automóveis da empresa Honda, 16 feridos, uma morte em janeiro de 2020 em Sergipe, ocasionada pelo acidente do inquérito, e uma morte sete dias depois, no Rio de Janeiro.

Considerando esses números, o perito pede um cuidado maior para as empresas que produzem equipamentos de segurança. “Já que o componente só se tornou obrigatório por aqui em 2014, essa pode ser a razão pela qual ainda não temos tantas ocorrências no Brasil. Isso indica a possibilidade de que carros que não forem consertados podem vir a explodir em um futuro próximo, como já está acontecendo”, ressalta.

por Juliana Melo e Raquel Almeida

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