Especialista fala dos riscos de mancha no rio para SE

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Fornecimento pode ser afetado casa haja deslocamento da mancha para área em Sergipe (Foto: Ascom/IMA)

A mancha escura no Rio São Francisco pode trazer sérios prejuízos a população de Aracaju e da região do Baixo São Francisco. É o que revela o geólogo e pesquisador do Laboratório GeoRiomar da UFS, Luiz Carlos Fontes, ao falar da tentativa dos diversos órgãos de deslocar a mancha até o foz do Velho Chico. O pesquisador aponta ainda que a redução da vazão nas barragens praticadas pelo setor elétrico na tentativa de gerar mais energia elétrica é a principal causa do problema.

Entre os dias 2 e 8 de maio, a Chesf ampliou a vazão do Rio São Francisco na tentativa de diluir a mancha. A medida não surtiu efeito e de acordo com a própria companhia, a mancha permaneceu estável. Já Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) informou que a medida provocou o deslocamento da mancha para a encosta, destacando os prejuízos ao fornecimento de água da população da área, e informando, com base na Companhia de Abastecimento de Alagoas (Casal), que durante a vazão ampliada do rio, a água melhora e após a diminuição, o líquido fica escuro e com um cheiro forte.

De acordo com Luiz Carlos Fontes, o problema pode atingir Sergipe caso a mancha seja deslocada para uma área onde haja captação de água por parte da Deso e, também, para as regiões que abastecem as comunidades ribeirinhas.

“Essas algas são tóxicas. Elas consomem o oxigênio da água e os peixes não conseguem viver nessas condições. A água se torna imprópria para o consumo humano e até mesmo para a irrigação. Temos várias adutoras que captam água do Rio São Francisco, e se isso, acontecer, mesmo passando por tratamento, essa água pode ser prejudicial a saúde humana”, revela.

O Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco entende que a mancha é causada pela microalga Dinoflagelado, que teria surgido após a liberação de sedimentos de uma barragem da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). A operadora discorda desta versão e explica que entre os fatores causadores estão os de nutrientes oriundos de esgotos e lavagem do solo pelas chuvas ocasionais, além de condições climáticas e ambientais.

O pesquisador concorda com a primeira tese apontando que nos últimos três anos, o setor elétrico vem praticando vazões reduzidas na tentativa de gerar mais energia elétrica, fator que teria provocado a proliferação das algas nesses ambientes. “O setor elétrico tem culpa porque reduz a vazão para segurar águas nos reservatórios. Isso prejudica o Baixo São Francisco. Desde 1970, que pesquiso o Rio São Francisco e nunca houve essa mancha. Isso é consequência da baixa vazão. Eles indiretamente induziram a formação dessas algas”, opina.

Ainda de acordo com o geólogo, a mancha no Velho Chico e os problemas com a queda da adutora servem de alerta para a importância do rio. "A população está tendo oportunidade de tomar consciência do quanto dependemos do Rio São Francisco. Há uma ameaça e vejo que as autoridades não estão alertando a população para isso", alerta.

O presidente da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), Carlos Fernandes de Melo, disse em entrevista recente ao Portal Infonet que a mancha ainda não atingiu Sergipe e a área onde é feita a captação de água para os sergipanos. "Para Sergipe não há comprometimento porque a mancha está na região de Delmiro Gouveia, em Alagoas, e a gente capta água a partir de Xingó. A mancha não se dissipou, mas para Sergipe isso foi benéfico porque ela ficou estagnada, quando poderia vir para cá”, revelou.

Por Verlane Estácio

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