Especialistas identificam 42 espécies de peixes no Vaza Barris

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Estudo foi realizado no Rio Vaza Barris (Fotos: divulgação)

Investigadores do Instituto do Mar de Portugal (IMAR) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) identificaram 42 espécies de peixes no rio Vaza Barris, em Sergipe. De acordo com Régis Souza Santos, um dos integrantes do grupo de pesquisadores, trata-se de um estudo pioneiro, que destaca o rio Vaza Barris como um importante berçário natural para espécies de peixes.

Estudo feito por especialistas é pioneiro

Mas há fatores preocupantes que podem ameaçar aquele berçário natural. O pesquisador faz um alerta e observa a necessidade de se criar estratégias para a preservação ambiental na região. “Com o crescimento das atividades turísticas e especulação imobiliária na região nos últimos anos, é de extrema importância o desenvolvimento de estratégias para preservar o estado ambiental do Vaza Barris a níveis sustentáveis”, diz. “Somente assim, podemos garantir que o estuário continue desempenhando a função de berçário natural para as populações de peixes locais”, alerta.

Estes investigadores concluíram que o complexo estuarino é de extrema importância para o crescimento e manutenção de espécies de peixes. “Analisamos durante um ano a dinâmica das fases iniciais de peixes (ovos e larvas) ao longo de toda a zona estuarina do Vaza Barris e pudemos identificar ao menos 42 espécies, incluindo novos registros para o Estado de Sergipe”, diz o pesquisador.

Fases iniciais de peixes (ovos e larvas) ao longo de toda a zona estuarina do Vaza Barris foram analisadas

Para Régis Santos, a grande vantagem de se estudar o ictioplâncton (termo utilizado para designar os ovos e larvas de peixes) é que além das amostragens serem relativamente mais simples e baratas, eles podem ser utilizados em estimativas das abundâncias das populações de espécies com interesse econômico, na delimitação de áreas de desova e crescimento e também como bioindicadores de impactos humanos, incluindo alterações climáticas.

Segundo Régis Santos, o estudo foi publicado recentemente na revista científica internacional Fisheries Oceanography e se destaca como o primeiro trabalho deste tipo conduzido no Estado de Sergipe. “Além de preencher esta lacuna no conhecimento, o estudo revela que o complexo estuarino do Vaza Barris apresenta um bom estado ecológico e que tem grande relevância como área de postura e crescimento para várias espécies”, diz.

Em média, conforme o pesquisador, foi observada uma concentração de 685 ovos e 56 larvas por 100 m3. Esta concentração, de acordo com o pesquisador, varia em função do local e época do ano. Ele observa que cada espécie tem sua época e área de desova diretamente relacionadas às condições ambientais e características da água, e encontram nos estuários as condições ideais para a reprodução e sobrevivência destes estágios de desenvolvimento bastante vulneráveis.

por Cássia Santana

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