Estudantes levarão ajuda humanitária ao Santa Maria

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Após treinamento de dois meses, grupo busca voluntários para intervenção
Moradores do bairro Santa Maria, na zona sul da capital, serão o primeiro público atendido por voluntários do ‘Projeto de Ajuda Humanitário’. A iniciativa tem como propósito trabalhar a conscientização na reivindicação de direitos ao Poder Público, bem como resgatar a auto-estima de uma região que carrega o estigma da violência.

Coordenado pelo carioca Francisco de Almeida, egresso da Cruz vermelha, que já realizou atividades semelhantes em boa parte do Brasil, o projeto busca agora voluntários para se unirem à causa. Já existem duas equipes, formadas por quatro universitários cada, que liderarão os trabalhos, buscando novos participantes em escolas e faculdades de Aracaju. “Queremos atingir de 500 a 2 mil famílias e levar para elas a noção de como melhorar de vida exercendo a cidadania onde vivem”, explica Francisco.

Saneamento Básico é uma das principais queixas dos moradores
Isso será possível porque o grupo levará informações de como os moradores podem cobrar do Poder Público que supram suas carências em termos de serviços como saúde, segurança e educação. “Fizemos, inclusive, um mapeamento da área para saber quais eram as carências. Segurança e saneamento são os principais problemas da comunidade”, conta Fábio Henrique Peixoto, líder de uma das equipes.

Como os integrantes dos dois grupos são estudantes da área de saúde, ele explica que esse será o foco principal do trabalho com a população, que receberá atendimento gratuito em uma série de modalidades. “O conceito de ajuda humanitária engloba muito mais, por isso, quando a intervenção acabar, nós queremos que esse trabalho continue no Santa Maria e também queremos levá-lo para outros bairros”, acrescenta Fábio. Do dia 12 de abril até o dia 2 de maio todos os participantes do projeto estarão realizando o trabalho, que também englobará visitas às residências.

Estudantes fizeram levantamento sobre o bairro para atuação
Segurança e policiamento

Francisco Almeida, idealizador do projeto, revela que as ações focarão o resgate da auto-estima da comunidade. Principalmente no quesito violência, pois o grupo contará com apoio da Polícia Militar que aplicará um questionário para avaliar o policiamento na área. “É necessário acabar com essa ‘lenda urbana’ que caracteriza o bairro Santa Maria. A realidade local não corresponde em proporção à violência que é passada para a sociedade”, constata o carioca.

Ele acrescenta, ainda, que com as atividades do projeto será possível ter um raio-x dos outros problemas que o Santa Maria possui e, assim, encaminhar os dados para os órgãos competentes. “É importante ressaltar que não se trata de nenhuma ação assistencialista. Até porque é mais interessante, por exemplo, encaminhar o desempregado a uma fila de emprego do que doar uma cesta básica”, explica.

“Nós entendemos que isso caberia ao Poder Público, porque os recursos existem, mas precisam ser distribuídos para que haja melhorias. O Santa Maria é muito melhor hoje que há dez anos”, diz o estudante Fábio Peixoto.

A participação voluntária no projeto é aberta a qualquer pessoa com idade mínima de 14 anos. Mas aos menores de 18 anos será necessária a autorização dos responsáveis. Francisco estima que até 50 voluntários participem das atividades. Os interessados devem enviar um e-mail para aph_resgate@yahoo.com.br.

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