Famílias do Motu desocupam terreno em Nossa Senhora do Socorro

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Famílias deixam o local após dez dias de ocupação (Fotos: Portal Infonet)
Começou na manhã desta segunda-feira, 17, a retirada das famílias do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu) que ocupavam uma área no conjunto Albano Franco, em Nossa Senhora do Socorro, desde o dia 6 de janeiro. A operação contou com equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Polícia Civil e atendeu à liminar que garantiu a reintegração de posse do terreno à Companhia Estadual de Obras e Habitação (Cehop).

As famílias do local reclamaram do pouco prazo que tiveram para a desmontagem dos barracos e da presença de policiais no local. “Não está sendo nada tranqüila essa desocupação. Deram apenas duas horas para retirar as coisas, mas não estão esperando. Também não somos bandidos para trazerem policiais. Estamos apenas reivindicando moradias”, protestava uma moradora que não quis ser identificada. No momento em que ela reclamava um trator retirava o que restou dos barracos desmontados.

Os moradores reclamaram do prazo para recolher os materiais
Algumas famílias chegaram a queimar os barracos em sinal de protesto, mas os integrantes da direção do movimento comentaram que essa não foi a orientação repassada. “Quem está fazendo isso é um grupo à parte que quer desestabilizar o movimento. Pedimos apenas que as famílias organizassem suas coisas”, explicou Edvaldo Gaspar, um dos representantes do Motu.

Ele foi um dos que integrou o grupo que se reuniu com o secretário de Articulação Política, Chico Buchinho (PT) para negociar as reivindicações do grupo, que além de exigir a inserção dos ocupantes em um cadastro para receber moradias populares, pediu que fosse destinada uma área onde todos pudessem se instalar até receberem as casas.

Edvaldo diz que as famílias lutam por moradia
“O direito à moradia é constitucional. Essas famílias estão aqui porque não têm condições de pagar aluguel. Queremos que o poder público se sensibilize. Vamos acatar a ordem judicial, mas precisamos ter garantias” acrescentou Edvaldo Gaspar. Segundo ele 1.520 famílias encontram-se no local e com a saída da área não têm para onde ir. “Só falta a decisão dos órgãos responsáveis”, ressaltou.

O secretário Chico Buchinho disse a intenção do Governo é solicitar à Prefeitura Municipal de Nossa Senhora do Socorro que essas famílias sejam cadastradas para programas de habitação e que elas recebam prioridade na entrega das casas do conjunto habitacional que será construído nessa mesma área. “Vamos observar quem realmente necessita da moradia e ver a possibilidade de essas pessoas terem prioridade. Esse cadastro pode começar ainda hoje”, explicou.

Secretário de Articulação reuniu os integrantes do Motu para negociação
Buchinho disse, por outro lado, que não há nenhuma área disponível para que essas famílias se instalem até serem atendidas. “Não há terreno disponível justamente porque nos espaços disponíveis é que serão construídos os conjuntos habitacionais”, acrescentou.

A Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social (Seides), que enviou uma equipe de assistentes sociais para o local, confirmou que a Prefeitura daquele município se responsabilizará pelo cadastro.

O secretário de Comunicação da Prefeitura Municipal de Nossa Senhora do Socorro, André Carvalho, refutou o posicionamento da Seides. Ele disse que a Prefeitura não pode se responsabilizar pelo cadastro porque não há no Município terrenos disponíveis para construir conjuntos habitacionais e destiná-los a essas famílias. “Não vamos criar expectativas. O Governo é que deve fazer esse cadastro, pois essa área que eles ocuparam pertence ao Estado”, declarou.

Por Diógenes de Souza

*Matéria atualizada às 13h01 para acréscimo do posicionamento da Prefeitura Municipal de Nossa Senhora do Socorro

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