Famílias irregulares ainda não deixaram suas casas

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Uma parte dos moradores veio a Aracaju tentar resolver o problema
“Decisão judicial não se discute, se cumpre”, disse o prefeito de Brejo Grande, Carlos Augusto Ferreira, sobre o prazo dado pela Justiça para que 68 famílias do município deixassem as casas invadidas há cerca de dois meses. As residências, construídas por meio de parceria entre a prefeitura e a Caixa Econômica Federal, deveriam ser distribuídas entre populares cadastrados através de sorteio, mas, ainda inacabadas, foram ocupadas por pessoas que alegam não ter onde morar.

Segundo a desempregada Vanuzia Oliveira, uma das moradoras irregulares, após ver sua casa destruída pela chuva, ela e sua família foram levadas para um abrigo que funcionava numa maternidade desativada. Dois anos depois, o prédio teve que ser evacuado para que se construísse uma escola, e então, as famílias que lá moravam passaram a viver em casas alugadas pela administração municipal de Brejo Grande.

“A prefeitura pagava o aluguel alguns meses, outros não, por isso nós fomos despejados das casas. Para não passar necessidade com meus filhos, mandei quatro deles morarem com os avós e fiquei só com um. Recebo R$ 82 do bolsa-família e não tenho condições de construir outra casa ou pagar aluguel. Por isso resolvi invadir junto com outras pessoas o conjunto residencial, e se realmente houver o despejo não vou ter para onde ir”, conta Vanuzia.

O prefeito Carlos Ferreira rebate a declaração da moradora, e afirma que a prefeitura ainda cobre o aluguel de algumas residências que abrigam pessoas de baixa renda. “Além do mais, nós ainda disponibilizamos alguns prédios para essas pessoas. Essa é uma história fantasiosa. A prefeitura mantém o compromisso firmado com a população”, afirma Carlos Ferreira.

Segundo ele, os populares estão sendo estimulados por líderes de oposição a criar essas histórias e divulgar para a imprensa, como uma forma de justificar a invasão do conjunto residencial. “A oposição quer instaurar o caos, desestabilizar nossa gestão e me desestimular enquanto prefeito. Eles querem passar a idéia de que nós somos irresponsáveis com o povo”, declara o prefeito.

Último dia

Após algumas audiências no Ministério Público entre líderes comunitários e representantes da prefeitura de Brejo Grande, esta quinta-feira, 6, seria o prazo final para que as famílias se retirassem das casas do conjunto residencial. No entanto, os moradores ouvidos pela Portal Infonet disseram que não ter recebido nenhuma ordem de despejo. “Policiais militares estiveram hoje na comunidade, mas falaram que não vamos precisar sair ainda”, afirmou um dos populares, que prefere não ser identificado.

Deputada Ana Lúcia diz que essas pessoas precisam de ajuda
O prefeito Carlos Ferreira também desconhece qualquer ordem de despejo. “Passei o dia em reuniões e não recebi nenhuma notícia de lá”, assegura o prefeito, se referindo aos conjuntos residenciais que ficam localizados na sede do município e em mais dois povoados.

Apoio dos deputados

Na luta para permanecerem nas residências pelo menos até o impasse ser resolvido, os moradores irregulares não estão sozinhos. No final da tarde desta quinta-feira, a deputada Estadual (PT) Ana Lúcia e o deputado Federal Iran Barbosa (PT) estiveram no Tribunal de Justiça para tentar resolver o problema dessas famílias. “Precisamos de uma solução para essas pessoas. Elas estão em uma situação de muita vulnerabilidade”, afirma a deputada Ana Lúcia.

Por Helmo Goes

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