Feiras itinerantes “invadem” centro comercial

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Quem já precisou ficar até às 18h no centro da cidade presenciou uma grande mudança no comércio. É na hora que as portas dos estabelecimentos comerciais se fecham que as
carrocinhas de frutas, verduras e legumes chegam ao calçadão da João Pessoa e em frente ao terminal de ônibus Governador Luiz Garcia, conhecido como Rodoviária Velha.

“Aqui é de onde tiro o sustento da família”, diz
Apelidadas de feiras da noite, as carroças que vêm do mercado atendem não só a clientela do comércio, mas principalmente os funcionários das lojas locais.

“Eu trabalho numa perfumaria de segunda a sábado e quando chega domingo quero descansar. Esta feirinha foi uma benção, pois saio do trabalho, compro o que necessito e vou para casa. Caso contrário, teria que ir à feira no domingo, dia em que descanso”, diz Maria Souza Fontes, comerciária.

A feira começou timidamente com uma barraquinha há 6 anos. É assim que conta Luiz Carlos da Silva ao relatar que foi o primeiro a ‘estacionar’ o carrinho na esquina do INSS, próximo ao terminal de ônibus. “Eu estava sem emprego e comecei a trazer as frutas do Ceasa para comercializar aqui. As vendas foram boas e assim continuei”, diz.

 

Sustentando a família com as vendas da feira, Luiz Silva comenta que hoje a concorrência aumentou muito e que o lucro caiu, mas entende que as famílias necessitam ganhar o sustento. “Cada um tem o seu diferencial. Acredito que o meu é o bom atendimento. Estou sempre de bom humor. Se eu tiver alguma raiva deixo em casa”, comenta ele, acrescentando que é uma forma de levar a mercadoria ao cliente.

 

Os feirantes compram as frutas mais em conta no Ceasa por volta das 17h e vêm em “comitiva” pelas ruas do Centro da cidade. Não é difícil encontrar alguns carrinhos aguardando nas ruas adjacentes chegar às 18h para irem aos pontos de vendas.

“Ficamos nas ruas de trás, como Lagarto e Divina Pastora. Não queremos atrapalhar o comércio e nem arrumar bronca com a fiscalização”, diz Antônio Souza, outro comerciante.

 

Bons preços e mercadorias

Os preços das mercadorias são compatíveis com o do mercado central, pois os ‘repassadores’ conseguem comprar mais em conta no Ceasa. As frutas chamam atenção pela beleza e pode-se encontrar de tudo que está na época. “Mangaba, mamão, maracaju, manga e até o morango, que tem o preço mais alto, tem boa saída”, comenta.

 

O comércio inicia por volta das 18h e termina às 21h nos dias da semana, mas nos sábados e domingos começa por volta de 13h e vai até às 20h. “Nós não atrapalhamos as margaridas, antes delas chegarem para limpar procuramos já ter saído do local. E até contratamos um segurança para ficar aqui durante a noite”, conta o feirante.

 

Além de fruta, o cliente também encontra legumes, verduras, inhame, macaxeira, amendoim, queijos e afins.

 

Ilegal, mas “legal”

De acordo com o assessor de Comunicação da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Helber Andrade, os carrinhos que se juntam nos calçadões depois do expediente comercial não fazem uma feira constituída. “Até o momento não tivemos reclamações. E a princípio não vemos maiores problemas”, explica ele, comentando que os carrinhos ficam no comércio por pouco tempo.

 

“A nossa fiscalização fica até umas 17h30. Na hora que eles chegam as lojas estão fechadas e não atrapalham ninguém. Esteticamente é feio, mas os próprios comerciantes vêem com bons olhos e eles estão trabalhando para seu sustento”, diz Andrade.

 

Por Raquel Almeida

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