Homofobia é uma realidade nas escolas

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Jovens sofrem com preconceito nos corredores e salas de aula
‘Chacotas’, ‘resenhas’, ‘mangação’, ‘tiração de onda’. Esses são problemas que fazem parte da realidade enfrentada nas salas de aula e corredores das escolas por jovens que estão se descobrindo homossexuais. Diante disso, muitos chegam a desistir da escola ou apresentam baixo rendimento.

Muitos dos que praticam tal violência contra esses jovens não têm consciência do mal que podem estar causando. “A gente tira onda, não deixa passar. Mas é brincadeira leve, não vai afetar. Tem até professor que entra na onda”, conta o estudante Denis Mendes, aluno do Ensino Médio de uma escola pública da capital.

De acordo com pesquisa nacional divulgada pela 

Dênis acredita que é brincadeira leve e não vai afetar
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), nas escolas públicas brasileiras, 87% da comunidade – sejam alunos, pais, professores ou servidores – têm algum grau de preconceito contra homossexuais.

A coordenadora pedagógica de uma das maiores escolas da rede pública do Estado, Lourdes Machado, conta que já teve sérios problemas na escola por conta da homofobia.  Um dos problemas mais graves são as confusões entre os estudantes, por conta de agressões físicas ou verbais.

A conseqüência em alguns casos é que as vítimas acabam pedindo transferência da escola a fim de fugir da violência.  “Em muitos casos temos que

Lourdes Machado defende a orientação para combater o preconceito
chamar a família, que por vezes também não aceitam a escolha do filho, ou mesmo não tem conhecimento”, explica Lourdes.

O pedagogo Marcelo Lima, que hoje atua no movimento GLBT à frente da Associação de Defesa Homossexual de Sergipe (Adhons), conta que foi vítima dos colegas na escola e chegou a abandonar a sala de aula. “Na sétima série eu perdi o ano e só retornei depois que me colocaram numa turma onde não tinha coleguinhas que mangavam de mim”, revela Marcelo, que aos 16 anos já tinha convicção de que era homossexual.

Lourdes Machado conta que na tentativa de orientar os estudantes sobre diversidade sexual e outros temas ligados à sexualidade, como prevenção a doenças, a escola tenta promover palestras e atividades educativas. Para Marcelo essa é a principal arma contra o preconceito. “Informação é poder e educação”, afirma o pedagogo e ativista.

Marcelo Lima, que hoje atua no movimento GLBT à frente da Adhons
Livro aborda o tema

Pensando nisso, Marcelo está lançando nesta quinta-feira, 3, no 8º Chá Cultural, que acontece no Teatro Lourival Batista, a partir das 19h, o livro “Homossexual, Educador e o Preconceito nas Escolas”. Neste trabalho ele faz um apanhado histórico e filosófico sobre a homossexualidade no Brasil e no mundo, conta a trajetória da ONG Adhons e traz depoimentos próprios sobre o preconceito que sofreu como estudante e como professor em sala de aula.

Ao final do livro, Marcelo traz mais de 50 propostas do movimento GLBT para a Educação. Dentre elas está a ampliação do debate sobre diversidade sexual, capacitação para os profissionais da área, dentre outros. “Temos que fazer o combate à homofobia para promover uma escola aberta com a participação de todos independente das escolhas”, ressalta.

Por Carla Sousa

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