Horto do Carvalho II pede mais segurança

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População tem medo de sair à rua no Horto do Carvalho II
Uma cidade fantasma é o que lembra o conjunto Horto do Carvalho II, na Aruana, em alguns momentos do dia. É que os moradores das casas do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) já não saem mais às ruas, tão grande é a insegurança instaurada no conjunto.

A professora Karine Barreto diz que vive em estado de alerta. Moradora do Horto II há quatro anos, a professora teve sua casa arrombada pela primeira vez na semana passada. Os criminosos pularam o muro, empenaram uma grade de ferro e levaram tudo o que conseguiram passar pela fenda. “Levaram home theather, jóias, dentre outros objetos de valor. Era por volta das 13h e não tinha ninguém em casa”, relata. A professora resolveu instalar uma cerca elétrica na residência poucos dias depois.

Na porta de casa, enquanto conversava com a equipe do Portal Infonet, a professora apontava: “aquela casa ali já foi arrombada, aquela outra também. Só nesta rua foram várias”. Vizinho de Karine, o comerciante Antônio Mota da Silva conta que também já foi vítima dos bandidos. “Minha casa também foi arrombada. A polícia raramente passa por aqui, e quando nós ligamos para o posto policial, eles sempre têm uma desculpa para não vir”, declara Antônio.

Casas inabitadas

Antônio diz que casas inabitadas acobertam ação de bandidos
Além das raras rondas policiais, os vizinhos apontam ainda outro agravante. Segundo eles, no conjunto existem várias casas do PAR que não estão habitadas. Isso estaria facilitando a ação dos marginais.

“Quando fomos contemplados pelo PAR, nos deram um prazo de 90 dias para que mudássemos para essas casas. Disseram que quem não respeitasse esse prazo perderia a casa. Acontece que hoje, quatro anos depois, muitas dessas residências não estão habitadas. Outras tantas servem apenas como casas de veraneio. Ou seja, os bandidos acabam até utilizando essas residências como base para assaltar as casas vizinhas”, conta Antônio.

“O que me deixa indignada é que passamos por uma triagem tão rigorosa para sermos contemplados pelo PAR, e hoje muitos casas estão aí, abandonadas, sendo foco de bandidos”, reclama Karina.

A imobiliária Contadata é quem administra as casas do conjunto Horto II. O Portal Infonet entrou em contato com a empresa para tratar sobre a situação das casas desocupadas, mas obteve como resposta que só o gerente do setor do PAR na imobiliária, Josian Souza, é quem poderia dar explicações sobre o caso, mas que ele estava viajando. O subgerente, Alisson Flávio, disse que não poderia falar sobre o assunto.

“Minha casa foi invadida cinco vezes”

Segundo moradores, nesta casa não mora ninguém
Quem também lamenta a falta de segurança no Horto II é a dona-de-casa Francis Souza. Ela, que já morou em duas casas no mesmo conjunto, conta que ambas residências já foram invadidas por diversas vezes.

“Tive minha casa invadida por cinco vezes. Da última vez resolvi colocar uma cerca elétrica de alto custo, mais cara que as demais. A viatura da Polícia Militar até faz a ronda aqui no Horto II, mas de forma muito esporádica. Para mim a solução seria um policiamento ostensivo na região, bem como a construção de um posto policial dentro do conjunto”, diz Francis. O posto policial que atende ao Horto II fica no conjunto vizinho, o Costa Nova.

“O efetivo policial não é suficiente”

Karina Drummond acredita que o efetivo policial é insuficiente
Para Karina Drummond, diretora do Conselho das Associações de Moradores do bairro Aeroporto e Zona de Expansão de Aracaju (Combaze), o que falta não só ao Horto II como a todos os bairros que formam a zona de expansão é um contingente satisfatório de policiais.

“A zona de expansão de Aracaju corresponde a 40% de toda a capital, onde moram cerca de 75 mil pessoas. Em toda esta área atua apenas a 2º Companhia do 1º Batalhão da Polícia Militar, que se divide entre os bairros Aeroporto, Santa Maria, Augusto Franco, Orlando Dantas, Farolândia, São Conrado, Aruana e Mosqueiro,  com um efetivo policial que não atende a toda a população”, afirma a diretora.

De acordo com a diretora, a instalação de uma companhia de Polícia Militar específica para a zona de expansão é uma reivindicação antiga dos moradores. “Há quatro anos pedimos que seja instalada uma companhia da PM em um ponto estratégico da zona de expansão para que possa atender a todas as pessoas. A população não pode mais esperar”, finaliza Karina.

“Índice criminal está controlado”

O coronel Jackson Nascimento, comandante do 1º Batalhão da PM, reconhece a necessidade de mais viaturas e policiais para cobrirem toda a área da Aruana. Segundo ele, a área vem crescendo rapidamente mas o efetivo policial continua o mesmo. Ele, no entanto, não concorda que a criminalidade tem crescido naquele local.

“Está longe de nossas pretensões dizer que na Aruana pode ser feito um policiamento digno com apenas uma guarnição. De fato o morador tem a sensação de que a ação real da polícia está diminuindo, já que a área está aumentando mas o quantitativo disponível para o policiamento continua o mesmo. Apesar disso, não podemos dizer que a criminalidade tem aumentado. O índice criminal está controlado”, assegura o coronel.

Por Helmo Goes e Glauco Vinícius


 

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