Invasores do clube da Telergipe podem sofrer despejo essa tarde

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Barracos montados no terreno do antigo clube da Telergipe
Expira hoje, 27, o limite para a saída voluntária dos invasores do Clube da Telergipe, localizado na praia do Robalo em Aracaju. As famílias dizem que não irão deixar o terreno, e que lutarão pela área que estava abandonada há 14 anos. Aproximadamente 420 famílias vindas de diversas partes de Aracaju estão acampadas no local desde o dia 12 e já estruturam barracos para a ocupação do local.

O terreno do antigo clube da Telergipe está em situação de litígio desde a privatização das ‘teles’, ocorrida durante o governo Fernando Henrique. A Telemar reclama o direito sobre o terreno e entrou na justiça com uma liminar para desocupação da área. Os ocupantes já se manifestaram na Assembléia Legislativa e pediram apoio do governador para não deixarem o local.

“Nós estamos sabendo que a polícia deve chegar aqui pela tarde, mas vamos lutar para defender um lugar para morar”, diz um dos coordenadores da ocupação, José dos Santos. Segundo ele, os ocupantes chegaram a um acordo de não aceitarem mais famílias no local, pos a capacidade já está esgotada. “Mas tem uma fila de dez famílias esperando por vagas”, conta.

Estrutura Montada

Jorge Manoel e José dos Santos, coordenadores das famílias ocupantes
Barracos foram construídos em todo o terreno com materiais improvisados para determinar a ocupação. Os recursos, arrecadados de todos, foram usados na compra de lonas para cobertura e proteção. A casa de jogos central está sendo usada como cozinha, e se os ocupantes ficarem no local, também servirá de escola para as crianças. Para se alimentar, as famílias estão vendendo os cocos colhidos no terreno, além das doações que chegam e dos alimentos comprados com a arrecadação de todos.

As famílias estão organizadas em grupos de dez, tendo um coordenador por grupo. Todos os dias os 42 coordenadores se reúnem para determinar quais são as atividades dos grupos e qual o posicionamento de todos. “Nós orientamos todos para não agir com violência. E quem estiver aqui com malandragem e usando o que não presta vai ser expulso”, diz Jorge Manoel da Cruz, que coordena um dos grupos familiares.

Frente do Local
Segundo eles, os vizinhos do local estão cooperando para a manutenção da ocupação, já que antigamente o local era usado para assaltos e estupros. Os ocupantes já limparam algumas áreas dentro do terreno para posterior plantação de hortaliças e frutas. No entanto esperam os resultados de hoje para iniciarem as plantações.

A maioria dos ocupantes é oriunda dos bairros Santa Maria, Coqueiral e da ocupação da Coroa do Meio, conhecida como condomínio ‘5 de Agosto’. Os ocupantes dizem que a maioria está desempregada e morava de aluguel. 

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