Jaci – Mais que uma tia, uma mãe!

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Jacirene em entrevista a Infonet
Por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher. Esta frase tão conhecida pode ser bem aplicada à história de Jacirene Oliveira, a Tia Jaci, 29 anos,
companheira do conhecido e popular Almir do Picolé, que recebeu a equipe do Portal Infonet na creche assistencial comandada pelo casal.

 

Aos oito anos ela foi morar em uma casa de família em Terra Caída, povoado de Indiaroba, sua cidade natal, mas não perdeu contato com os pais. A infância de muitas dificuldades no interior de Sergipe alimentava a vontade da menina Jacirene em vencer na vida. E os obstáculos não foram poucos. “Como morava em casa de família, praticamente madrugava todos os dias para fazer os serviços domésticos e subir em um caminhão que ia até o centro de Indiaroba, para estudar. Mesmo com chuva, calor ou sono eu não desisti”, declara.

 

Aos 22 anos, engravidou da sua primeira filha e precisou parar os estudos. Sem apoio moral do pai da menina, viu em Aracaju a oportunidade de dar a volta por cima. “Foi com 24 anos que arrumei minhas coisas e vim pra capital. Eu sentia que meu destino tava aqui”, falou. E foi o próprio destino que se encarregou do início da história com seu Almir. “Eu trabalhava no Orlando Dantas, e ficou muito difícil tomar conta da minha filha. Minha mãe biológica morava aqui na Piabeta e logo na primeira semana o conheci. Daí pro namoro, foi um pulo”, revela.

 

O despertar para a solidariedade

 

Jaci com o filho do casal
As obras da creche estavam em fase de conclusão quando Jacirene foi morar com Almir do Picolé. A inauguração do projeto social veio junto ao nascimento do primeiro filho do casal, o segundo de Jaci. Mas com o crescimento da creche, outros filhos foram aparecendo em sua vida. “Eu tenho todas essas crianças como meus filhos, alguns até mamaram em meu seio. Já cheguei a ter 82 filhos, mas este ano estou com apenas 65, porque percebi que é a quantidade ideal para nossa estrutura”, disse.

 

A vocação para a solidariedade foi algo descoberto durante a relação com Almir. O início repleto de dificuldades era superado pela força de vontade em dar assistência às crianças da comunidade. “Já teve dias de dormirmos sem saber como íamos trabalhar no outro dia, algumas vezes sem ter nada para servir”, declara. Hoje, com parcerias firmadas e apoio da própria sociedade sergipana, o trabalho na creche flui proporcionando momentos especiais que emocionam a nossa homenageada. “Eles dançam quadrilha no São João, eu choro. Eles fazem coral no fim do ano, eu choro. Até vendo eles comerem em silêncio, quando só há o barulho da colher trabalhando no refeitório eu choro. É um filme que passa na cabeça”, relata emocionada.

 

Mesmo com o cotidiano recheado de muito trabalho na instituição, a tia Jaci ainda nutria o sonho de concluir os estudos que havia abandonado. Matriculou-se em um curso destinado a adultos em um colégio de Aracaju e reservava o domingo, seu único dia de descanso, para meter a cara nos livros. “A aula era só aos domingos. Ia com a maior disposição, cansaço é uma palavra que não combina comigo. Foi um sonho realizado”, disse. De acordo com ela, seu lazer é em tempo integral. “Se eu amo fazer o que faço durante todo o dia, eu me realizo e me divirto todo o tempo”, ressalta.

 

Alguns dos 65 filhos da Tia Jaci
Em uma história de vida composta pelas mais diversas situações, Jacirene consegue defini-la com uma só palavra. “Batalhadora! Minha vida é uma batalha diária. E quando consigo vencer uma, logo arrumo outra, porque as batalhas são minha razão de estar viva. Sempre corri atrás do que quis, sem depender de ninguém. Foi assim que criei minha filha e é assim que quero proporcionar uma qualidade melhor de vida a ela, incentivando ela a estudar”, argumenta.

 

Jaci nega que sinta ciúmes do marido, por este aparecer mais nos meios de comunicação e ainda revela que essa é uma opção sua, por gostar mais de trabalhar nos bastidores, dando suporte a ele. O ideal que a faz manter essa postura, é o ideal que planeja transmitir à filha. “Melhor que ser uma mulher de sucesso, é ser uma mulher de bons valores”, afirmou a nossa segunda homenageada deste especial do Dia Internacional da Mulher.

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