MPL acusa PM de agredir manifestantes

0

Ontem, no fim da tarde, os integrantes do “Movimento do Passe Livre – Aracaju” realizaram mais uma manifestação contra o aumento da tarifa do transporte coletivo na capital e região metropolitana. Desta vez, eles usaram uma estratégia para driblar a ação da Superintendência Municipal de Transporte e Transito de Aracaju (SMTT).

A mesma se tratou da divulgação errada do local onde aconteceria a manifestação. Enquanto a SMTT se preparava para um ato no terminal de integração dos mercados, os manifestantes organizavam uma ação no terminal de integração da Maracaju, na zona norte da cidade. Lá eles queimaram pneus e bloquearam a entrada dos ônibus no terminal. Além disso, escreveram nos pára-brisas dos coletivos “passe livre”.   

Iniciado por volta das 16 horas, o ato se estendeu até o início da noite. Até então, segundo Marcos Vinícius, integrante do movimento que é formado em sua maioria por estudantes universitários e secundaristas, tudo estava tranqüilo. Contudo, ele afirma que no momento em que se dirigiam para dentro do terminal com o intuito de irem para casa, eles foram cercados e agredidos pelos PM que acompanhavam o ato.

“Nossa manifestação já tinha acabado, estávamos indo para o terminal para pegarmos o ônibus para casa quando os policiais fizeram um cerco, bloqueando a nossa passagem. Eram mais de quatro viaturas com PMs fortemente armados. Não houve acordo, não teve conversa, eles foram logo batendo com os cassetetes. Duas meninas inclusive levaram ‘fantadas’, em uma delas pegou no rosto”, relatou Marcos.

Segundo Vinícius, todos os policiais presentes estavam sem identificação no momento da ação. Ele conta ainda que um radialista que fazia a cobertura do ato também foi agredido e que a máquina digital de um dos integrantes do movimento, que fotografava a agressão, tentou ser tomada pelos policiais, mas que devido à ação de outros manifestantes isso não ocorreu. O movimento está construindo uma moção de repúdio contra a ação dos policiais. 

“Eles aproveitaram o momento em que a maioria das pessoas da imprensa já haviam saído. Nos três primeiros dias não houve esse tipo de atitude, apesar da intimidação. Mas a ação da PM ontem foi, completamente, lamentável. Nós acreditamos que um dos fatores que os deixou mais à vontade para que tivessem este tipo de comportamento, foi o fato de estarmos na zona norte da cidade, onde já é rotina as pessoas verem este tipo de coisa”, disse Vinícius.

O integrante do MPL fez questão de frisar que em momento nenhum os manifestantes danificaram o patrimônio público. “Nós não quebramos nada. Não danificamos nenhum ônibus. A gente puxa palavra de ordem dizendo “policial fardado também é explorado”, mas não agredimos ninguém”, garantiu Marcos, informando que hoje eles estarão conversando com um advogado que integra o movimento para ver que providência pode ser tomada.

Próximas ações – De acordo com as informações passadas por Vinícius, o próximo ato do movimento será hoje, às 15 horas, no terminal de integração do Distrito Industrial de Aracaju (DIA). O mesmo deve se estender até a noite, conforme aconteceu na ultima terça-feira, quando os manifestantes somente desocuparam a rótula do DIA por volta das 20 horas.

“Nós avaliamos que as autoridades estão pensando que o movimento está brincando. Mas enquanto a tarifa não for reduzida o cotidiano de Aracaju não será o mesmo. Se o aumento continuar com certeza no Pré-Caju faremos alguma coisa”, afirmou Marcos, acrescentando que as ações do movimento tendem a ser cada vez mais efetivas.

“Queremos ter acesso aos dados que comprovem que o aumento é necessário. Para isso nós vamos dar um ultimato. Vamos propor uma audiência pública para sexta-feira, dia 13, caso a Prefeitura, a SMTT e a Setransp se neguem a participar, na quarta-feira, dia 11, nós voltaremos a agir de forma mais efetiva”, garantiu Vinícius, acrescentando que o movimento dará uma trégua nos atos por conta do vestibular da UFS.

PM – Sobre as agressões denunciadas pelos manifestantes, o comandante do Comando de Policiamento Militar da Capital (CPMC), coronel Antônio dos Santos, até o momento, não chegou ao conhecimento dele nenhuma denuncia de violência policial ocorrida ontem durante a manifestação. “Essa informação me está chegando agora. O relatório do comandante de operação não relata nenhuma ocorrência deste tipo”, explicou o coronel.

Santos declarou ainda que neste tipo de manifestação é corriqueiro os policiais tenham que fazer usa da força, no intuito de garantir a conservação do patrimônio, a comodidade das pessoas de irem para casa sem se atrasarem e de forma tranqüila, bem como, para manter a ordem pública. “A praxe é haver confrontos devido às condições comportamentais dos manifestantes”, disse o comandante.

Por fim, o coronel Antônio afirmou que qualquer denúncia a este respeito que chegar ao conhecimento da corporação, seja por meio de queixa ou da Justiça, será apurada através de um processo administrativo interno. O comandante do CPMC informou por fim que quem quiser prestar queixa neste sentido pode procurar a Ouvidoria ou a Corregedoria da PM, situada na rua Laranjeiras, no centro da Capital.

Por Alice Thomaz
Da Redação do Portal InfoNet

Comentários

Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso portal. Ao clicar em concordar, você estará de acordo com o uso conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Concordar Leia mais