Os perigos na travessia

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Pedestre se arrisca ao atravessar a BR 235 (Fotos: Andréia Cerqueira/Portal Infonet)

É da porta da residência de Givalda Campos dos Santos, localizada no conjunto Veneza I, bairro Capucho, que a dona de casa reclama do risco que ela e a família enfrentam todos os dias para atravessar a Avenida Osvaldo Aranha. A casa de Givalda fica em frente a uma passarela, mas os moradores alegam que a falta de sinalização do local tem aumentado as ocorrências de assaltos na localidade.

“Sinceramente não sabemos o que fazer porque já vi muita gente ser atropelada na frente da minha casa, mas infelizmente os moradores que precisam atravessar a avenida preferem arriscar desviar dos carros a encontrar com um assaltante na passarela”, desabafa.

A reclamação é compartilhada pela comerciante Geane Maria Bispo que relata um assalto sofrido pela filha, uma adolescente de 13 anos. “Minha filha estava voltando da escola por volta das 17h e quando foi abordada por um homem que estava armado com uma faca e disse que se ela não entregasse o celular iria morrer. Minha filha ficou em choque, até hoje quando ela desce do ônibus, alguém tem que pegar ela do outro lado da avenida”, conta Geane que relata outras irregularidades.

Pedestres ignoram a passarela

“Essa passarela é usada por bandido, gente que passa de moto, de bicicleta e é horrível porque é uma passagem apertada e quando um assaltante aborda os moradores não tem como se livrar. Tenho medo até que alguém seja jogado lá de cima”, fala a comerciante.

Indignada, a estudante Jacira Santos Campos diz que sua sobrinha de 15 anos, estava voltando para casa e ao atravessar na passarela foi abordada por um homem que estava em uma moto. “Ela estava na companhia de uma amiga, o assaltante levou o celular da amiga e quando saia queimou a perna da minha sobrinha na descarga da moto”, diz.

Durante a reportagem a equipe do Portal Infonet flagrou condutores de moto utilizando a passarela, enquanto moradores arriscavam a travessia na pista (ver foto ao lado).

Travessia perigosa nas proximidades do terminal DIA

Segurança

De acordo com o comandante da 3ª Companhia do 8º Batalhão, capitão Cardoso, as viaturas da Polícia Militar margeiam a rodovia, mas a competência do policiamento na região que pertence a BR 235 é da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O assessor de comunicação da PRF, Flávio Vasconcelos, esclarece que apesar das queixas dos moradores não existem registros de boletins de ocorrências. O assessor explica que é importante que a população faça o registro porque os dados servem para intensificar as rondas da polícia na área.

Flávio Vasconcelos menciona que por conta do efetivo reduzido de policiais não é possível deixar uma equipe 24h no local.

A passarela é usada por motociclistas 

Iluminação

Sobre a queixa dos moradores quanto a falta de iluminação na rodovia, o superintendente substituto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Carlos Alberto Sarmento, ressalta que o problema é causado por vândalos que roubam os cabos de energia da área. “Já mandei o pedido de orçamento para a reposição para três empresas. Infelizmente colocamos e depois os cabos são roubados”, diz.

Pedestres

Em outros pontos da capital, pedestres reclamaram da difícil travessia. A promotora de vendas, Simone Santos, afirma que para atravessar na avenida Adélia Franco, nas proximidades de um  supermercado chega a demorar mais de 10 minutos. “Essa travessia é muito perigosa porque apesar da faixa de pedestre os motoristas não param e muitas vezes as pessoas acabam correndo risco de serem atropeladas”, diz.

De acordo com o coordenador de Trânsito da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Aracaju (SMTT), capitão José Luiz Ferreira, os agentes da superintendência tem reforçado a fiscalização principalmente nos horários entre 06h e 8h e das 18h ás 19h em várias vias. O coordenador reconhece que apesar das campanhas e da atuação dos agentes, muitos condutores desrespeitam a preferência do pedestre.

“O objetivo das campanhas que temos feito é reforçar ao motorista que o pedestre tem prioridade no trânsito e que a faixa de pedestre tem que ser respeitada. Cada vez mais temos um número maior de motoristas que saem de casa atrasados e se recusam a parar na faixa”, afirma o capitão que entende que a construção de passarelas não é a solução para o problema.

“Entendo que passarela não resolve o problema. O pedestre é obrigado e subir sete metros, atravessar 15 metros e descer mais sete metros. Dessa forma nós estaríamos priorizando o motorista em detrimento do pedestre. A passarela também não adianta porque em outros pontos, a exemplo da BR 235 os pedestres não usam”, alerta.

Rede Social

Para o internauta Francisco Faria que criou um perfil em uma rede social denominada @transito_aju o motorista consciente não esquece  um bom pedestre será um grande motorista. “Paciência, atenção, segurança, planejamento, cidadania e gentileza. São esses os ingredientes para um trânsito consciente. É difícil você imprimir um ritmo e essa sequência, mas lembro bem que quando comecei a dirigi repetia exatamente o que meu pai fazia. A falta de paciência, tolerância e técnica têm aumentado os índices de acidentes. Estamos acostumados a cobrar do poder público, mas esquecemos que o trânsito depende de todos nós, somos todos responsáveis por ele e somos também as suas vítimas”, salienta.

Por Kátia Susanna

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