Pai acha que filho foi confundido com marginal

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Deilson: vontade de continuar os estudos (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Comoção, revolta, tristeza e o grito por justiça dominam o ambiente do velório do estudante Deilson Feitosa Lima, 18, assassinado a tiros dentro de uma escola da rede municipal de ensino em Aracaju na noite da terça-feira, 11. O pintor de auto João de Barros Lima, pai do garoto assassinato, não tem dúvida que o alvo dos tiros seria uma outra pessoa. “Ele nunca fez nada com ninguém, não usava droga, nem tinha motivo para ser morto”, considera o pintor. “Confundiram meu filho, só pode ser isso”, observou.

Matriculado no sétimo ano na escola municipal Letícia Soares de Santana, localizada à rua General Prado, no Santos Dumont, o jovem estava no segundo dia de aula. No ano passado, ele abandonou os estudos, mas retornou neste ano disposto a não fazer novas interrupções. “Ele deixou porque chegava cansado do trabalho, mas este ano ele decidiu voltar aos estudos”, conta o pai. “Ele foi matriculado na mesma escola sem nenhuma restrição”, informou a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação, observando que o aluno era considerado de boa índole.

Local onde estudante foi baleado e morto

A comunidade clama por segurança nas escolas e nos bairros de Aracaju. “Para que fatos como esse não aconteça novamente”, alerta o pai do jovem assassinado. “Aqui a gente fala em vão porque não temos nem saúde, nem segurança. No domingo, mesmo atiraram em um aqui perto, depois atiram em outros dois mais adiante e a gente fica com medo de sair de casa”, observa o servente de pedreiro Jailson Barros de Lima, um dos tios do jovem assassinado dentro da escola.

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação informou que o episódio ocorrido na noite da terça-feira, 11, não mudará a rotina nas escolas da rede municipal de ensino. Segundo a assessoria, a Secretaria de Educação não pode colocar homens armados para fazer a segurança nas instituições de ensino devido às limitações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A equipe da Guarda Municipal, segundo a assessoria, é usada apenas para fazer rondas nas proximidades. “Nem na calçada da escola, a equipe da Guarda pode ficar”, alerta o assessor de imprensa da Semed, Pedro Rocha.

Velório: orações e clamor por justiça

O assessor informa que a Semed se colocou à disposição e que a secretária Márcia Valéria fará visita à família do aluno morto dentro da escola. A escola decretou luto nesta quarta-feira, 12, na quinta, 13 e na sexta-feira, 14. Devido ao feriado e à mobilização nacional dos professores, as aulas retornarão no próximo dia 20, conforme aviso fixado na prota da escola.

Por Cássia Santana

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