Pandemia afeta guarda compartilhada de filhos e acordo vira essencial

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Contato com um dos genitores por ligações e videochamadas, por exemplo, pode ser alternativa para a pandemia (Foto: Pixabay)

Assim que a pandemia da Covid-19 ‘estourou’ e medidas como o isolamento social passaram a prevalecer, a rotina da pequena Sophie, de apenas 6 anos, mudou completamente. Mas não foram só as férias escolares antecipadas uma novidade. Acostumada a ir para a casa do pai aos finais de semana, ela teve que se readaptar e achar outras maneiras de se comunicar com o genitor. Ele e a mãe, que hoje compartilham a guarda de Sophie, decidiram que o vai e vem poderia expor a filha – e decidiram que até o pior passar, ela vai ficar permanentemente com a mãe.

Pais da Sophie chegaram a um acordo para a pandemia (Foto: Arquivo pessoal)

“Na minha casa, apenas eu tenho saído para trabalhar. Na casa do pai, tem mais pessoas precisando sair para trabalhar, então os riscos são maiores. Nós pensamos no melhor para nossa filha, e como sempre temos um diálogo bom, foi fácil chegar a esse acordo. Isso é primordial”, explica Djuliam Nascimento, mãe da Sophie. Agora, a Sophie mantém contato com o pai por ligações e videochamadas. “Ela sente falta do pai, fica estressada com a pandemia. Mas nós temos um diálogo bem franco com ela, explicamos a situação e aos poucos ela vai entendendo”, acrescenta a mãe.

Para a psicóloga Fernanda Hermínia, idealizadora do Atuando em Famílias, programa interdisciplinar em psicologia e direitos, os pais da Sophie conduziram a situação da melhor maneira possível. “Em sempre bato nessa tecla de diálogo entre os pais ou guardiões da criança. Diálogo é ouvir a outra parte, ponderar e buscar opções que sejam melhores para as crianças. Muitas pessoas não fazem isso, acham que uma sentença jurídica resolve, mas isso não resolve vida afetiva de ninguém e são as crianças que ficam nesse meio”, analisa.

Mas e quando não há acordo?

Fernanda observa que alguns pais e mães, nesse momento de pandemia, estão aproveitando para diminuir o contato do filho com o outro genitor. “Alguns justificam que é em função da pandemia. O que a gente alerta é que o direito de convivência é da criança. É importante para o desenvolvimento psíquico dela, além da necessidade de manter seus vínculos e laços afetivos. Há muitos meios para manter esse contato durante esse momento, que são as ligações, videochamadas, entre outras formas dela manter contato com a outra parte, sem precisar de horário marcado”, detalha a psicóloga, explicando que esses métodos são, inclusive, recomendações do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Condanda).

Outra maneira de solucionar a situação, quando as duas partes querem ter o filho próximo de si, é aplicar as mesmas regras utilizadas durante as férias escolares. “Algumas escolas deram férias. Então os pais podem manter o acordo de passar metade do período de férias na casa de um, e a metade na casa de outro. Assim, evita o vai e vem da criança de forma constante”, aconselha Fernanda.

O diálogo e cuidado com os filhos também são fundamentais nesse período de pandemia. Fernanda explica que alguns comportamentos devem ser observados. “As situações de não poder sair, de distância, de ir para casa do outro genitor, ouvir um falando do outro, tudo isso pode ter consequências, como ansiedade e até mais graves, como os transtornos”, alerta a psicóloga.

Por Ícaro Novaes

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