Pesquisa da Unesco revela que 35% dos alunos já viram armas na escola

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Na véspera do Referendo que vai decidir sobre o comércio de armas de fogo no Brasil, uma pesquisa divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) assusta. Os dados revelaram que, pelo menos, 35% dos estudantes de quatro capitais brasileiras já viram uma arma na escola e outros 12% já viram ou tiveram contato com revólveres.

A pesquisa foi realizada com 10 mil alunos de Porto Alegre, Salvador, Belém, São Paulo e Brasília. Os resultados totais da pesquisa serão divulgados, no próximo mês, pelo Observatório de Violência nas Escolas, núcleo ligado à Unesco e à Universidade de Brasília. Em números absolutos, segundo a pesquisa, significa que 205 mil alunos estiveram próximos de uma arma de fogo enquanto deveriam estar estudando, uma realidade assustadora para estudantes e educadores.

Segundo o coordenador do Comitê Itinerante de Sergipe em Defesa da Vida em Sergipe, Marcos dos Anjos, o Estado está longe desses dados. Ele enfatiza que campanhas feitas recentemente pelo Comitê, em parceria com a União Sergipana dos Estudantes Secundaristas (Uses) e Programa de Prevenção Contra às Drogas da Polícia Militar, contribuíram para diminuição da violência nas escolas sergipanas.

“Massificamos a importância da paz dentro das escolas, através de campanhas”, completou Marcos. Ele diz que amanhã vai votar no Sim porque somente com a proibição ficará mais difícil o acesso às armas. No entanto, ele acha que “a violência é gerada pela falta de oportunidades, de emprego e educação”.

A pesquisa da Unesco surpreende ainda pelo número de alunos que admitiram ter entrado com uma arma na escola: 1,2%, o que significa que 20 mil estudantes circularam com armas, inclusive revólveres, no trajeto da casa para o colégio. Em todas as capitais, o revólver, depois do canivete, é a arma mais vista nas escolas.

Para os organizadores do Observatório de Violência nas Escolas, o número crescente de adolescentes levando armas às escolas pode ser explicado pela “cultura da virilidade”, que existe no Brasil. Especialistas dizem que a arma virou símbolo de poder, exibicionismo e de intimidação, que associados a uma sociedade marcada pela virilidade faz com que muitos adolescentes tentem resolver seus conflitos mostrando que são poderosos, ao invés de cultivarem sentimentos de amizade, respeito e tolerância. 

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