PF continua investigando grupo de extermínio

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Momento em que policiais chegam à sede com um dos presos (Fotos: Arquivo/Portal Infonet)

A Polícia Federal continua investigando a atuação de um suposto grupo de extermínio que teria forte atuação no município de Poço Verde, sob o comando de José Augusto Aurelino Batista, morto ao receber voz de prisão no dia 15 de outubro deste ano dentro da própria residência em Poço Verde.

Sete pessoas foram detidas em cumprimento a mandado judicial, entre prisão e condução coercitiva de testemunhas. Algumas pessoas prestaram depoimento e foram liberadas, mas ainda há acusados presos.

O policial civil Cris Ailan, escrivão da Delegacia de Simão Dias, foi preso em Aracaju onde reside e reponde por porte ilegal de arma. Ele pagou fiança no valor de um salário mínimo arbitrada pela autoridade policial e já está solto, com o benefício de responder ao processo em liberdade, segundo informou o advogado Alexandre Porto.

Continuam presos os dois policiais militares [O sargento Leonídio Rosa de Oliveira, que atua na 3ª Companhia do 4º Batalhão da Polícia Militar, no município de Simão Dias, e o soldado Adriano Batista Macedo, da 4ª Companhia do 7º Batalhão da Polícia Militar, no município de Poço Verde]. Eles aguardam decisão judicial no Presídio Militar (Presmil), em Aracaju.

Material apreendido durante Operação Poço Vermelho (Foto: Ascom/PF)

Carlos Santana, acusado de atuar como informante da polícia, também já foi liberado, conforme informações do advogado Bruno Pinto, que atuou nos primeiros momentos da Operação Poço Vermelho. Atualmente, Bruno Pinto não mais atua neste procedimento, mas informou que o ex-cliente teria sido alvo de mandado de condução coercitiva e que teria sido liberado logo depois que teria prestado depoimento, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Aracaju.

A Operação

A Operação Poço Vermelho foi articulada pela Polícia Federal e desencadeada na quarta-feira, 3, para cumprimento de 24 mandados judiciais, entre os quais seis de prisões preventivas, 15 conduções coercitivas e três mandados de busca e apreensão. As investigações foram iniciadas no mês de maio deste ano, fruto de denúncias procedentes da Assembleia Legislativa de Sergipe sobre a existência de um grupo de extermínio na região de Poço Verde que possuía uma relação de 20 pessoas marcadas para morrer.

Da relação, pelo menos nove pessoas foram assassinadas com requintes de crueldade, conforme o delgado Milton Rodrigues Neves, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Contra a Pessoa da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal. Durante as investigações, o suposto articulador deste grupo de extermínio foi morto a tiros no momento em que a polícia civil de Sergipe realizava operação para prendê-lo na residência do acusado.

Alexandre Porto: "meu cliente está tranquilo"

Com a morte de Augusto Aurelino, a Polícia Federal instaurou novo procedimento e já detectou indícios que levam à suspeita de crime de execução. Mas este inquérito está tramitando paralelamente.

Tranquilidade

O advogado Alexandre Porto garante que o escrivão Cris Aislan está bastante tranquilo. Ele teria sido, segundo Alexandre Porto, alvo de mandado de busca e apreensão. Na residência dele, os agentes federais encontraram armamento legalizado da Secretaria da Segurança Pública. Mas, entre aquelas armas, estava um revólver de calibre 38 sem registro. Este revólver foi o que teria provocado a prisão em flagrante do escrivão.

O revólver, segundo Alexandre Porto, seria do pai do escrivão e ele teria solicitado ao filho para devolver a arma durante a campanha do desarmamento, mas o escrivão foi protelando, sem medir as consequências. “Foi ele próprio quem indicou que a arma estava guardada no cofre enquanto as outras armas estavam em outros locais, embaixo da cama…”, enalteceu o advogado.

A Polícia Federal continua investigando, mas não informa detalhes da Operação Poço Vermelho nem também os seus desdobramentos. A assessoria de imprensa informou que as investigações estão concentradas em Brasília, sob sigilo.
O Portal Infonet tentou ouvir os dois policiais militares que estão presos, mas não obteve êxito. O Portal permanece à disposição. Informações podem ser enviadas por e-mail jornalismo@infonet.com.br ou por telefone (79) 2106 8000.

Por Cássia Santana

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