SSP não descarta tráfico, feminicídio e vingança em crime de Malhador

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Maria da Paixão tinha vida pacata e comercializava alimentos em feira livre (Foto: Reprodução/ Arquivo da Família)

Tratado inicialmente como um crime de feminicídio, a morte de Maria da Paixão Silva tem sido tratada com cautela pela equipe da Polícia Civil coordenada pela delegada Clarissa Lobo. A delegada aponta, no mínimo, quatro linhas de investigações com indícios a serem considerados pela equipe durante a formulação do inquérito policial.

Segundo Clarissa, além da possibilidade de assassinato por conflito de gêneros (feminicídio), existem as hipóteses de morte por engano e por vingança. A quarta possibilidade envolve a constatação da participação de familiares da vítima no crime de tráfico de drogas, o que, para a delegada, acende o alerta de um suposto envolvimento também de Maria da Paixão.

“A família está nos ocultando alguma coisa. Um cunhado dela foi morto há cerca de três anos e foi suscitado o envolvimento com tráfico [..] Queremos esclarecimentos da própria família e ela não está dando”, afirma a delegada, que ainda explica os motivos que levam a polícia a acreditar também em um assassinato por vingança. “Há quatro meses ela e uma conhecida se agrediram fisicamente. Houve a tentativa de intermédio via delegacia, mas a polícia não teve êxito, porque a segundo envolvida não quis prestar queixa”, diz.

Mesmo com as quatro perspectivas expostas neste indício de inquérito, a delegada Clarissa Lobo não fecha questão em torno dos apontamentos já inseridos e indica outras possibilidades de elucidação. “A princípio são essas as informações, mas não descartamos nenhuma outra hipótese”, conclui.

Relembre o caso:

Uma feirante de 23 anos foi morta a tiros na porta da casa onde residia com a família no município de Malhador. O crime ocorreu no povoado Buqueval, uma comunidade localizada entre Malhador e o município de Riachuelo. A família está surpresa e acredita que a jovem foi morta por engano.

O corpo da jovem, identificada como Maria da Paixão Silva, chegou ao Instituto Médico Legal (IML) às 21h da quinta-feira, 27. A vítima chegou a ser socorrida com vida, mas faleceu no Hospital de Caridade na cidade de Riachuelo. O segurança Wilton Mota, irmão da vítima, informou que Maria da Paixão tinha uma vida tranquila com a família, trabalhava junto com o marido na zona rural e vendia a produção em feira livre na região.

O homicídio foi praticado por volta das 17h da quinta-feira, 27. Dois homens se aproximaram da vítima em uma motocicleta, dispararam a arma de fogo e, logo em seguida, fugiram. Os vizinhos ouviram o barulho de pelo menos três tiros, segundo o irmão da vítima. O crime chocou a comunidade e será investigado pela Polícia Civil.

por Daniel Rezende

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