Ponte Aracaju – Barra será inaugurada em setembro

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Depois do anúncio do governador João Alves Filho (PFL) de que a ponte Aracaju – Barra dos Coqueiros não será entregue em agosto, o secretário de Infra-Estrutura do Estado, Luiz Durval, surpreende afirmando que a mesma será inaugurada em setembro. Em entrevista ao Portal Infonet, ele comenta os motivos do atraso e as dificuldades por causa do tempo. O secretário também explica os acessos para a ponte e revela que será cobrado pedágio pela passagem.

 

PORTAL INFONET – Quais foram os motivos que provocaram o atraso da inauguração da Ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros?

Luiz Durval – Levando em conta a complexidade da obra, o pequeno atraso que teremos é irrelevante. No momento, estamos fazendo a parte mais complexa, os estaiamentos. Esta parte requer muito cuidado, as chuvas e, principalmente os ventos, têm atrapalhado muito a montagem da ponte. Isto porque temos um guindaste que trabalha sob uma balsa içando vigas de aço de 13m com 5,5 toneladas. Quando os ventos são fortes começa a ter o encapelamento do rio Sergipe e a uma balsa que deveria estar bem estabilizada começa a balançar e passa a ter um movimento de pêndulo na peça que está içada. Podendo tombar a peça erguida com balsa e guindaste. Algumas vezes, quando estávamos levantando estas peças, fomos obrigados a baixar e esperar o vento acalmar. Então, a própria complexidade da obra e as fortes chuvas que estão caindo na capital foram os motivos do pequeno atraso.

 

INFONET – E o atraso será de quanto tempo?

LD – Eu acredito que estaremos fazendo o fechamento da ponte em 12 de setembro, mas depois teremos as obras complementares. Um observador mais atento perceberá que a iluminação já está sendo executada simultanemanete, mas naquele vão que está aberto eu não posso executar. Também iremos executar a tubulação de água que será levada para a Barra dos Coqueiros. A pavimentação final da pista são exemplos de obras que serão executadas após o fechamento da ponte.

 

INFONET – E para ser liberada para uso?

LD – Depois destas pequenas obras vêm a pavimentação final da ponte e a conclusão da iluminação. Acredito que levamos mais uns 10 a 12 dias, mas iremos inaugurá-la em setembro.

 

INFONET- A demora da liberação do orçamento encaminhado pela União pode ter sido outro motivo para o atraso?

LD- Eu não diria que não deixa de atrapalhar. Evidente que se houvesse o financiamento que nós pleiteamos teria facilitado muito as coisas. Agora o problema de recursos não é a razão definitiva. É um problema mesmo de complexidade da obra.

 

Foto divulgação (Seinfra)
INFONET- O governador João Alves Filho comentou que a construção da ponte Aracaju – Barra dos Coqueiros não seria uma “ponte de engenheiro”, mas uma “ponte de turismo”. Ele referia-se à beleza do formato e iluminação da ponte. Se fosse uma ponte convencional, o prazo não seria cumprido?

LD– A ponte com vão convencionado (com vão de 40m) seria aquela que o governador João Alves Filho denominou de ponte de engenheiro. Esta expressão que ele criou, ela não existe na técnica. Então a parte da ponte que é normal com o vão de 40m é a que ele denomina ponte de engenheiro e a parte de estaiamentos que são 400m (200 no vão central e 100 para cada um dos lados) é a parte que envolve maior complexidade. O que torna ela mais bonita.

 

INFONET – O local onde a ponte começa no Bairro Industrial já virou ponto turístico onde muitas escolas já levam seus alunos para conhecê-lo. Isto já demonstra um pouco da mudança que ela fará na vida dos aracajuanos?

LD – Muda radicalmente, porque o acesso hoje à Barra dos Coqueiros e ao litoral norte se dá através da balsa ou pelo desvio de 77km pela estrada. E isto é desgastante para o usuário, quando ele poderá chegar em dois ou três minutos. Então, acreditamos que a Barra dos Coqueiros, o porto e o litoral Norte muda efetivamente depois da ponte.

 

INFONET – Aparentemente as obras no lado do município Barra dos Coqueiros estão atrasadas. Por que?

LD – Aquilo é feito propositalmente. Em toda obra existe o caminhamento crítico (é a parte que reflete na obra como um todo). Hoje, o caminhamento crítico é a parte do vão central. O lado de Aracaju estará finalizado até 20 de julho, já a Barra por volta de 10 de agosto. Mas, ficará ainda o vão central. Os dois lados concluem antes do centro. Estando assim, fora do caminhamento crítico – isto é, um dia de atraso nesta parte da obra representa um dia de atraso no total da construção.

 

INFONET – E as alças de acesso a ponte?

LD – Tivemos um problema muito sério com a primeira construtora que contratamos para fazer as alças do Bairro Industrial. Isto levou até a rescisão do contrato. A realidade é que a empresa se mostrou incapaz para fazer obra e tivemos que romper o contrato e chamar o segundo colocado. Este processo atrapalhou muito o andamento do trabalho ali. Mas estamos trabalhando e este processo ficará pronto junto com a ponte.

 

INFONET – De onde sairão as alças que dão acesso a ponte?

LD – Nós iremos estabelecer um sistema binário da seguinte forma. O trânsito que vem do bairro Industrial em direção ao mercado descerá a avenida João Rodrigues. O trânsito que vem do mercado em direção ao Bairro Industrial descerá pela avenida Zé Conrado de Araújo. E nesta, o condutor terá opção de tomar a alça da ponte para subir para Atalaia Nova ou seguir lateralmente e prosseguir no Bairro Industrial em direção à avenida Euclides Figueiredo. E para quem vem da Barra dos Coqueiros descerá fazendo um retorno em frente ao clube do Confiança, depois tomando a João Rodrigues e seguindo pelo Mercado.

 

Foto divulgação (Seinfra)
INFONET – E quanto às preocupações com a extinção das barcas e balsas?

LD- Nós achamos que a parte das barcas não altera em nada e temos uma razão para acreditar nisso, como a ponte Rio – Niterói que não provocou o término das balsas. E aqui, eu acredito que a princípio o cidadão irá querer passar pela ponte, para conhecê-la. Mas, no dia-a-dia, quando o cidadão se habituar, não acredito que aqueles que necessitam atravessar freqüentemente escolham atravessar 2km e chegar no Bairro Industrial e ainda ir andando até o mercado para pegar o ônibus. Acho que vai ser complicado para ele, por isso acredito que o sistema de barcas permanecerá o mesmo.

 

INFONET- Quanto ao pedágio da ponte, será cobrado?

LD – Sempre esteve prevista a cobrança de pedágio. Mas, a princípio, não será arrecadado, porque a praça de tributos não ficará pronta a tempo.

 

Por Raquel Almeida

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