Quilombolas liberam ponte de Pirambu após manifestação

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Mnifestantes fecham ponte com troncos de coqueiros (Fotos: Cássoa Santana/Portal Infonet)

A comunidade quilombola do Pontal da Barra interditaram a ponte erguida sobre o rio Japaratuba, que interliga os municípios de Pirambu e Barra dos Coquerios. Os manifestantes colocaram tronco de coqueiros na pista e atearam fogo, interrompendo o fluxo de veículos no local durante toda a manhã desta segunda-feira, 1º. O acesso foi liberado pouco mais do meio-dia, mas a comunidade promete realizar novas mobilizações caso as reivindicações não sejam atendidas.

Os manifestantes reclamam da morosidade do início das obras de infraestrutura do Pontal da Barra, projeto do governo estadual para beneficiar cerca de 153 famílias em área de 318 hectares, situada às margens da SE 100, nos limites daqueles municípios. Segundo os manifestantes, o governador Jackson Barreto (PMDB) assinou ordem de serviço no dia 30 de junho com a promessa de iniciar as obras imediatamente.

Transito congestionado

“Mas até o momento nada foi feito, retiramos os barracos para a obra ser feita com mais rapidez, mas as obras não foram iniciadas”, assegura o pescador Robério Manoel da Silva, presidente da Associação do Território da Comunidade Remanescente Quilombola do Portal da Barra.

Segundo Robério Silva, a grande maioria daquela comunidade está pagando aluguel ou morando “de favor” em casa de parentes. “Já conversamos com representantes do Governo, veio aqui uma equipe da Adema, mas até agora a licença ambiental não foi liberada”, observou o pescador. “Eles deram uma pré-licença, mas depois retomaram para fazer modificação no projeto e, enquanto isso, a comunidade está sofrendo, sem amparo”, atesta.

Baldeação

Dona Tereza: dificuldade para chegar em casa

Com a manifestação, os moradores de ambos os municípios que tentaram se deslocar usando a ponte sobre o rio Japaratuba acabaram enfrentando grandes transtornos. O comerciante Roberto dos Santos teve que pegar dois táxis para conseguir transportar um carregamento de cerveja e refrigerante para um bar no Jatobá. “Isso não pode acontecer, é muito transtorno, um sufoco”, reclamou.

A aposentada Tereza Alves de Santana saiu de Aracaju com a amiga, que se identificou apenas como Maria José, com destino ao povoado Bebedor, e acabou obrigada a fazer uma baldeação para conseguir chegar ao local desejado. “Agora a gente tem que passar por dentro do fogo e vê se pega outro carro lá do outro lado”, comentou. “Eu vim da Bahia e nem sei pra onde estou indo. Muito difícil chegar”, reclamou dona Maria José.

Policiais militares seguiram para o local e uma equipe da Companhia Estadual de Policiamento Rodoviária (CPRv) conseguiram entendimento com os manifestantes para desobstruir a pista. “É uma manifestação pacífica e estava previsto a retirada dos entulhos às 13h, mas conseguimos antecipar e estamos apenas aguardando o Corpo de Bombeiros para apagar completamente o fogo e retirar os troncos dos coqueiros para liberar a pista”, observou o tenente Genival Araújo, oficial de supervisão da CPRv. “Algumas pessoas chegaram até aqui e voltaram, mas outros estão aguardando a liberação da pista”, comentou.

Robério: comunidade sem assistência

O acesso foi liberado às 12h20 e o fluxo voltou à normalidade. O presidente da Associação do Território da Comunidade Remanescente do Quilombo Pontal da Barra informou que uma comissão representante dos manifestantes tentará uma audiência com o Governo para solicitar empenho para agilizar a licença ambiental e o início das obras.

A Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom) informou que o Governo já solucionou os problemas e que a empresa terceirizada para execução do projeto tem prazo de 30 dias para iniciar a obra. A Secom informou que o projeto original teve que ser modificado para se adequar as exigências da lei ambiental e que a Adema já concluiu todo processo. Assim que instalado o canteiro de obras, segundo a Secom, a empresa terá prazo de 600 dias para concluir todo o projeto, que inclui obras de terraplangem, drenagem, esgotamento sanitário, pavimentação e a construção das casas populares, um projeto avaliado em quase R$ 3,186 milhões.

*A matéria foi alterada às 13h37 para acréscimo de informações sobre o projeto do governo

Por Cássia Santana

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