Rebelião no Cenam deixa internos e agentes feridos

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Foto: Arquivo
Hoje, 26, por volta das 9h30 cerca de 20 adolescentes fizeram uma rebelião no Cenam que deixou um saldo de diversos feridos, entre adolescentes e agentes. Tudo começou no horário de visita quando os jovens que estavam contidos em uma das alas deram início a um motim, que segundo o Coronel Sávio, diretor do Desipe, foi incentivado por um visitante, tio de um dos jovens.

 

Os adolescentes rebelados foram para fora da área de contenção e pegaram diversos materiais que encontrava-se na área externa onde está sendo feita uma obra. Eles se armaram com pedaços de madeira e ferro e partiram para cima dos agentes. De acordo com o relato do Coronel, houve luta corporal com os agentes, e os jovens só conseguiram ser contidos depois de mais de duas horas de confronto. Ninguém conseguiu fugir.

 

Durante a rebelião, o vice-diretor João Marcos foi agredido por um dos adolescentes com um chucho e por pouco não foi morto. Para contê-lo foi preciso efetuar um disparo de arma de fogo que atingiu a perna de um dos jovens. Os agentes fizeram ainda, alguns disparos de arma não letal. “Eram vinte adolescentes armados de pau e pedra e nós tínhamos apenas meia dúzia de agentes para contê-los”, explicou Sávio. Para amenizar a situação, o vice-diretor agredido pelos internos será afastado da instituição por um tempo.

 

Depois dos momentos de maior tensão os reforços chegaram e a rebelião foi contida. O saldo foi de onze pessoas feridas, entre eles três agentes, um deles ainda está hospitalizado, e oito adolescente, seis com pequenas lesões e dois mais graves, inclusive o que recebeu um disparo na perna.

 

De acordo com o diretor do Desipe, um dos fatores que contribuíram para a rebelião ocorrida hoje e para as diversas tentativas de fuga, é a estrutura frágil do prédio e o grande número de internos. “Depois que o prédio for reformado esses confrontos serão raros. Nós temos dois espaço para conter sessenta adolescentes, sendo que hoje eles estão contidos em apenas um, pois a outra ala está em reforma”, explicou.

Para o presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), Thiago Oliveira, as obras realmente tem prejudicado o quesito segurança. “É urgente o fato de que as obras precisam acelerar. Além deles estarem confinados num local pequeno, qualquer material da construção pode se transformar em arma”.

                                 

Na hora do incidente no Centro na mahnã de hoje, os sete conselheiros que compõem CEDCA, foram acompanhar de perto o desfecho do confronto, e com base no que presenciaram já iniciaram a elaboração de um documento que será enviado ao Secretário de Justiça e ao governador, que aponta três medidas urgentes que devem ser aplicadas. São elas: o cumprimento das medidas sócio-educativas, o aumento do efetivo de educadores e o aceleramento das obras. Estes pontos também fazem parte do Plano de Governo do Centro de Atendimento do Menor (Cenam) que será entregue ao Governo.

 

  

Plano para o Cenam

 

Até o início do mês de outubro, o Plano de Governo do Centro de Atendimento do Menor (Cenam) que está sendo elaborado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), juntamente com representantes de entidades de Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente, deverá ser entregue ao governador Marcelo Déda que irá decidir qual o futuro do Centro. Dentre as medidas está a indicação de um novo órgão que irá assumir a administração da entidade depois que o Desipe deixar a direção, fato que foi anunciado no início deste mês.

 

Segundo a coordenadora do Fórum dos Direitos das Crianças e Adolescentes, Lídia Rego, o Plano será entregue nos próximos dias ao governador. Para ela, a situação que se encontra hoje o Cenam, com rebeliões e fugas constantes, é um reflexo do não cumprimento das leis. “As medidas sócio-educativas não estão sendo cumpridas e os adolescentes estão no ócio, estão o dia inteiro sem fazer absolutamente nada. Então, as fugas são uma conseqüência disso, e o que a gente espera é que isso seja superado”, declarou.

Por Carla Sousa

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