Rixa entre deputados é levada à tribuna

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A rixa entre os deputados estaduais Francisco Gualberto e Venâncio Fonseca foi levada ao extremo ontem, na Assembléia Legislativa. Ambos utilizaram o espaço da tribuna para trocar críticas a respeito de assuntos como estradas, PT e política governamental. Francisco Gualberto diz que o líder do Governo (Venâncio) desqualifica papel da Assembléia Legislativa. Já Venâncio pensa que Gualberto não tem bases para criticar o Governo do Estado.

 

O problema começou quando Gualberto falou sobre a má-conservação das vias sergipanas. Venâncio respondeu ao deputado lembrando que o Governo Federal também não está cumprindo seu papel, uma vez que as vias federais são mal-conservadas. A partir daí, iniciou-se uma saraivada de argumentos de ambos os lados.

 

Venâncio utilizou a revista Veja para justificar suas críticas ao Partido dos Trabalhadores. A publicação circulou uma matéria comentando os possíveis erros do PT. “Os petistas passaram 23 anos criticando e agora têm que aprender a fazer críticas e suportar o deputado Venâncio Fonseca falar. Vou cobrar tudo, porque sou brasileiro e deputado estadual, com um mandato outorgado, para poder falar em nome dos sergipanos e fazer uma análise da política brasileira”, disse ele.

 

De acordo com o deputado, o petista Gualberto tem má vontade com o Governo de Sergipe e deve levar em consideração que o país está sendo mal-administrado pelo presidente Lula. Depois disso, comentou a administração do prefeito Marcelo Déda: “(o prefeito) fez uma maquiagem no centro da cidade, mas a periferia é uma vergonha. Mas se eu falar da capital, Gualberto diz que eu não sou vereador. Eu posso falar sobre todo o Estado e meu país”, avisou Venâncio Fonseca.

 

Veja – A matéria da revista Veja foi escrita pelo jornalista Diogo Mainardi, intitulada como “O partido do tapa-tudo”. Através das palavras do escritor, foi avaliado o comportamento do PT depois da eleição do presidente da República: “Lula vai perder em 2006 pelo mesmo motivo pelo qual perdeu as eleições municipais”. De acordo com a matéria, incluída nos anais do Legislativo por sugestão de Fonseca, “Geraldo Alckmim será eleito para o lugar de Lula e a maior preocupação é saber quem fará oposição ao futuro presidente”, diz Mainardi.

 

“Depois de quatro anos se esbaldando em Brasília, estarão desacreditados não só como governo, mas também como oposição: os petistas não poderão cumprir esse papel”, dizia a transcrição de um dos parágrafos do texto de Diogo. ‘Com Lula aposentado em São Bernardo do Campo, o partido tenderá a ser desmantelado, dando origem a uma infinidade de grupelhos parlamentares, em guerra uns com outros. O risco é que Geraldo Alckmim governe sem oposição organizada”, previu o jornalista.

 

Outro lado – Após ouvir as críticas de Fonseca, foi a vez do deputado do PT demonstrar sua insatisfação. Para ele, Venâncio Fonseca, sempre que questionado sobre os problemas no Estado de Sergipe, recorre aos problemas existentes no governo Federal para responder à bancada de oposição. A “tática” seria uma forma de desviar o debate e desvirtuar o papel da Assembléia Legislativa que tem a obrigação de apontar erros e cobrar do Poder Executivo algumas ações, conforme explicou o parlamentar.

 

“Qualquer assunto nesta casa é tratado como se o Estado de Sergipe fosse apenas um apêndice do governo Federal. Se questionamos aqui os problemas encontrados na saúde, o líder do governo cita o governo Federal. Se falarmos aqui dos problemas na segurança, Venâncio fala sobre o governo Federal. Então, pergunto, para que Sergipe elegeu deputados estaduais? Para que serve a Assembléia Legislativa?”, questionou.

 

Segundo Gualberto, Sergipe tem autonomia, direito garantido a todas as unidades da Federação, para resolver seus problemas. A crítica mais forte veio quando Gualberto acusou o parlamentar de “tentar responder questionamentos sempre fazendo um paralelo entre os governos estadual e federal”, o que poderia demonstrar que “o deputado estadual Venâncio Fonseca tenta abafar a falta de planejamento do Estado, como se a Assembléia Legislativa não fosse o fórum apropriado de discussões dos problemas em Sergipe”, complementou.

 

Sugestões – “O líder do governo parece ter encontrado um único remédio para curar todas as coisas. Para azar do povo, contudo, o remédio não cura. Ao contrário: faz adoecer o povo sergipano, que continua a sofrer as mazelas. O remédio do deputado Venâncio Fonseca nem genérico é. É falsificado”, disse.

 

A sugestão oferecida por Francisco Gualberto ao líder do Governo foi a de que, “ao invés de somente tentar culpar ao Governo Federal por tudo de ruim que acontece em Sergipe, o Governo do Estado fizesse de forma correta o exercício de casa, invertendo prioridades. Ao invés de gastar, segundo o Ministério Público, mais de R$ 15 milhões em propaganda, por exemplo, o governador João Alves Filho poderia recuperar as estradas da Rodovia João Bebe Água ou do trecho que liga Nossa Senhora de Lurdes a Canhoba”, cobrou.

 

Por Wilame Amorim Lima

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