Santa Maria: desabrigados fazem protesto

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No Vitória do Santa Maria desabrigados dizem que só deixam o local para casas
No limite, essa é a situação das famílias que permanecem abrigadas nas escolas Vitória do Santa Maria e Laonte Gama, localizadas no bairro Santa Maria, zona sul da capital sergipana. No início da tarde desta sexta-feira, 23, as famílias que estão alojadas nas escolas por conta das chuvas que caíram nas últimas semanas perderam a paciência e afirmaram que não vão deixar os abrigos.

Há 15 dias abrigado no Colégio Laonte Gama com a esposa e mais três filhos, José Hamilton de Souza, afirma que na manhã desta sexta-feira, 23, os desabrigados foram informados que teriam que deixar o local. “Quem eles pensam que somos, chegam aqui e dizem que a gente tem que sair de qualquer forma. Então eles vão tirar todo mundo

Mãe mostra o corpo da filha coberto por picadas de insetos e alergia
aqui a força, porque não temos para onde ir. Minha casa está perdida”, diz Hamilton, ressaltando que não aceita a alternativa apresentada pela prefeitura.

“Agora veio aqui uma equipe dizer que a gente tinha várias alternativas como ir para casa de parentes, vizinhos, amigos ou voltar para casa porque eles iam dar materiais de construção para reconstruir as casas, mas como vamos consertar as casas em um lugar daquele que quando chove alaga tudo?”, reclama.

Mãe de cinco filhos e com uma recém nascida de dois meses, a dona de casa Débora dos Santos, reclama que está esquecida. “Minha filha está cheia de picadas de insetos e com uma alergia muito grande, não sei o que vou fazer. Não acho justo que eles venham agora e digam que a gente deve deixar a escola. Entendo que as crianças precisam ter aula, mas e a nossa situação? Quem vai fazer alguma coisa por nós?”, questiona.

No Laonte Gama famílias dizem que não deixam o local
Muito nervosa a dona de casa desabafa. “A prefeitura está pagando hotel e aluguel de mais de R$ 600 para os ricos e para nós, e os pobres o que eles vão fazer? Só vamos sair daqui para uma casa própria”, afirma Débora.

Na Escola Vitória do Santa Maria, o clima não foi diferente. As famílias se reuniram em frente ao abrigo e disseram que só vão deixar o local para casas próprias em um local seguro.

Segundo a coordenação da Secretaria Municipal da Assistência Social (Semasc), que atua na Escola Vitória do Santa Maria, até a última quarta-feira, 21, 123 famílias estão alojadas na escola. Dessas 163 são crianças, 31 adolescentes e 190 adultos. Com relação à Escola Laonte Gama nenhum responsável foi encontrado para esclarecer o número

A manicure Othais com a família
de famílias que estão no local.

Conflitos

Com tantas famílias juntas os conflitos entre os desabrigados são constantes. Isso foi o que aconteceu com a manicure Othais da Silva Esmerin que foi obrigada a deixar a Escola Laonte Gama onde estava há cerca de 15 dias por conta de uma briga. “Fui humilhada e depois tive que deixar o abrigo, agora não tenho para onde ir, estou recém parida e ninguém teve respeito por mim”, diz a adolescente de 16 anos que é mãe de dois filhos.

“Sou moradora da Prainha e não tenho condições de voltar para meu barraco, tudo está destruído. Ninguém quer ficar em um lugar sendo humilhada e ofendida, mas não vou ficar na casa da minha mãe porque tenho família e não me dou bem com meu padrasto”, lamenta Othais.

Sobre a situação das famílias abrigadas a coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), do Santa Maria, Renata Fagundes, negou a informação de que a Secretaria Municipal da Assistência Social (Semasc) vai retirar as famílias a força. De acordo com Renata Fagundes a Semasc tem estudado algumas alternativas para as famílias.

“A secretária juntamente com a prefeitura vai avaliar cada caso para saber se existem casas que podem ser consertadas para que se possa fornecer o material de construção para fazer os reparos, mas para isso, será necessária uma vistoria da Defesa Civil para saber se o local tem condição de ser habitado, por enquanto a orientação é aguardar para saber que tipo de ação será tomada pela prefeitura”, explica Renata Fagundes.

Com relação à situação da manicure Othais, a coordenadora esclarece que a responsabilidade de acolher a família é da mãe da garota. “Por mais que ela tenha família, ela é adolescente e a responsabilidade de tomar conta dela é da mãe. Por isso, ela será encaminhada para a casa da mãe dela”, disse.   

Por Kátia Susanna

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