Santa Maria: moradores aguardam conclusão de obras

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Na rua 33, esgoto faz parte do dia-a-dia dos moradores (Fotos: Portal Infonet)

Acúmulo de água dificulta a circulação no bairro

Antônio Sérgio: mangueira para conter a poeira

“Eles esqueceram que aqui mora gente”. É desta forma que a comerciante Sandra Cristina, residente no bairro Santa Maria, descreve o sentimento da comunidade local em relação ao poder público. Segundo os moradores, lixo, lama, esgoto e insetos fazem parte do cotidiano na região, que sofre ainda com a precariedade do transporte público e as más condições de acesso ao bairro. Para a população, as obras em curso no local não dão conta de atender as diversas demandas, e a espera por mudança continua.

Para Sandra, a falta de estrutura no Santa Maria trouxe prejuízos financeiros. “Tenho uma banca de acarajé e batatinha frita, e vendia perto da minha casa, na rua 33. Mas o mau cheiro, a lama e a sujeira do esgoto espantaram a clientela, aí eu tive que parar de vender. A gente já procurou a Prefeitura para tentar resolver o problema. Eles vêm, dão uma olhada e tudo continua na mesma”, diz.

A família da aposentada Ecília Nunes, também residente da rua 33, já sofreu problemas de saúde em decorrência do esgoto, que escorre pela via. “Minha neta vive gripada, e as crianças tem diarréia o tempo todo. Se quando está seco já é difícil passar aqui, imagina quando chove e tudo fica alagado. Ninguém sai de casa, por que a água entra e leva os móveis. A gente precisa que o governo resolva esse problema de saneamento básico com urgência”, explica.

Antônio Sérgio Santos, proprietário de uma mercearia localizada nas proximidades da avenida Jacy Carvalho, recorre diariamente ao apoio de uma mangueira para conter a poeira da rua. “Os carros passam a toda velocidade e fazem o pó subir. Por isso, tenho que ficar molhando a rua, senão a poeira entra na mercearia e estraga todos os produtos. Isso sem contar a quantidade de gente doente, com alergia e problema de garganta. E quando chove, a rua toda fica um lamaçal”, relata.

O auxiliar de construção civil José Santos, que todos os dias vai de ônibus até o local de trabalho, destaca a dificuldade de deslocamento no bairro Santa Maria. “Parece que eles pegaram os piores ônibus e colocaram para rodar aqui. Os carros são todos quebrados, e como as ruas são de terra batida, cheias de buracos, a situação só faz piorar. A gente até gosta do lugar onde mora, mas não tem um morador que não tenha do que reclamar aqui”, expõe.

Obras

Desde 2010, um recurso da ordem de R$ 10 milhões tem sido investido para a reestruturação do bairro Santa Maria. A verba é proveniente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e o projeto é uma parceria entre governos Federal, Estadual e Municipal. O investimento é voltado aos conjuntos habitacionais Padre Pedro e Governador Antônio Carlos Valadares, e se propõe a realizar a segunda fase das obras de infraestrutura no bairro, abrangendo mais de 100 vias.

Placas indicam a realização de obras do PAC

Asfaltamento não é suficiente, alegam moradores

Para moradores, acesso ao bairro é uma das dificuldades diárias

Apesar do recurso e das obras, os moradores acreditam que o projeto não dá conta das necessidades do local. “Todo mundo sabe que isso é só um paliativo. Eles colocam uma camada fina de asfalto só para o pessoal pensar que estão fazendo alguma coisa. O tráfego aqui é pesado, e daqui a alguns dias essa pista vai encher de buraco. Estão substituindo um problema por outro”, opina Antônio Sérgio, em cuja rua estão sendo realizadas obras de asfaltamento.

Para a conclusão da segunda fase do projeto, foi fixado um prazo de 340 dias a partir de maio de 2010. Dados do Ministério de Planejamento informam que a data de referência para a entrega das obras se encerrou em dezembro de 2012, segundo consta na página oficial do PAC na internet.

Emurb

Em nota, a Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) esclarece a dinâmica das obras em curso no bairro Santa Maria e apresenta a motivação para o atraso no prazo de entrega. “O amplo projeto de infraestrutura do conjunto Padre Pedro, que compreende a implantação das redes de esgoto, água, drenagem, terraplenagem e pavimentação, está sendo realizado de forma coordenada com o Governo do Estado, por meio da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso). A iniciativa foi dividida em duas fases. A primeira compreende os serviços no subsolo com a implantação das redes de água, esgoto e drenagem pela Deso. Já a segunda, é iniciada após a conclusão dessa primeira fase, compreende as obras de terraplenagem e pavimentação executadas pela Emurb.

No momento estão sendo finalizadas as obras em ambos os conjuntos, faltando apenas que a Deso conclua alguns serviços na localidade. Os atrasos nas obras são decorrentes de rescisões contratuais que aconteceram no decorrer dos serviços. A Emurb rescindiu três contratos e a Deso, um. A Prefeitura de Aracaju está trabalhando para que essas obras sejam concluídas o mais breve possível, mas vale ressaltar que, nesse período de chuva, os serviços ficam comprometidos porque são obras de escavações e é necessária muita cautela para não desestabilizar os terrenos. A cada dia de chuva é necessário ter três dias de sol para trabalhar com terraplenagem”.

Deso

A reportagem do Portal Infonet contatou a assessoria de comunicação da Deso no último dia 24, solicitando esclarecimento a respeito das obras no bairro Santa Maria. Após espera de cinco dias e novos contatos via telefone, a assessoria não forneceu resposta. Continuamos à disposição através dos contatos (79) 2106 8000 e jornalismo@infonet.com.br.

Por Nayara Arêdes e Kátia Susanna

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