SE pode ser o mais afetado pela seca do São Francisco

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Rio São Francisco (Foto: Arquivo Portal Infonet)

A nascente do Rio São Francisco secou pela primeira vez na história. O fato foi divulgado em setembro deste ano e vem preocupando estudiosos da área. O rio abastece vários estados brasileiros, dentre eles Sergipe, que também pode ser afetado, caso a crise do São Francisco não seja contornada. É o que informa o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

“A seca da nascente do São Francisco é apenas um indicativo dos problemas que teremos daqui para frente na bacia”. A afirmação preocupante vem do presidente do Comitê, Anivaldo Miranda. Ele indica que, mesmo que o período chuvoso retorne, o São Francisco ainda pode estar em perigo.

“É claro que a com a chegada do período úmido, lá para março e abril, as chuvas restauram a normalidade. Mas a seca deste ano é um alerta claro de que, a partir de agora, as estiagens serão mais prolongadas e as chuvas mais concentradas no futuro”, disse o presidente.

Para Anivaldo, o fato pede certa ponderação para o país inteiro, principalmente no sentido econômico. “Isso exige uma reflexão e uma abertura para as mudanças que precisamos fazer nas matrizes energéticas e agrícolas. Esses aspectos terão que mudar”, explica.

Anivaldo Miranda é presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco 

Sergipe

Localizado na região Baixo São Francisco, Sergipe também é afetado pelo que acontece no rio e em sua bacia. De acordo com Anivaldo, junto à Alagoas, o estado sergipano está localizado na região mais afetada pelos problemas no São Francisco.

O presidente do Comitê afirma que a situação é preocupante. “Sabemos que o país precisa gerar energia, sabemos da importância das hidrelétricas. Mas é preciso entender a importância do rio para além desse papel”, disse Anivaldo. “É preciso que seja feito um reequilíbrio da situação. Com o uso ostensivo e desordenado do rio, poderemos estar comprometendo seriamente o futuro”, completa.

O especialista lembra que a sociedade já sofre as consequências dos problemas do Rio. “A navegação em SE praticamente deixou de existir. Apenas a navegação de pequeno porte e mesmo assim os pontos de travessia estão apresentando problemas. As balsas estão encalhando, causando prejuízos para embarcações. Pescadores artesanais estão preocupados, abandonando suas atividades”, explicou Anivaldo.

Meio Ambiente

Para o especialista, apesar de todos os reveses causados pelos problemas do rio, um não tem preço: a degradação ambiental. De acordo com Anivaldo, a biodiversidade do Baixo São Francisco, onde SE está localizado, está detonada.

“Espécies de peixes endêmicos, como surubim e piau, não são mais encontrados. Essa detonação não tem custo. Os rios estão assoreados e a água do mar penetrando cada vez mais”, disse Anivaldo. “Os nutrientes já não circulam naquele ecossistema, isso empobrece muito a vida no rio. E isso afeta os grandes afluentes do São Francisco em MG”, completou.

O Comitê é dividido de acordo com as regiões do rio: Ato, Médio, Sub-Médio e Baixo São Francisco. Anivaldo conta que a ideia atual é discutir entre todas as regiões as questões fundamentais que dizem respeito à Bacia do SF. “Precisamos discutir o assunto. O Brasil está deixando de fazer muitas coisas. Se não der importância, vai ser muito difícil sair da crise”, contou.

Por Helena Sader e Raquel Almeida

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