Secretário da SSP diz não vai deixar que o Pantanal vire o RJ

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O secretário da SSP, João Eloy
Essa semana a população sergipana ficou assustada com o caso de uma família que ficou refém de traficantes durante três dias na invasão do Pantanal, localizada na zona sul da capital. Além de cárcere privado a família sofreu espancamento e só conseguiu ser resgatada após um aposentado de 65 anos ter sido baleado. De acordo com moradores, a violência é imposta pelos traficantes que expulsam famílias do local e tomam casas e pertences.

O Secretário de Segurança Pública, João Eloy, falou sobre o assunto e foi enfático ao dizer que não irá permitir que o Pantanal vire o Rio de Janeiro e que traficantes imponham o medo no local. “A parte da polícia vai ser feita, não vou deixar que o Pantanal vire um Rio de Janeiro. Não vou deixar que ali se torne um lugar em que polícia não entre”, disse o secretário ressaltando que tem conhecimento do assistencialismo que o tráfico impõe naquela comunidade.

A invasão do Pantanal
“Mesmo que eles aleguem que o tráfico presta assistência social, vamos colocar policiais naquele local. Porque isso comigo não funciona, não. Para a parte social o governo tem a secretaria da inclusão social e as prefeituras também têm. Não vou deixar que ali tenha toque de recolher, a polícia vai entrar lá sim. Enquanto estiver na secretaria não vou deixar que bandido tome conta dali e nem de outro lugar de Sergipe”, garante João Eloy.

A família que ficou refém dos traficantes chegou a denunciar que, ao ligar para o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), não teve a ocorrência atendida porque foram orientados a procurar uma delegacia. O secretário disse que poderá abrir um procedimento para apurar o caso.

“Se isso ocorreu está errado, a orientação para o Ciosp não é essa. Ao ligar para o 190, tem que mandar a viatura mais próxima do local, não existe essa orientação de mandar procurar uma delegacia. Quando soube do caso liguei para o coronel Iunes que disse que o Ciosp não tomou conhecimento disso. Mas pode até ter chegado ao Ciosp e a pessoa não ter mandado, mas se ligou para o 190 fica gravado e um protocolo é gerado”, alerta.

IML
IML

Em entrevista no Portal Infonet o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Avercílio Bezerra, admitiu que  alguns exames de DNA são realizados por um laboratório de Salvador e que chegam a demorar mais de um ano para receber o resultado. “Têm alguns exames de DNA que não podem ser feitos aqui e precisam ser feitos em outro Estado, como na Bahia por isso que existe essa demora. O que queremos no futuro é que a gente possa fazer esses exames aqui no nosso Estado”, falou João Eloy.

O secretário completou dizendo que a construção do novo IML já está autorizada pelo governador. O novo instituto será no município de Nossa Senhora do Socorro, uma obra avaliada inicialmente em R$ 10,5 milhões.

“Essa obra será feita com recursos próprios, os recursos já estão garantidos. Esse projeto já esta na Cehop. O importante ali não é somente retirar o IML do lugar atual, mas é a reestruturação de toda Coordenadoria de Polícia Técnica. Mas o novo IML só vai funcionar quando for realizado concurso para peritos e criminalistas para que as pessoas cheguem ao IML e não sejam constrangidas de ficar esperando um médico”, disse o secretário da SSP, ressaltando que com a reestruturação do instituto muitos exames de DNA serão feitos fora em Sergipe.

Drogas
Tráfico de Drogas

O número elevado de apreensões de drogas em Sergipe tem chamado a atenção da população, principalmente com a invasão do crack. O secretário admite que a droga que entra em Sergipe tem relação com traficantes do sudeste do país.

“A droga entrou em Sergipe e quase todas as apreensões que a gente tem feito aqui, quase 99%, são drogas que têm relação com o PCC. As apreensões são fruto de um trabalho que a gente vem realizando usando a divisão de inteligência para identificar esses traficantes que estão nos presídios sergipanos”, esclarece João Eloy.

O secretário lembra que a preocupação é com relação às fronteiras do Estado. “Outra preocupação que é uma determinação do governador é controlar as nossas fronteiras, já estou com um novo comandante do interior que é o coronel Magno que tem a prioridade de controlar as nossas fronteiras. Porque não adianta a gente apreender as drogas na Grande Aracaju e as fronteiras estarem abertas”, fala.

A população reivindica policiais nas ruas
Aumento do efetivo

Uma das reivindicações da população é com relação ao número de policiais nas ruas da capital sergipana. Por conta da falta da presença constante de policiais os furtos a Casas Lotéricas, estabelecimentos comerciais e pedestres têm causado medo.

“O aumento do efetivo policial passa por um trabalho de reestruturação da própria Companhia de Policiamento Rodoviário [CPRV]  que a gente quer dar um caráter de polícia ostensiva e não só como guarda de trânsito. Essa é a missão do coronel Magno que é criar uma nova filosofia dentro da própria CPRV para ter esse controle no nosso Estado”, destacou.

Outro ponto que o secretário falou foi sobre a reivindicação dos policiais militares de não realizarem trabalhos dentro de delegacias. João Eloy afirmou que a reivindicação é justa e que civis e militares não foram treinados para tomar conta de presos. “Lugar de preso não é em delegacia, mas no presídio. Quem deve tomar conta de preso é o agente penitenciário e não o policial militar e nem o civil”, enfatiza.

Concurso

O secretário disse que existe a necessidade de um concurso para a polícia e que aguarda a liberação do governo, mas deixou claro que a prioridade é para a polícia civil. “Existe a necessidade de concurso tanto para a policia militar quando para civil, mas a prioridade é para a polícia civil porque ocupando as delegacias do interior teremos policiais militares nas ruas trabalhando. Mas a segurança pública vai funcionar de forma integrada entre civis e militares porque na secretaria não existe lugar para capricho”, diz.

Por Kátia Susanna

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