Servidora da Guarda Municipal diz sofrer perseguição

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Crécia Maria exibe o processo administrativo a que responde
Uma manhã de reivindicação trabalhista decorreu em dor de cabeça para a servidora municipal Crécia Maria dos Anjos. Ela acusa o major Edênisson Paixão, comandante da Guarda Municipal de Aracaju, de perseguição e assédio moral. O motivo: a instauração de um processo administrativo, em 11 de fevereiro, em que ele pede a apuração dos motivos que levaram a servidora a faltar ao posto de trabalho no dia 8 daquele mês.

Crécia, por outro lado, afirma que participava da paralisação dos guardas municipais. A categoria manifestava o desagrado com o reajuste salarial oferecido pelo prefeito Edvaldo Nogueira e a ampliação da carga horária de 30 para 42 horas semanais.

“Participei da manifestação como qualquer servidor, mas fui abordada pelo major questionando minha presença, me intimidando – o que acredito ser assédio moral. Já faltei ao serviço outras vezes, descontaram em folha e nunca fizeram maiores questionamentos. Agora estão me investigando. Só pode ser intimidação”, denuncia Crécia Maria.

Paralisação ocorreu em 8 de fevereiro e criticava reajuste salarial da Prefeitura

Ela endossa a acusação apontando o fato de trabalhar diretamente com o major, na Central de Monitoramento da Guarda Municipal, e a atitude ter sido interpretada como afronta. “Nenhuma outra pessoa está sendo investigada pelo mesmo motivo”, acrescenta. ‘Punições’ para guardas municipais, de acordo com Crécia, são freqüentes. “Muitas vezes eles acabam mandando agentes para postos sem condição nenhuma de trabalho, como punição por alguma coisa”, revela a servidora.

Crécia Maria foi filiada ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) – o mesmo a que pertence o prefeito Edvaldo Nogueira – até 2003, quando o deixou, por divergir do rumo ideológico que a organização tomava. Nesse aspecto reside outra possibilidade de explicação quanto ao que acontece. “Isso só pode ser resquício dos embates que tive no partido. Nunca tomei a frente do sindicato, só participo dos atos como qualquer servidora”, afirma.

O major Edênisson nega que haja perseguição à servidora (Foto: Arquivo Infonet)

“Não imaginei que um grupo de esquerda, que combateu tais atitudes quando elas eram praticadas por outros grupos, agora adote a mesma postura”, lamenta a guarda municipal.

Prejuízos

Caso seja julgado procedente, o processo administrativo a que Crécia responde pode limitar o crescimento dela no funcionalismo público. Todo o procedimento pode durar até dois anos. “Você fica com a carreira paralisada, sem direito às promoções, perde o direito à Bolsa Formação [do Ministério da Justiça] e, como resultado, pode receber uma suspensão, advertência ou até ser exonerado”, explica.

Falta injustificada

Procurado pelo Portal Infonet, o major Edênisson Paixão negou que haja qualquer tipo de perseguição à servidora. O processo administrativo, segundo ele, foi instaurado por uma falta injustificada. “Ela participou de uma manifestação que não lhe dizia respeito. A paralisação era dos agentes da SMTT [Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito]. A Guarda Municipal trabalhou normalmente, ela foi a única que faltou”, explica.

De acordo com Edênisson, por ser apenas objeto de apuração, o processo não pode ser tomado como intimidação, pois é a primeira vez que Crécia responde ao procedimento. “É um erro que ela cometeu. Se ela for punida, a depender da sanção, haverá dano. A gente só responde [a um processo administrativo] quando faz algo errado”, acrescenta.

Por Diógenes de Souza e Carla Sousa

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