Socorro é o 2º município em número de casos de violência doméstica

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Reunião para implementação de uma rede de proteção a mulher  aconteceu em Socorro (Foto: Portal Infonet)

Nossa Senhora do Socorro é o segundo município sergipano com mais casos de violência contra mulher. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP/SE), em 2018 foram registrados 634 casos de violência doméstica, esse ano o número já chega a 353. Diante dessa situação, o Ministério Público Estadual (MPE) convocou os órgãos municipais para que o Projeto Salve Mulher, que funciona como uma rede de assistência que atua no enfrentamento dessa realidade, seja implementado. A reunião aconteceu na manhã desta terça-feira, 16.

De acordo com a promotora pública de Nossa Senhora do Socorro, Cecília Guimarães, existem falhas na rede de assistência do município que precisam ser ajustadas para que os resultados sejam melhores e os índices reduzidos.

“Eu não diria que a rede não é suficiente, ela não está lincada, ela não está desenvolvendo um trabalho em equipe para melhor resolutividade da violência doméstica. Hoje estamos reunidos, apontando alguns problema, pedindo que juntos possamos resolver essa situação através de ideias, e que haja um ponto de contato entre os órgãos, e que dessa forma a gente possa trabalhar em conjunto”, ressalta.

Euza Missano, promotora de justiça e integrante do Centro de Apoio Operacional dos Direitos das Mulheres (CAOP) do MP/SE, explica que a entidade está visitando cidades do interior do estado, em especial os que apresentam altos índices de violência, para conscientizar os municípios a respeito da necessidade de implementar o Conselho Municipal de Defesa da Mulher e de ter uma notificação legal de violência que possa ser implementada na rede de saúde.

“A situação aqui em Socorro é preocupante, temos casos gravíssimos de violência tanto física quanto sexual, questões que precisamos trabalhar com a sociedade, porque a sociedade é parte desse projeto, e trabalhar principalmente a questão preventiva e a parte da sansão final no trabalho de reflexão, inclusive, com estes homens que estão em situação de agressão”, afirma.

Prevenção

O prefeito do município, Padre Inaldo, participou da reunião (Foto: Portal Infonet)

Para a integrante da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da OAB e da Comissão Nacional de Enfrentamento a Violência Doméstica do Instituto Brasileiro de Direito da Família (IBDFAM), Adélia Pessoa, é preciso trabalhar com os autores da agressão, mas em especial trabalhar na prevenção da violência.

“A Lei Maria da Penha é clara na parte de prevenção. As escolas têm um papel fundamental na prevenção. É preciso que se cultive a paz, porque paz e violência se aprende, mas quando a violência se estabelece, é preciso que a área da saúde, do judiciário, segurança pública e assistência social estejam atentas e trabalhem unidas”, diz.

Em Socorro, foi sancionada uma lei no mês de junho que autoriza nas escolas municipais a implementação de disciplinas que trabalhem a questão da violência. “A partir de agosto vamos implantar na educação, não só numa disciplina, mas em todas as matérias. Os professores vão ser capacitados, e essa capacitação dará condições para que todas as matérias trabalhem em cima dessa estatística de grande violência doméstica em Socorro”, afirma o prefeito do município, Padre Inaldo.

Por Karla Pinheiro

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