Tiro na Vaquejada: SSP indicia PM que atirou no jovem em Brejão

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Willian foi atingido por tiro de arma do PM e morreu no local (Foto: Arquivo da família)

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) encerrou as investigações, entendendo como homicídio doloso [que houve crime] o caso ocorrido durante a vaquejada realizada em Brejão, no município de Brejo Grande, no dia 12 de agosto deste ano, que culminou com a morte do jovem José Willian de Oliveira Pereira, 23, atingido por tiro originado da arma de um policial militar. Descartando, portanto, a possibilidade de legítima defesa ou tiro acidental.

Katarina Feitosa: tiro pelas costas (Foto: Portal Infonet)

O policial militar Wesdgley de Oliveira Rodrigues foi indiciado e responderá judicialmente por homicídio doloso, conforme informações da delegada geral da Polícia Civil, Katarina Feitosa. A delegada explica que a conclusão pelo indiciamento do PM tem por base o laudo cadavérico fornecido pelo Instituto Médico Legal (IML). Neste laudo, ficou claro que o jovem foi atingido pelas costas, segundo a delegada. “No bojo da investigação, o presidente do inquérito [delegado José Aciolly] entendeu que houve incongruências no depoimento do policial militar”, explica a delegada.

O policial militar informou ao Comando Geral da PM e manteve a sua defesa ao ser ouvido no inquérito policial instaurado pela SSP, assegurando que teria ocorrido uma luta corporal entre ele e o jovem e que a vítima teria tentado tomar a arma dele, momento em que o tiro foi disparado acidentalmente e atingido a parte da frente da cabeça do jovem. Versão combatida na investigação da Polícia Civil. “No laudo pericial, ficou constatado que o tiro foi por trás. O orifício de entrada foi pela parte posterior do crânio. Então, a versão do policial não foi confirmada”, destacou Katarina Feitosa, em entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira, 21, justificando o indiciamento do PM.

Afastado da função

O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Poder Judiciário. O Ministério Público ainda não se manifestou sobre a questão. Portanto, o PM ainda não figura como réu neste processo, que já está registrado no Poder Judiciário. Paralelamente, o caso também está sendo investigado pela corporação militar, que instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) porque o policial indiciado estava trabalhando no policiamento ostensivo durante a vaquejada.

O major Fábio Machado, chefe da 5ª Seção da Polícia Militar [setor responsável pela comunicação social da corporação], informou que o IPM ainda não foi concluído. Ele disse que o Comando Geral da Polícia Militar aguardará a conclusão do processo judicial para então se manifestar.

A delegada Katarina Feitosa informou que a Polícia Civil não solicitou a prisão preventiva do PM porque ele não atrapalhou a investigação. Segundo o major Machado, o policial continua afastado da função e está cumprindo expediente realizando atividade administrativa. O Portal Infonet tentou ouvi-lo, mas o major disse que não teria condição de localizá-lo nesta sexta-feira, 21.

O Portal Infonet permanece à disposição do policial militar. Informações podem ser enviadas por e-mail jornalismo@infonet.com.br ou por telefone (79) 2106 – 8000.

Entenda o caso

O jovem José Willian participava de uma vaqueja quando ocorreu uma confusão já no final do evento no povoado Brejão. Os policiais militares agiram e o jovem foi atingido pelo tiro e chegou a ser encaminhado para uma unidade de saúde, mas não resistiu. Há informações que o rapaz teria sido colocado em uma viatura da Polícia Militar, que atolou no meio do caminho e foi abandonada em uma área margeada por manguezal. A família do jovem nunca acreditou na versão do policial militar e clama por justiça.

O episódio gerou revolta na cidade. No dia seguinte à morte do jovem, a comunidade realizou uma manifestação na cidade de Brejo Grande, fechando os principais acessos com pneus queimados e a Delegacia de Polícia Civil foi atingida por pedradas.

Por Cassia Santana

A matéria foi alterada às 12h12 para acréscimo do nome do policial militar indiciado no inquérito
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