Brejão: irmã diz que PM mandou vítima correr e atirou pelas costas

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José Willian: morte violenta aos 23 anos (Foto: Arquivo da família)

“Ele pediu para meu irmão correr e meu irmão correu para não apanhar mais e aí ele atirou duas vezes. Um tiro pegou na perna e o outro na nuca na parte de trás”. Os detalhes são revelados por Solange Maria, irmã do jovem José Willian de Oliveira Pereira, 23, morto com tiro originado da arma de um policial militar na noite do domingo, 12, em confusão ocorrida na vaquejada realizada no povoado Brejão, no município de Brejo Grande.

Viatura encontrada no povoado Saramém (Foto que circulou em redes sociais)

O advogado Abrahão Oliveira Lima, primo de José Willian, faz outras denúncias. Ele diz que a viatura utilizada pelos policiais militares para prestar socorro a Willian depois que ele foi baleado foi encontrada abandonada, misteriosamente, no povoado Saramém, naquela região. Segundo o advogado, a comunidade local encontrou o veículo e passou as imagens pelas redes sociais. Trata-se de um Gol, de placa QKR – 3616, de Aracaju, todo caracterizado com adesivos da Polícia Militar de Sergipe, a serviço da 5ª CIPM.

O advogado diz que a família “rodou” cerca de três horas na região para então localizar o corpo no Hospital Regional de Propriá. A versão que chegou à família, apresentada por pessoas que estavam no local da ocorrência, segundo o advogado, indicam que o jovem Willian, depois de baleado, teria sido arrastado por policiais militares até a viatura, a mesma que teria sido encontrada abandonada no povoado Saramém. “Tudo isso é muito estranho. Estamos aguardando uma resposta da Polícia Militar e da Polícia Civil”, diz o advogado. “Não queremos condenar toda a Polícia Militar, queremos que o policial responsável seja punido”, resume.

Versões conflitantes

Os familiares de José Willian discordam e criticam a versão apresentada pelos policiais militares descrita pelo major Fábio Machado, chefe da PM5 [setor responsável pela comunicação social da corporação militar], indicando que a vítima teria tentado tomar a arma do policial e o disparo acidental ocorrido durante uma suposta luta corporal entre eles. “Eles dizem o que querem dizer. É a palavra dele contra a do meu irmão, que está morto e não pode se defender”, desabafa a irmã da vítima, Solange Maria.

Solange Maria relata que a família está desestruturada e muito abalada em consequência daquele episódio que chocou a comunidade de Brejo Grande. “Meu irmão não era marginal. Ele só pediu para os policiais não prenderem o amigo dele porque não tinha motivo para tanto”, disse. Segundo revelou, no momento em que o jovem intercedeu para evitar a prisão do amigo, o policial teria partido em cima dele com agressões. “Ele bateu no rosto do meu irmão e ainda o agrediu com chutes e depois mandou meu irmão correr”, narrou. “Meu irmão correu para não apanhar mais, ele [o militar] então atirou duas vezes, na perna e o outro atingiu a nuca por trás”, desabafou.

A família apenas clama por justiça, segundo Solange Maria. “Queremos apenas que ele [o policial] assuma que errou. Ele atirou em meu irmão sem dó nem piedade”, diz, confessando que na cidade há muitos boatos em torno deste episódio. “Meu irmão não era marginal. Se meu irmão fosse marginal, a população de Brejo Grande ia fazer aquela manifestação?”, questiona, fazendo referência ao protesto realizado na segunda-feira, 13.

Investigação

O major Fábio Machado não confirma que a viatura encontrada no Saramém teria sido abandonada. Segundo o major, a viatura teria ficado enganchada na vegetação e necessitou de guincho para ser retirada do local. O major diz que a PM ainda não sabe precisar se efetivamente teria sido aquela viatura utilizada pelos policiais militares para prestar socorro à vítima. “Tudo isso será objeto de investigação”, diz.

O major Fábio Machado informou ainda que o Comando Geral da PM designará o oficial que conduzirá o Inquérito Policial Militar, a ser instaurado pela corporação para investigar o episódio.

A morte de José Willian também está sendo investigada pela Polícia Civil. De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública, o delegado José Luiz Aciolly já começou a ouvir as pessoas que estavam na festa e que teriam presenciado a cena.

Por Cassia Santana

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