O crescente número da população tem aumentado consideravelmente o número de veículos nas ruas. O desafio para os órgãos de trânsito tem se tornado complexo, pois além dos veículos particulares, ônibus, táxis, motos, existem muitos transportes irregulares e clandestinos na zona metropolitana de Aracaju. Em um dia comum, por exemplo, a Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT) chega a registrar 8.334 veículos na Avenida Beira Mar no horário das 9 horas da manhã. Para a auxiliar de biblioteca Rosângela Teixeira, o caminho entre o trabalho e sua casa é mais curto e demora cerca de 30 minutos. “Todos os dias eu pego apenas um ônibus para ir para o trabalho, só pego um ônibus e demoro cerca de 30 minutos. Eu gosto do sistema de terminais que temos. Eles são bons porque você só paga uma passagem, mas a qualidade ainda fica devendo”, destaca.
Fundada no ano de 1855, Aracaju foi desde o início uma cidade planejada, com o projeto desenvolvido pelo engenheiro Sebastião Basílio Pirro, sua planta se assemelha a um tabuleiro de xadrez. De forma igual com o passar dos anos, o trânsito da cidade e a mobilidade também foram planejados, mas atualmente existe um grande desafio que é diminuir os congestionamentos que se tornam cada vez mais freqüentes. Investimento no transporte público é um consenso entre os especialistas (Foto: SMTT)
A locomoção que tempos atrás demorava poucos minutos, por conta do grande número de veículos nas ruas tem se tornado cada vez maior. Segundo Raimundo Lima, que utiliza o transporte público para ir ao trabalho diariamente, o tempo gasto com transporte é excessivo. “Eu tenho que pegar dois ônibus para ir ao trabalho, o trajeto chega a demorar uma hora, quer dizer, ir e voltar são duas horas que gasto no meu dia dentro de um ônibus. Então eu gostaria de encontrar mais ônibus com ar condicionado, porque em dia de calor eu já chego suado no emprego”, conta. Terminais integrados facilitam locomoção (Fotos: Portal Infonet)
Planejamento
O professor de planejamento e geografia urbana da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Antônio Carlos Campos explica que a partir do final dos anos 70 e início dos anos 80, Aracaju começou a modificar a feição das vias urbanas. Antônio Carlos destaca o planejamento urbano
“O planejamento executado em Aracaju foi com base na experiência de Curitiba. Então, o arquiteto e ex-prefeito Jaime Lerner foi convocado na época pelo então prefeito João Alves para fazer o planejamento urbano de Aracaju. Mas o que se deve destacar é que a cidade era pensada unicamente em Aracaju. Somente no início da década de 90 é que o planejamento urbano das vias e das conexões da capital foi pensado para a grande Aracaju, o chamado na época do aglomerado urbano”, conta o docente.
Um ponto importante que o professor levanta é a grande concentração do trânsito no Centro da cidade. “Existe um problema grave que é a concentração do transporte em chegar ao Centro da cidade provocando um caos. A figura do estacionamento é muito importante para o futuro do Centro da cidade, é fundamental que haja investimento neles, pois você libera as vias para a passagem dos ônibus o que torna o transporte mais rápido e diminui o congestionamento na região e adjacências”, acrescenta.
Segundo o arquiteto Júlio Santana da SMTT, a Prefeitura de Aracaju vem buscando dar prioridade ao transporte público, pois não existe outra solução para os congestionamentos. “Além de constantemente a Prefeitura melhorar a qualidade dos ônibus, também temos incentivado o uso do transporte alternativo como a bicicleta. Aracaju já conta com uma razoável malha de ciclovias com 71 km o que em médio prazo pode contribuir para a diminuição do número de automóveis nas ruas”, aponta. Júlio fala sobre o projeto de reordenação do trânsito
Júlio conta que a o município está formulando um edital para a contratação de estudo de mobilidade em parceria com o Ministério das Cidades. “Existe um estudo que será voltado para o Centro de Aracaju através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das cidades históricas. Esperamos com esse estudo ter a possibilidade de resolver o problema do trânsito no Centro”, informa.
Táxis X Ônibus
O número de táxis cadastrados na SMTT em Aracaju já ultrapassa os dois mil, um aliado no transporte de passageiros, o problema começa quando o sistema de transporte de Aracaju passa a ser invadido constantemente por táxis de outros municípios desordenando todos os pactos firmados entre as Superintendências de Trânsito e Transporte da grande Aracaju. Raimundo demora quase uma hora para chegar ao trabalho todos os dias
Pelo acordo firmado, somente podem entrar para deixar passageiros em Aracaju, 130 táxis de São Cristóvão, 366 de Nossa Senhora do Socorro e 100 da Barra dos Coqueiros. Mas existem relatos de veículos de São Cristóvão e das outras cidades que fazem ponto em Aracaju.
Segundo o professor da UFS Antônio Carlos, o grande problema é que as prefeituras não tiveram a organização para a concessão de licenças para os táxis. “A grande concessão de licenças de táxi lotação torna o trânsito um verdadeiro caos. Ao invés de criar dentro do sistema integrado, modalidades de transporte que atenda uma massa maior de população sem aumentar o número de veículos, não, os municípios deram licenças de táxi a muita gente e agora não conseguem tirar”, comenta.
Acessibilidade
Uma palavra fundamental na discussão do planejamento de qualquer cidade hoje, a acessibilidade é diretamente associada ao transporte coletivo. De acordo com o arquiteto Júlio da SMTT, o que se tem pensado para Aracaju é a introdução do chamado de Bus Rapid Transit (BRT) que significa o transporte rápido através do ônibus. Rosângela se diz satisfeita com os 30 minutos necessários para chega no emprego
“É um projeto da cidade de Curitiba que nada mais é do que uma simbiose do transporte sobre rodas, o ônibus e algumas características do transporte sobre trilhos do metrô. Nesse transporte, os ônibus são maiores e articulados ou bi-articulados, com uma capacidade maior para transportar pessoas. No embarque as plataformas são praticamente no nível do piso do ônibus, fazendo com que as pessoas, tenham uma maior rapidez na entrada e saída dos veículos. Isso tudo contabiliza no tempo de viagem, o transporte fica muito mais rápido”, diz.
Para o professor Antônio Carlos, é fundamental que Aracaju crie novas modalidades de transporte para integrar com os ônibus. “Relativamente a acessibilidade na cidade é boa. Por exemplo, você consegue atravessar a cidade em menos de uma hora e quinze minutos, mas você não tem um bilhete único que lhe dá a possibilidade de mudar de rota. Você sempre tem que ir para o terminal integrado. O microônibus, tem um preço maior. O táxi lotação tem um espaço menor, e é desconfortável, não há uma integração entre esses meios. Isso é um problema grave de uma cidade que está crescendo muito rápido”, finaliza.
Por Bruno Antunes
Portal Infonet no WhatsApp
Receba no celular notícias de Sergipe
Acesse o link abaixo, ou escanei o QRCODE, para ter acesso a variados conteúdos.
https://whatsapp.com/channel/
0029Va6S7EtDJ6H43
FcFzQ0B