Violência afasta população das praças de Aracaju

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Praça Ulisses Guimarães, no Santos Dumont e … (Fotos: Portal Infonet)

Foi-se o tempo em que as crianças podiam brincar nas praças públicas, os jovens podiam paquerar, os adultos e principalmente idosos batiam papo e jogavam baralhos e dominós. Em Aracaju, as praças foram transformadas em locais violentos, com pessoas usando drogas, assaltos a mão armada e até mesmo motéis. Moradores da periferia à zona Sul reclamam a falta de guardas municipais no sentido de retomar a finalidade real das praças públicas. A Guarda Municipal de Aracaju mantém efetivo fixo em apenas três praças. Nas restantes, as viaturas ficam fazendo rondas.

“Eu moro aqui no bairro Santos Dumont há 40 anos e nunca pensei que chegava a esse tempo em que não se pode mais nem descansar um pouco nos bancos das praças. Aqui na Praça Ulisses Guimarães, a violência está correndo frouxa. Semana passada eu estava sentado no final da tarde, quando chegaram dois jovens e ficaram me encarando. Foi quando perguntei se a praça já era deles e eles saíram. Eu não entendo como um prefeito faz uma praça e entrega aos marginais desse jeito, pois aqui não se vê um único guarda municipal”, reclama o aposentado José Augusto dos Santos.

… Praça D. José Tomaz, no Siqueira Campos são as mais violentas

Assim como o aposentado, as reclamações fazem coro em todos os bairros da capital sergipana.”A Prefeitura de Aracaju inaugurou uma das mais bonitas praças da cidade, a Zilda Arns e nós que moramos aqui no bairro Jardins não pensávamos que fossemos impedidos de aproveitar de tudo que ela oferece, por causa da violência. Até mesmo pelo dia, celulares são tomados de assalto, jovens varam a madrugada usando drogas e as crianças e idosos ficam ameaçados com a falta de segurança. Pior é que aqui do lado fica um módulo policial, mas os policiais passam de vez em quando no local”, lamenta a dona de casa, Maria Souza.

Drogas

Um dos problemas mais freqüentes e que contribuem sensivelmente para o aumento da violência nas praças públicas é o consumo de drogas. Em segundo lugar, estão os pequenos furtos e até mesmo assaltos à mão armada. São jovens que passam dia e noite amedrontando as pessoas que comparecem aos espaços públicos à procura de entretenimento e ficam sujeitas a todo tipo de violência.

“No São João, um rapaz que trabalhava no treiller aqui na praça Ulisses Guimarães, foi assassinado nas redondezas e agora no São Pedro, mais um rapaz foi assassinado, bem próximo à Praça . Alguém precisa fazer alguma coisa”, entende o Sr. José Augusto.

Carlos e Manoel dizem que Praça do Siqueira está entregue aos vândalos

A Praça Dom José Tomaz, no bairro Siqueira Campos é uma das mais movimentadas da cidade. No seu entorno, existem escolas das redes particular e municipal de ensino, igreja, supermercado, casas comerciais, bares e trailers de lanches. Ali, a violência vem tomando grandes proporções.

“Esta é uma das praças mais violentas da cidade. Um bairro movimentado como este necessita de segurança. Ninguém consegue nem passar na Praça D. José Tomaz a partir das 19h, por conta da falta de segurança, apesar de que ali na esquina tem um módulo policial, mesmo assim a marginalidade é muito grande. À noite a praça é entregue aos vândalos”, reclama o taxista Manoel Sobral. “Não tem guarda municipal, o que existe mesmo nesta praça é muita droga”, complementa o taxista Carlos Roberto Pereira.

Sem efetivo

José Augusto, reclama da insegurança na Praça Ulisses Guimarães

O coordenador da Guarda Municipal de Aracaju, major Edênisson Paixão informou que efetivos fixos são mantidos em apenas três praças. “Hoje nós temos guardas municipais diariamente na Praça da Juventude [conjunto Augusto Franco] e nas praças da Orlinha do bairro Industrial e no bairro Treze de Julho. Nas demais praças, são feitas rondas por meio de viaturas”, explica.

Ele disse ainda que as pessoas que notarem qualquer coisa suspeita, devem ligar imediatamente para o número 153 para que os guardas possam ir até o local e que o efetivo atual da Guarda Municipal de Aracaju é de 350 homens. Quanto à realização de concurso público, major Edênisson ressaltou estar aguardando autorização da prefeitura.

Para o presidente do Sindicato dos Guardas Municipais de Aracaju [Sigma], Ney Lúcio dos Santos, “a Prefeitura de Aracaju não coloca um guarda na praça porque mantém contratos milionários com empresas de vigilância terceirizadas, não se preocupando com a população. É preciso concurso público para a Guarda Municipal imediatamente”.

Por Aldaci de Souza

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