Voluntariado faz ONGs sergipanas crescerem

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Voluntários realizam festa de aniversário de crianças na Avosos (Foto: Ascom/Avosos)
Imagine um trabalho em que você não ganha remuneração alguma, mas em troca pode viver experiências significativas consigo mesmo, além de ajudar ao próximo. Em Sergipe, o crescente número de pessoas e­m trabalhos voluntários nos órgãos do terceiro setor vem mostrando a importância dessa ação dentro de instituições voltadas para pessoas com câncer.

De acordo com coordenadora do voluntariado da Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (Avosos), Jeane Vieira Melo, foram os voluntários que fundaram a instituição. “E até hoje eles viabilizam que continuemos em funcionamento nesses 23 anos de ações. Aqui, os voluntários fazem um enorme diferencial”, explica.

Com mais de 150 pessoas atuando em diversos setores na

Jeane o númeto de voluntários tem crescido nos últimos tempos (Fotos: Portal Infonet)
instituição, a Avosos começou com Maria Ruth Wynne Cardoso, conhecida como Tia Ruth e diretora-presidente da casa, realizando trabalhos voluntários. Jeane, que também é uma das fundadoras da instituição, relata que a cultura do voluntariado tem mudando muito nos últimos tempos.

“Antes se achava que para ser voluntário bastava ter boa vontade. Hoje sabemos que isso não é o suficiente. A pessoa deve estar preparada psicologicamente, além de estar comprometido com o serviço que virá a exercer. De começo da Avosos até hoje temos visto o crescente número de pessoas que vêm exercer o trabalho voluntário”, aponta a coordenadora.

Jovens

Nos últimos tempos, a juventude também tem aderido ao voluntariado. “Aqui sempre houve uma predominância de voluntários mais antigos que estão conosco desde o começo. Recentemente, também temos recebido muitos jovens que querem entrar nesse lindo universo do trabalho voluntário”, relata Jeane.

Júlia e Larissa acreditam na colaboração do voluntariado
Ela explica que muitos deles percebem que a participação em um serviço desse tipo também é muito bom para o currículo profissional. ”Mas esse é só um fator estimulador e não determinante. Esses jovens vêm realizando um trabalho muito importante aqui na Avosos. Sem contar que alguns deles são ex-assistidos da instituição. Eles gostam da casa e se tornam jovens querendo colaborar com as atividades”, acrescenta.

No momento em que o repórter do Portal Infonet visitava o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (Gacc), duas adolescentes se inscreviam para fazer parte do voluntariado da instituição. Para Júlia Nogueira Silva, 17, e Larissa Noêmia Melo Guimarães, 17, estudantes de Serviços Hoteleiros, a motivação veio a partir do incentivo da família.

“Minha avó trabalha ajudando pessoas carentes. Espelho-me bastante nisso e resolvi segui-la, mas atuando com crianças. Estava com tempo disponível e então decidi que ia ocupá-lo com algo construtivo. Quero ajudar no mínimo. Me doar sem querer nada em troca”, explica Júlia.

“Conversando com Júlia percebi que podíamos arranjar um tempo e fazer esse trabalho maravilhoso. Desde criança, minha mãe acabava ‘arrastando-me’ para esses mutirões que ajudam pessoas carentes, então já havia a vontade de fazer mais”, conta Larissa.

Amor à causa

Há quatro anos Zélia trabalha como voluntário do Gacc
Com cerca de 60 voluntários, o Gacc também atua no combate ao câncer infanto-juvenil no Estado, há 11 anos. Zélia Regina Barboza trabalha como voluntária da instituição há quatro anos e sente que o trabalho tem dado bons resultados. Ela diz que entrou nesse universo por vontade própria.

“Foi por vontade mesmo. Com esse trabalho a gente tem mais força e coragem para seguir na vida. Você ajudar o próximo e ver que seu trabalho tem resultado em coisas boas, não só para você, mas para todas essas crianças é muito gratificante”, aponta a voluntária.

Segundo ela, atuar como voluntário muitas é um constante jogo de emoções. “A gente acaba se envolvendo com todos, mas aos poucos vamos nos acostumando e sabendo lidar melhor com certas situações”, aponta a voluntária.

Humanização

Fred Gomes, supervisor de Comunicação do Gacc
Para Jeane Viera Melo, da Avosos, a função do voluntário tem progredido bastante. “Aqui na Avosos, por exemplo, o grupo de voluntários age paralelamente os trabalhos da equipe de profissionais da instituição, dando significativa contribuição às atividades da casa”, coloca.

De acordo com o supervisor de Comunicação do Gacc, Fred Gomes, sem o voluntariado a instituição caminharia a passos lentos pela causa. Os voluntários tornaram-se peças fundamentais para dar suporte às ações da casa.

“O contato do voluntário com os assistidos nos ajuda a humanizar o tratamento do câncer. Por isso sempre salientamos que o voluntário deve estar consciente de sua responsabilidade e ajudar sem querer retorno para si”, avalia.  

Por Victor Hugo e Raquel Almeida

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