A Menina dos Livros

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O livro é a primeira obra infanto-juvenil da escritora G. Aguiar (Fotos: Kátia Susanna/Portal Infonet)

Natural do município sergipano de Malhada dos Bois, aos 41 anos, a escritora e ilustradora Jeane Caldas lança o livro ‘A Menina dos Livros’, a obra que desperta o imaginário do publico infanto-juvenil e mostra o talento da professora que é apaixonada pelo universo infantil.

Graduada em letras inglês e pós-graduada em didática do ensino superior e em literatura portuguesa e brasileira, a escritora que assina em seus livros com o pseudônimo de Geane Aguiar, ou G. Aguiar, como é conhecida entre os amigos, lembra que na infância recebeu o incentivo da mãe.

Joana Luiza Caldas Aguiar, era costureira e tinha consciência da importância da educação na vida dos filhos. A escritora conta que a mãe, já falecida, incentivava que ela frequentasse diariamente uma biblioteca que ficava próxima da residência.

O resultado é que a escritora nunca se afastou da área de educação e após ter iniciado o trabalho como alfabetizadora, ter mais de 15 anos como educadora e atuar no departamento de educação técnica da Secretaria de Estado da Educação, G. Aguiar, lança ‘ A menina dos Livros. Confira o bate-papo com a escritora.

O sonho da menina que se transformou em grande escritora

Portal Infonet – Como foi o processo de construção da obra ‘ A Menina dos Livros’?

Geane Aguiar – A Menina dos Livros surgiu um dia após a criação do texto Zé Peixe, ‘O Menino do Mar’. Em uma madrugada escrevi Zé Peixe, e, na outra, A Menina dos Livros. Inicialmente, o texto ficou uns quatro meses na gaveta. Depois fiz uma nova leitura. Então percebi que ele pedia alguns acréscimos e ajustes. Pedi para dois amigos apreciarem: Antônio Carlos Viana, nosso grande contista e Adolfo Turbay, um consagrado escritor de Curitiba, autor de uns cinquenta livros, incluindo literatura infantil e romances. Para minha surpresa, os dois gostaram muito. Enviei imediatamente para várias editoras em São Paulo. Algum tempo depois, recebi duas propostas de editoras, mas acabei fechando contrato com a Editora Roda e Cia, Valinhos, São Paulo.

A escritora lembra que o incentivo a leitura partiu da mãe

InfonetO que as crianças podem encontrar no livro ‘Menina dos Livros’?

G. A. – A Menina dos livros é um infanto-juvenil de incentivo à leitura e à escrita, pois conta a história de uma menina leitora que não saía da biblioteca municipal, lendo, sonhando e escrevendo. Assim, quando cresceu, ela se transformou em uma maravilhosa escritora. O livro ainda aborda a construção e reconstrução dos contos de fadas, invertendo os papeis dos heróis e heroínas dos contos maravilhosos.

Infonet- De que forma o livro pode ser utilizado em sala de aula?

G. A. – A partir deste livro, os professores poderão explorar os contos de fadas, os gêneros textuais, a produção de texto, dentre outros conteúdos. Infelizmente, os professores das escolas públicas ainda estão muito atrelados ao livro didático e aos conteúdos gramaticais. As salas de leitura são freqüentadas timidadmente e outras não possuem um profissional responsável, para abri-las e desenvolver um trabalho de incentivo à leitura junto com o professor. O verdadeiro prazer estético literário resume-se à leitura de um texto ou fragmentos de textos em sala de aula, com a finalidade de responder exercícios. O contato das crianças com os livros ainda é muito pouco.

Professores podem trabalhar o livro em sala de aula

Infonet – Como surgiu a vontade de escrever para o público infantil?

G. A. A literatura para o público infanto-juvenil surgiu na fase adulta, aos trinta e quatro anos comecei a escrever poemas infantis.  A artista plástica Hortência Barreto foi a grande incentivadora deste trabalho. Inclusive, ela foi a primeira pessoa que leu minhas duas obras publicadas.  Antes desta fase, escrevia poesias líricas e de cunho social. Hortência mostrou-me que eu tinha mais segurança com os textos infantis. Confiei na orientação dela e segui meu caminho.

Infonet – O público infantil é exigente, como você conseguiu trabalhar o   interesse das crianças?

G. A.- Realmente, a criança de hoje é bem mais exigente, é mais seleta, pois está interagindo constantemente com outras mídias. Cabe ao autor tentar participar do seu universo e dialogar também com outras mídias. A criatividade só não basta. É necessário entender de rede social infanto-juvenil, das animações que estão em alta e que fascinam tanto este público, lê boas obras literárias destinadas às crianças. Em suma está sintonizado com o mundo infanto-juvenil.

G. trabalha no próximo livro sobre uma personagem sergipana. É aguardar e conferir! 

Infonet – Quais sãos as dificuldades para a publicação da obra?

G. A.– As dificuldades são enormes, principalmente em nosso estado que não vê a literatura de um modo geral como algo relevante. O estado não possui políticas públicas de incentivo ao livro e à leitura. As ações voltadas para a edição de livros são muito tímidas, e as autoridades preferem investir enormes somas em Festivais de Verão e outras festas. Infelizmente, livro, leitura, edições e cultura ficam sempre em segundo plano.

Infonet – Como funciona o incentivo a publicação de obras para o público infantil no país?

G. A.– As editoras brasileiras têm investido muito em literatura infanto-juvenil.  A qualidade dos nossos livros é excelente, mas o acesso às editoras ainda é muito limitado. É um processo doloroso para o autor, pois as editoras passam seis ou oito meses para emitir uma resposta para o escritor. As grandes editoras repassam em torno de 8% a 10%, enquanto as pequenas repassam apenas 5% para o autor do texto.  Entretanto, é possível entrar no mercado editorial, mas é necessário observar o interesse da editora, a relevância da temática e a possibilidade do livro transformar-se em paradidático.

Infonet – Quais serão os próximos passos como escritora?

G. A.– Estou finalizando outro livro, com previsão de lançamento para este ano. Trata-se de uma personagem sergipana que tem uma história de vida fantástica. É tudo que posso adiantar no momento.

Por Kátia Susanna

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