Autos de natal anunciam período natalino

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Auto da Igreja São Judas Tadeu
Com a chegada do período natalino, os autos de natal se constituem na principal manifestação artística da cidade. Encenados por diversos grupos e em vários locais, eles se multiplicam e acontecem em paróquias, parques e até universidades. A temática escolhida é quase sempre o nascimento de Jesus Cristo, com a encenação bíblica do acontecimento, o que desperta a emoção do público, que sempre lota as apresentações.

Um dos autos mais tradicionais da cidade acontece na concha teatral da Paróquia São Judas Tadeu, dos Frades Capuchinhos. O evento acontecerá de 21 a 27 de novembro a partir das 20h e é dividido em 11 cenas que abordam desde o anúncio do anjo até a chegada dos reis magos. A encenação será feita por 115 atores, todos escolhidos dentro da comunidade.

O pároco da Igreja São Judas Tadeu e idealizador do auto, Frei Anílson, falou dos objetivos do evento. “Esse é um momento que deve ir além do consumismo desse período. A nossa intenção é

despertar o espírito natalino nas pessoas. Natal é tempo de fraternidade, doação e amor, sempre lembrando da mensagem da fé”, falou.

Esse já é o quarto ano que o grupo teatral São Francisco de Assis encena o auto natalino da Igreja São Judas, que tem a direção artística de Cícero Bezerra e a produção de Maria Genilse Alves. Esse ano, o repertório será diferenciado, com novas músicas instrumentais escolhidas de acordo com cada cena. Em cada episódio, o bebê que representa Jesus e os personagens José e Maria serão modificados.

Auto com cultura popular

 “Tá Caindo Fulô:Auto do Deus Menino”

O grupo Imbuaça, um dos mais conhecidos do Estado, também preparou um espetáculo específico para o natal. O “Tá caindo Fulô: Auto do Deus menino” será apresentado no Parque da Sementeira dentro da programação natalina da prefeitura Municipal de Aracaju, que acontece nos dias 20,22,23,26 e 27 de dezembro.  Assim como o que será feito na Igreja dos Capuchinhos, os atores que encenam o espetáculo também são escolhidos na comunidade.

No caso do grupo Imbuaça, o espetáculo tem como objetivo mostrar a produção dos alunos que fazem parte do Núcleo de Teatro Mané Preto. A diferença da montagem realizada pelo Imbuaça consiste na mistura da temática bíblica com características da cultura popular sergipana, como São Gonçalo e ritmos africanos.

A produtora do auto “Tá caindo Fulô: Auto do Deus menino”, Isabel Santos, que também é diretora presidente do grupo, falou da ocasião como uma oportunidade de aproximar o público. “O que queremos é agradar a população, tocando a maior quantidade de pessoas possível. O Imbuaça tem a característica de trabalhar com o teatro de rua, o que faz com que o público seja sempre o nosso objetivo”, explicou.

Tradição mantida

Para a pesquisadora e folclorista Agláe Fontes o auto de natal é uma manifestação que permite uma maior participação da população e sempre possui o objetivo de passar uma mensagem. Inicialmente eles eram utilizados pela Igreja Católica com representações teatrais nas ruas com o objetivo de catequizar as pessoas.

Aglaé Fontes, pesquisadora e autora de seis autos
“O auto oferece uma dramaturgia viva sobre a história de Jesus. Ele não requer ambientes fechados, mas uma troca com a platéia. Muitos tem a ainda a peculiaridade de aproveitar os aspectos folclóricos e são encenados durante todo o ano”, falou a pesquisadora. Ainda de acordo com ela, atualmente o número de grupos que encenam esse estilo dramatúrgico é muito maior do que antigamente, o que é bastante positivo, pois preserva as tradições do nosso Estado.

Aglaé Fontes é autora de seis autos, dentre eles o “Auto do menino quilombo”, no qual todos os atores são negros. O mais recente escrito por ela chama-se “O auto da Estrela Guia” e conta a história de uma estrela que promove uma procissão com personagens da cultura popular nordestina como rezadeiras, pastorinhas e vendedores de comidas típicas para que eles encontrem o caminho da luz  na caminhada para conhecer o menino Jesus.

Por Letícia Telles

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