Clientes reivindicam sessões legendadas no Cinemark

Usuários denunciam falta de filmes legendados (Foto: Arquivo Portal Infonet)

Nos cinemas da capital, o reduzido número de sessões legendadas tem causado polêmica entre clientes. Alguns usuários chegaram a organizar um boicote à Rede Cinemark, denunciando o atendimento nas unidades de Aracaju. Entre os principais alvos de reclamação, a falta de acesso para os deficientes auditivos tem sido motivo de debate. Os lançamentos dublados causam rejeição entre os cinéfilos, que optam por deixar vazias as poltronas das salas de cinema.

Para Maíra Ezequiel, professora do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o filme dublado não apresenta os mesmos atributos do que o original com legendas. “Do ponto de vista técnico, o filme dublado modifica a percepção. A envergadura da performance do ator se perde, e a adição da dublagem modifica o áudio original do filme, que fica com baixa qualidade. Para quem tem o filme como objeto de estudo, a legenda é fundamental”, diz.

A professora explica que o aumento das sessões dubladas é uma tendência em todo o país. “O filme dublado busca atingir um público diferenciado, iletrado e formado na frente da TV. Apesar de entender essa necessidade, acredito que os exibidores não estão priorizando o cinéfilo, e sim quem só quer pagar o ingresso e comer pipoca. Não existe amor pelo cinema, e sim mera preocupação comercial”, alerta Maíra.

Nas redes sociais, clientes apoiam boicote e compartilham reclamações (Foto: Reprodução/Facebook)

O jornalista, cinéfilo e crítico de cinema Ivan Valença é radical quando o assunto é filme dublado. “Sou completamente contra. Acho que 50% de uma pessoa é a voz. Se o filme é dublado, você não consegue ver a personalidade do ator da mesma forma, ver seus trejeitos, sua impostação, sua atuação inconfundível. É o mesmo que ver um filme brasileiro dublado em inglês. Não dá para engolir”, salienta.

Coordenadora pedagógica do Instituto Pedagógico de Apoio à Educação do Surdo em Sergipe (Ipase), Kerma Lira, afirma que as denúncias são recorrentes entre os deficientes auditivos. “A gente costuma recomendar alguns lançamentos aos alunos, e, quando eles chegam ao cinema, só existe a opção dublada. Isso é motivo de muita angústia para qualquer surdo, e eles nos cobram alguma providência. Já procuramos a diretoria do Cinemark e explicamos a situação, mas eles dizem que não podem resolver, e que só a chefia da Rede em São Paulo pode fazer isso”, declara.

Reclamações

Ivan Valença: contra o filme dublado (Foto: Arquivo Portal Infonet)

A estudante universitária Manoela Veloso afirma seu descontentamento com relação ao atendimento no Cinemark Aracaju. “Aderi ao boicote e desde o ano passado não vou mais aos cinemas daqui. Além da falta de sessões legendadas, nós pagamos caro e não somos bem atendidos, por que a Rede não se importa com a satisfação do cliente. Eles estão muito mais interessados no lucro, e eu não sou a favor desse monopólio que eles estabeleceram no Estado”, afirma.

Maíra Ezequiel também diz já ter passado por diversas experiências desagradáveis. “Criei uma comunidade no Facebook com o intuito de questionar a ausência de um controle de qualidade no Cinemark. As salas têm cheiro de mofo, o teto tem goteiras, as telas são descalibradas e sem foco, o áudio oscila e chega até a cair totalmente, os funcionários são insuficientes e despreparados… Já passei por muitas situações ruins, e percebi que não sou a única”, diz.

Cinemark

Kelma Lira: dificuldade ao deficiente auditivo (Foto: Facebook)

O Portal Infonet entrou em contato com a Rede Cinemark em Aracaju, e a informação é de que o ex-gerente geral na capital, Evandro Cunha, saiu do cargo recentemente. A Rede afirma que um próximo gerente geral assumirá a cadeira no início do mês de maio. A rede informa que a supervisora regional, responsável por dez unidades do Cinemark na região Nordeste, esteve em Aracaju na semana passada e deverá retornar à capital somente na próxima quinta-feira, 25.

A reportagem tentou ainda firmar contato com a assessoria de comunicação da Rede em São Paulo por telefone e via e-mail. Em nenhum dos casos obteve sucesso. O Portal Infonet continua à disposição através dos contatos jornalismo@infonet.com.br e (79) 2106 8000.

Por Nayara Arêdes e Cássia Santana

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