Conheça os ‘bambinos’ que compõem a Orquestra dos Meninos

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Caroline, Lidhiane, Sandy, Pábula, Douglas, Adreane, Rosicléia, Kristhofferson, Raphael, Cledson e Arthur (da esquerda para a direita) 
‘As crianças’, ‘o elenco mirim’, ‘os pequenos’, ‘os bambinos’ e ‘os pimpolhos’. Essas são apenas algumas das expressões que precedem as notícias sobre o  elenco de jovens sergipanos que interpretarão os 11 músicos do filme ‘Orquestra do Meninos’, que começa a ser gravado no dia 27 deste mês.

 

Poucos sabem que as ‘crianças’ que contracenarão com Murilo Rosa e Priscila Fantim, são na verdade jovens e adolescentes entre 13 e 21 anos, que não têm, nem de longe, cara e consciência de ‘pimpolhos’.

Quem se depara pela primeira vez com essa turma fica surpreso com a maturidade e a timidez de alguns desse jovens atores, que estão vivendo uma experiência única em suas vidas.

 

A oportunidade de fazer parte dessa grande produção cinematográfica atraiu mais de 300 jovens sergipanos para os testes de seleção. Com ou sem experiência muitos, que desde pequenos sonhavam um sonho infantil de ser artista, viram que o desejo não estava muito distante. Portanto, não custava nada tentar.

 

“Quando a gente foi fazer o teste a gente pensava que eles estavam querendo crianças, mas fomos mesmo assim. Fizemos tranças, a gente brincava na seleção”, conta Adreane Mendonça, 19

Kristhofferson (15)
anos, que participou do teste junto com suas colegas do Imbuaça: Sandy Soares (18), Pábola Nascimento (17), Rosicléia Moura (20) e Lidhiane Lima (19).

 

“Eu não estava confiante porque nunca fiz nada de interpretação, só peça de teatro na escola, sem compromisso nenhum. Minha expectativa era zero, fui sem o intuito de ser selecionado”, explica Kristhofferson Íris Ferreira, que faz parte do canarinhos de Sergipe e completa 15 anos no primeiro dia de gravação, 27 de outubro.

 

Depois de passar por um disputado processo de seleção, os 11 escolhidos passam agora por uma maratona de ensaios, entre passagens de textos e aulas de músicas. Apesar da correria para conciliar os ensaios com a aulas na escola e suas rotinas, eles já colhem um fruto da fama: o reconhecimento das pessoas na rua.

 

O Reconhecimento

 

Raphael: “e antes eu não era ator?”
“É engraçado quando a gente passa na rua e os colegas gritam ‘olhe o ator’. Teve um dia que eu tava descendo do ônibus e duas senhoras me chamaram, e me perguntaram. ‘Você é o menino que apareceu na televisão? Parabéns’. Isso é muito legal. Mas uma coisa que me toca é me chamarem de ator, e antes eu não era ator?” desabafa Raphael Santos do Nascimento (20), que já atua no teatro do Grupo Imbuaça há algum tempo.

 

O filme nem começou a ser rodado, mas todos já têm uma história para contar sobre o reconhecimento das pessoas na rua. Carolina conta que uma professora tirou cópia de uma matéria que saiu no jornal e levou para a escola; Pábola e outros colegas que participam do elenco e que estudam no Colégio Gov. Valaderes foram homenageados com os nomes no mural da escola; Cledson foi ‘perseguido’ por um rapaz dentro de um carro que queria lhe dar os parabéns.

 

Rosicléia Moura (no centro)
Para eles, viver essas experiências assusta um bocado. No bairro, na escola, na rua é estranho e para alguns ‘chato’, o fato de serem parados pela curiosidade das pessoas que querem chegar perto e conhecê-los. No entanto, para Rosicléia esse fato é perigoso. “De repente quem nunca falou com a gente começa a se aproximar, querer ser amigo”, confessa.

 

O Caçula

 

O mais novo ‘pimpolho’ do grupo é Arthur Costa, que tem 13 anos. Ele nunca fez trabalho nenhum de atuação e quase não consegue uma vaguinha na orquestra. Ele chegou com uma hora

Arthur, 13 anos, viverá Erinaldo
de atraso no último dia do teste de seleção e por muito pouco não é recebido pelo diretor Paulo Tiago, que o escolheu para ser um dos personagens mais importantes e dramáticos do filme.

 

O caçula da turma viverá Erinaldo, um menino desnutrido e frágil que será seqüestrado e protagonizará cenas fortes no filme. Para não assustar as pessoas e para deixar um clima de suspense no ar, o tímido Arthur prefere não falar muito da sua participação. “Quase ninguém sabe que eu vou participar do filme” revela Arthur.

 

 

O filme

 

O filme será trabalhado sob uma estética de documentário e irá mostrar na telona os rostos e a emoção dos meninos e meninas que interpretarão na fase inicial do filme crianças entre 13 e 14 anos que dão duro no trabalho da roça. Com alternativa para tirar as crianças dessa vida o maestro Mozart ensina os pequenos a tocar e monta uma orquestra, que irá garantir uma profissão e reconhecimento no futuro.  

 

Os 11 atores participam de todo o filme, que terá três fases. A história verídica do maestro Mozart e sua orquestra de meninos será transportada para a tela com muita música, emoção e lições de vida. Um desafio cheio de responsabilidades para esses jovens atores, que estão engatinhando na carreira.

 

“Como Laís (preparadora de elenco) falou, a gente tem que emprestar nossas vidas, sentimentos, nosso corpo aos personagens. Falar como se fosse o Kristhofferson, mas com a intenção do Ivanilson”, explica o garoto.

 

 

O Futuro

 

Lidhiane, Pábola e Arthur serão irmãos
A grande maioria desses jovens estudam em escola pública e tem pouco ou quse nenhuma experiência com atuação. Nove deles participam do curso profissionalizante do grupo Imbuaça e estão prestes a se tornar atores profissionais. 

 

Todos pretendem seguir a carreira de ator, apesar de conheceram as dificuldades de lidar com arte em terras sergipanas, assunto sobre o qual eles são bastante críticos.

 

Para Tonhão do Grupo Imbuaça, que também atuará no filme no papel de Vicente e contracenará com um dos seus alunos do curso de teatro, “está sendo uma experiência muito legal para eles. Mas eu sempre oriento eles para não irem com muita sede ao pote. Esse é o primeiro trabalho da carreira deles e com isso eles não vão despontar da noite para o dia“, declara o ator de um dos grupos de teatro mais importante e antigo do Estado.

 

Apesar da curiosidade dos atores e do povo sergipano de ver o resultado final deste trabalho, o filme, que começa a ser gravado dia 27 e passará pelas cidades de Aracaju, São Cristóvão, Laranjeiras e Santo Amaro, só deve chegar às salas de cinema daqui a um ano ou mais. Até lá fique atento porque você pode cruzar com um desses ‘pequenos’ da Orquestra dos Meninos na rua, na escola, no seu bairro, ou no Sesc onde eles têm passado a maior parte do tempo ensaiando.

 

Por Carla Sousa

 

 

 

 

 

 

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