Coronavírus pode adiar shows de quadrilhas juninas para o fim do ano

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Momento difícil e de incerteza para quadrilheiros (SE)(Foto: CDL)

Os espaços públicos permanecem interditados em função das medidas preventivas decretadas pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de Aracaju como enfrentamento ao coronavírus, cuja infecção [a Covid-19] já matou milhares de pessoas no mundo. Como consequência, ainda não há perspectiva quanto à realização das festas dedicadas aos Santos Católicos do mês de junho, momento animado pelas tradicionais quadrilhas juninas.

Com os espaços públicos interditados, especialmente o Centro de Criatividade, o Espaço Cultural Gonzagão e a orla marítima [locais onde as quadrilhas juninas se apresentam anualmente], os ensaios dos grupos permanecem suspensos por tempo indeterminado. Mas há a expectativa das apresentações começarem a ocorrer em uma época atípica, lá para o final do ano, entre os meses de outubro e novembro [se não houver novas prorrogações das medidas preventivas], conforme observa a presidente da Associação das Quadrilhas Juninas de Sergipe, Sara Lessa.

Dados dessa entidade e também da Liga das Quadrilhas Juninas de Aracaju e de Sergipe (Linquaju-SE) indicam que os quadrilheiros juninos já fizeram grandes investimentos para contratar os forrozeiros, que animam os pares dançarinos, e também com o figurino, peças indispensáveis nas apresentações, que consumem quantias consideráveis. Alguns grupos já até anteciparam uma parcela do contrato firmado com os grupos musicais, classificados como forrozeiros, segundo os dirigentes das entidades.

Os investimentos anuais variam de acordo com o tamanho da quadrilha junina, podendo chegar ao patamar entre R$ 50 mil a R$ 150 mil, segundo as duas instituições. E os grupos, que começaram a fazer os investimentos desde o mês de outubro do ano passado, já gastaram algo em torno de 50% a até mesmo 70% do montante previsto.

Os dirigentes de ambas as entidades reconhecem a necessidade da suspensão das atividades nesse momento em que há uma preocupação mundial com a pandemia do coronavírus. O presidente da Linquaju-SE, Sérgio Luiz Santos Pereira, entende que o governo deveria publicar o edital para contemplar todas as quadrilhas juninas, criando um procedimento diferenciado daquele que foi instituído no ano passado quando apenas 11 quadrilhas foram contempladas pelo edital e cada uma recebeu R$ 3 mil. “É pouco, mas os quadrilheiros ficam esperando por essa ajuda financeira”, diz.

Por sua vez, Sara Lessa não vê outra alternativa senão aguardar os desdobramentos dos efeitos colaterais do coronavírus que já afetam a economia do país para buscara alternativas de renda e defende o adiamento dos festejos juninos. “Esperar outubro e novembro para começar a fazer os eventos para angariar recursos”, sugere.

Enquanto isso, o clima é de incertezas até que as medidas preventivas e o isolamento sejam efetivamente suspensos. “Estamos vivendo uma situação muito difícil, muito triste com essa pandemia que afetou o mundo e atrapalhou todos os festejos juninos de Sergipe”, enfatiza Sara Lessa. “Hoje não temos nada, não sabemos se teremos São João nem também temos os espaços públicos liberados para os ensaios”, completa Sérgio Luiz.

 

por Cassia Santana

 

 

 

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