Espetáculo questiona a ditadura e a padronização da beleza

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Já pensou em assistir a um espetáculo de dança que pretende fazer com que a platéia reflita sobre a padronização da beleza que é imposta pelos meios de comunicação? Se sua resposta foi sim, o Grupo mineiro de dança 1º Ato, apresenta em Aracaju, nesse final de semana, o show

Espetáculo pretender fazer com que público reflita (Foto: arquivo do grupo)
“Geraldas e Avencas”.

De acordo com a diretora do espetáculo, Suely Machado, a idéia em trazer temas polêmicos para o palco é o que diferenciada o Grupo de outras companhias de dança. Sempre que o Grupo monta um novo show é pensado temas atuais que possam oferecer questionamentos. Exemplo disso são dois assuntos que já fizeram parte de espetáculos anteriores: os excessos de estímulos da contemporaneidade e o olhar estrangeiro sobre o Brasil.

Geraldas e Avencas

Questionada sobre o nome do espetáculo, Suely explica que o Grupo quer misturar o lado da padronização da estética e o lado da suavidade. Geraldas representando um nome forte e que em alemão significa “as guerreiras que lutam com a lança do amor e da dignidade” e Avencas simbolizando a planta que não gosta de muita luz, de água e que precisa de cuidados. 

Ela ressalta que a idéia do show não é criticar, nem emitir qualquer juízo de valor sobre esses comportamentos, e sim, fazer com que o público pare para pensar e reflita que cada ser humano tem sua beleza, seja da forma que for. “Gordinho, magrinho, ruivo, loiro, com silicone, sem bunda… Tudo isso é beleza”, afirma.

Delicadeza e humor

Outro diferencial do grupo é acrescentar na dança contemporânea outras manifestações artísticas

Suely Machado, diretora do espetáculo
. Segundo Suely, o grupo mescla a suavidade da poesia com o humor, pois são elementos que o mundo necessita. “O grupo opta em trabalhar com esses elementos, que fazem parte da inteligência humana”.

A trilha sonora original do show é de autoria do músico Zeca Baleiro. Suely relata que a parceria surgiu quando seu marido, o músico sergipano Lula Ribeiro, apresentou o compositor a ela. “Estava no Rio de Janeiro quando Lula me apresentou Zeca. Aí começamos a conversar, ele se interessou pelo trabalho do Grupo, foi a Belo Horizonte assistir alguns ensaios, até que firmamos essa parceria”, narra. Essa parceria resultou em uma mistura de canções e de músicas instrumentais, acompanhadas de um tom crítico e poético.

Dançarinos

Um ponto que chama a atenção do Grupo é que seus dançarinos fogem do padrão convencional de bailarinos magros e com postura definida. No 1º Ato, os participantes possuem formas físicas diferentes: uns gordinhos, outros mais magros; uns são loiros, outros são ruivos e assim sucessivamente. 

A diretora afirma que essa mistura é feita não só para questionar o porquê da padronização, mas também para mostrar que o Brasil é feito de diversidade “Eu costumo dizer que prefiro pessoas interessantes e que dancem bem, do que bailarinos. As pessoas precisam ser curiosas e se instigar pelas coisas diferentes”, acrescenta Suely.

26 anos de arte

Nesses 26 anos distribuindo arte, Suely diz que o principal objetivo ao longo desses anos é

Dançarimos do Grupo 1º Ato (Foto: Arquivo do grupo)
transformar o dançarino em um artista, onde ele possa pensar, ser criativo e ser ousado. “Na dança temos que fugir dos padrões e fugir do convencional. Precisamos ser livres para mostrar a nossa realidade”, acrescenta. 

Por isso, a diretora conta que o grupo surgiu dessa necessidade, onde cada bailarino pudesse ser autor daquilo que ele estivesse envolvido. Hoje, em Belo Horizonte, além do grupo profissionalizante, também existe um Centro de Formação que trabalha a criatividade e a improvisação. “O centro oferece uma formação ao dançarino e exige dele um desenvolvimento próprio”, completa.

Espetáculo

O show acontece nesse sábado, às 21h e no domingo às 20h, no Teatro Tobias Barreto. Os ingressos custam R$20 e podem ser adquiridos na bilheteira do Teatro.

Veja também o projeto que os dançarinos trouxeram para Aracaju: Jovens participam de Oficina Artística

Por Mariana Rocha e Raquel Almeida

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