Exposição sobre escravidão em Sergipe

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Reprodução de tela de Debret
Em todo o país, o Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro. Durante todo o mês, pessoas de vários estados se mobilizam para realizar atividades educativas e de conscientização, preservando a memória daqueles que travaram duras lutas pelo fim oficial da escravidão no Brasil.

Em Sergipe, um pouco do regime escravocrata no Estado será mostrado pelo professor de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Francisco José Alves. Doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Francisco é o curador da exposição ‘Aspectos da escravidão africana nos jornais sergipanos do século XIX”, que será aberta nesta sexta-feira, dia 13, no Mirante da 13 de Julho, mantido pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esporte da Prefeitura de Aracaju (Funcaju).

Até o dia 25 de novembro, a população terá a oportunidade de conhecer trechos de publicações do século passado com anúncios de compra, venda, aluguel e perseguição de escravos. De acordo com o professor, o principal objetivo da exposição é mostrar alguns fatos que ajudaram a construir a história do povo sergipano.

“Além de comemorar o Dia da Consciência Negra, nós queremos mostrar à população um material que poucos sergipanos conhecem, pois os livros em geral não falam da escravidão em Sergipe especificamente, apenas em outros estados, como Bahia e Alagoas”, afirma o professor.

Exposição

A idéia da exposição surgiu a partir de uma monografia feita pela estudante Sandra Cisneiros, orientada pelo professor Francisco. “Ela recolheu anúncios sobre a escravidão publicados em jornais de Aracaju, Estância, São Cristóvão e Maruim ao longo do século XIX. A exposição reúne parte dessa pesquisa, totalizando 60 peças. A maioria delas consiste na transcrição desses anúncios”, explica o professor.

Francisco José ressalta que a linguagem utilizada pelos jornais foi preservada, sem atualizações ortográficas, para que os visitantes possam sentir a realidade do século XIX. Além disso, as publicações serão complementadas com outras produções artísticas sobre os escravos.

“Para que as pessoas não se cansem de ver somente textos, nós resolvemos expor também a reprodução de algumas obras do artista plástico francês Jean Baptiste Debret, que retratou em diversas pinturas a escravidão no Brasil. Ele não captou imagens do processo em Sergipe, mas seus desenhos são capazes de nos dar uma idéia do contexto geral, sobretudo do que acontecia no meio urbano”, adianta o professor. 

Anúncios

O que era comum para a população do século passado é capaz de chocar qualquer pessoa nos tempos atuais. Os textos dos anúncios sobre escravos, algumas vezes, são capazes de causar comoção. “Os anúncios falam de compra, venda, fuga de escravos, maltratos sofridos pelos negros e até abandonos. Também encontramos registros sobre os quilombos e a resistência da população que lá vivia”, comenta Francisco.

“Um anúncio em particular me chamou atenção, devido ao choque que senti ao lê-lo. Ele fora publicado em um jornal de São Cristóvão e divulgava a venda de um escravo africano de apenas 11 anos. Outro que me chocou foi um que falava da existência de quilombos em Divina Pastora”, destaca o professor de História da UFS.

Francisco José garante que os interessados em conhecer o material da pesquisa acadêmica terão à disposição uma vasta gama de informações. “Cada anúncio tem uma particularidade. É um cardápio variado cuja idéia é justamente mostrar a pluralidade de aspectos da escravidão como um fenômeno social complexo”, explica.  

AAN

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